quinta-feira, setembro 24, 2020
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Poupar jogadores foi uma péssima escolha do Flamengo.

Guerrero e Mancuello durante Figueirense x Flamengo – Fotos: Eduardo Valente

GLOBO
ESPORTE
: Sem conquistar um título internacional desde 1999, o Flamengo estreou
na Copa Sul-Americana 2016 sem oito de seus titulares: Alex Muralha, Pará,
Réver, Rafael Vaz, Jorge, Márcio Araújo, Diego e Everton. E começou mal,
perdendo por 4 a 2 para o Figueirense, nesta quarta-feira. Poupar algumas peças
é compreensível e até mesmo importante para evitar lesões, mas certas decisões
tomadas pelo Rubro-Negro contra o Figueira foram equivocadas aos olhos da
reportagem do GloboEsporte.com. Confira abaixo:

1) Paulo Victor sem ritmo
Sabe-se
que goleiros reconhecidamente se desgastam menos do que jogadores de linha, e
Alex Muralha vem passando segurança desde que assumiu a meta rubro-negra. No
caso do Flamengo, além da boa fase de Muralha, titular nos últimos 18 jogos,
havia outro componente relevante para não poupá-lo: Paulo Victor estava sem
atuar há três meses – sua última partida foi o empate por 2 a 2 com a
Chapecoense, em 25 de maio. PV não mostrou a mesma elasticidade dos tempos em
que era absoluto no Fla e falhou feio no quarto gol do Figueirense, o terceiro
de Rafael Moura. (veja abaixo).
2) Zaga desentrosada
Embora
Juan seja o zagueiro mais técnico do Flamengo, e Donatti o mais caro, a dupla
nunca havia jogado junta. Ambos não entravam em campo desde a vitória por 2 a 0
sobre o Coritiba, em 31 de julho, quando o argentino fez sua estreia pelo clube
justamente ao substituir o capitão, que havia sofrido leve estiramento na panturrilha
esquerda.
Como
Juan ficou bom tempo em recuperação, os dois pouco treinaram juntos. O
desentrosamento ficou evidente, e o time sofreu uma pane aérea. O Figueirense
fez dois gols dessa forma, e o Rubro-Negro ainda levou um outro de cabeça, mas
anulado acertadamente. No primeiro do adversário, o capitão saiu para dar bote
fora da área, e Donatti foi facilmente iludido antes de Rafael Moura finalizar
na rede. Para completar, o argentino escorregou de forma bisonha no terceiro
gol rival.
3) Por que não dar ritmo a Diego?
O
autor deste texto não é médico nem preparador físico, mas após 32 dias de
espera pela estreia de Diego, esperava-se que o meia entrasse em campo nesta
quarta-feira pelo menos por um tempo reduzido a fim de ganhar ritmo. Não ficou
nem entre os reservas. A opinião ganha força principalmente após o camisa 35
ter suportado 80 minutos em campo na vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio, no
último domingo. Detalhe: o programado era que atuasse por 60 minutos diante do
Tricolor. O técnico Zé Ricardo tentou explicar por que não utilizou a estrela
da companhia.

Estamos tendo cuidado com atletas que ficaram muito tempo parados, sem jogar há
algum tempo, e acreditamos que temos que recuperar fisicamente alguns atletas
importantes. Outros estão na mesma condição técnica, e acreditamos que o ritmo
não cairia tanto. Mas no início do jogo sofremos gols rápidos, e abalou nossa
estrutura. Não é o fato de quem entrou ou saiu que perdemos o jogo. O
Figueirense teve méritos, e nós tivemos uma partida abaixo da nossa crítica –
afirmou, estendendo sua justificativa ao fato de Leandro Damião também não ter
ficado no banco.
4) Insucesso em outras duas oportunidades
no ano
O
Flamengo também poupou em massa numa partida importante do ano. Considerada
crucial para o clube tanto pelo ineditismo quanto por sua posição política
assumida na competição, a Primeira Liga foi colocada em segundo plano por
comissão técnica e dirigentes na fase semifinal, contra o Atlético-PR. Além de
não poder contar com Guerrero e Cuéllar, à época convocados, Muricy Ramalho
optou por não escalar Rodinei, Ederson, Marcelo Cirino e Emerson Sheik, que
vinham atuando regularmente. Resultado: 1 a 0 Furacão, e Fla eliminado.
Três
dias depois, Muricy seguia com os dois gringos indisponíveis, mas voltou a
abrir mão de três titulares: Juan, Jorge e Emerson Sheik. Deu zebra, e o Volta
Redonda venceu por 1 a 0.
O
único jogo em que o Flamengo entrou em campo com um time recheado de reservas e
teve sucesso foi contra o Bangu, em 5 de março. Vizeu (duas vezes) e Thiago
Santos marcaram na vitória por 3 a 1. À época ainda reserva, Alex Muralha pegou
um pênalti.
5) Desinteresse na torcida capixaba?
A
torcida do Espírito Santo vem dando forte demonstração de apoio quando o
Flamengo vai ao Kleber Andrade. Mesmo com ingressos caros, a média de público
no estádio é superior a 17 mil pessoas. Antes atração mais escassa, os jogos no
estado tornaram-se mais comuns (duelos com o próprio Figueira e a Ponte Preta
estão previstos para o Brasileiro), e o torcedor naturalmente acaba escolhendo
em quais investirá seu dinheiro, já que os bilhetes em jogos realizados no
Klebão não foram considerados baratos. Some-se a isso que o Fla tem uma missão
de conseguir um placar de dois gols de diferença.
Será
que teremos casa cheia novamente na próxima quarta-feira, às 21h45, em Cariacica?

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