Prado chama CI do Flamengo de fiasco e pede novo técnico.

Zé Ricardo, técnico do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

RENATO
MAURÍCIO PRADO
: O futebol do Flamengo está à matroca. A atual diretoria, que
merece todos os elogios e incentivos pelo árduo e necessário trabalho de
saneamento financeiro que vem fazendo, continua a mostrar que não entende
bulhufas do mundo da bola. Com a saída de Flávio Godinho, envolvido nas
delações da Lava-Jato, o comando do departamento passou a ser dividido pelo
presidente Bandeira de Mello e pelo CEO do clube, Fred Luz. Ambos, autênticas grã-finas
de narinas de cadáver – aquela inesquecível personagem de Nelson Rodrigues que,
quando entrava no Maracanã, perguntava, entre aflita e ansiosa, “quem é a
bola”?

Pior,
desde a saída do antigo braço direito de Eike Batista, Bandeira e Luz tornaram
o futebol rubro-negro uma autêntica caixa-preta. Nem os demais vice-presidentes
sabem o que lá ocorre e quais são os planos futuros do departamento, se é que
há um planejamento de fato. O chamado “núcleo de inteligência” do Fla é outro
fiasco: já deu amplas provas de que é burro. Vide o sem-número de contratações
que acabaram no banco de reservas, incapazes de reforçar de fato o elenco –
Cuellar, Donatti, Mancuello, Berrio, Rômulo, Damião e por aí adiante.
É fato
que houve algumas boas contratações como as de Guerrero e Diego e, como se
espera agora, seja a de Éverton Ribeiro. Mas o índice de acertos é muito baixo
e a dinheirama derramada nessas contratações furadas, muito alta.
O
maior problema do Flamengo, porém, chama-se mesmo Zé Ricardo. Um treinador da
casa que, num primeiro momento, chegou a entusiasmar muita gente mas,
particularmente, nunca me encantou. Ora bolas, Andrade e Jayme de Almeida (pra
ficar somente nos mais recentes) também tiveram seus bons momentos. Ganharam
até títulos mais importantes que o Carioquinha do Zé. Andrade foi campeão
brasileiro e Jayme da Copa do Brasil. Nem por isso podem ser considerados
treinadores à altura do Mais Querido, como ficou claro, logo depois.
A
vexaminosa desclassificação na fase de grupos da Libertadores apenas evidenciou
o que, aqueles que analisavam o desempenho rubro-negro com seriedade (e sem o
oba-oba da maior parte da imprensa) já desconfiavam. O time não tem jogadas,
limita-se a tocar bola incessantemente (pro lado e muitas vezes, para trás) e
só ataca através de cruzamentos a esmo sobre a área. Tiveram boas atuações nos
jogos fora, na Libertadores (como insistiram alguns)? Uma pinoia! Não
conseguiram fazer um ponto sequer como visitantes e ainda tem gente que vem com
essa balela de que jogaram bem? Vão se catar!
Como
pode dar certo uma tática na qual, em 90% das jogadas da defesa para o ataque
são iniciadas pelo Márcio Araújo – que mal sabe fazer um passe de três metros?
Some-se a isso a má fase de alguns jogadores até então tidos como bons, ou pelo
menos, razoáveis, como Arão, Muralha, Éverton e Pará, entre outros, e o
resultado é o desastre que se vê: além do fiasco na principal competição do
continente, em cinco rodadas do Brasileiro venceu apenas uma única vez, ao
bater o mais fraco dos participantes, autêntico saco de pancada do torneio, o
Atlético Goianiense.
Além
de limitado em termos táticos, Zé Ricardo é teimoso e insiste com jogadores
que, sabidamente, estão mal e não contam com a simpatia da torcida. Demorou
séculos para barrar Rafael Vaz, não tira Márcio Araújo nem por decreto, e só
escalou agora o jovem goleiro Tiago e o menino prodígio Vinícius Jr porque a
pressão foi enorme. Zé é, sem dúvida, um treinador singular, pois tendo vindo
da base, parece detestar dar chances àqueles que comandou, inclusive em
títulos, como o da Copinha.
Os
poucos que ainda defendem a sua permanência usam o último dos argumentos:
tirá-lo para colocar quem? A essa altura do campeonato, não tenho mais dúvidas:
qualquer um!
Dorival
Jr., por exemplo, não é o treinador dos meus sonhos mas tem muito mais bagagem
e experiência que o Zé. Idem, idem para Marcelo Oliveira, que também não
considero top de linha mas tem lá o seu valor e já foi bicampeão brasileiro.
Duro é
lembrar que Abel esteve dando sopa, louco para ir para a Gávea, no ano passado,
e o Fla o esnobou. E Cuca, até pouco mais de um mês, também estava solto no
mercado, e foi igualmente ignorado.
Seja
quem for o substituto, o que para mim está absolutamente claro é que o futebol
do Flamengo precisa mudar – ou passará mais uma temporada como mero coadjuvante
no cenário nacional. É preciso trocar o comando técnico do time e também a
direção fora das quatro linhas.
Urge a
escolha de um vice-presidente de futebol do ramo. Para que Bandeira e Fred
tratem de cuidar apenas das finanças que conhecem tão bem e deixem em paz o
mundo da bola, onde são autênticos pernas-de-pau.
Em
tempo: o que faz o Mozer no clube?

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