Preço abusivo no ingresso revolta Sócios: “Flamengo é povão”

Faixa de protesto da torcida do Flamengo contra valores dos ingressos na Ilha do Urubu – Foto: Cris Dissat / Fim de Jogo

GLOBO
ESPORTE
: Ao redor da Ilha do Urubu, antes da boa vitória do Flamengo por 2 a 0
sobre o Santos, o GloboEsporte.com abordou torcedores e fez, basicamente, duas
perguntas.

1 –
Qual sua opinião sobre a discussão a respeito do preço dos ingressos dos jogos
do Flamengo?
2 –
Você tem acompanhado o assunto e as justificativas da diretoria?
Depois
de três jogos sem lotação, com ticket médio próximo de R$ 60 e público máximo
de 14.498 pagantes contra o Santos, na última quarta-feira, as respostas não
variaram muito.
Foram
10 sócios torcedores, de planos de associados do clube, profissões e condições
econômicas diferentes, ouvidos pela reportagem. Eles até mostraram certa
compreensão com a diretoria de Eduardo Bandeira de Mello, pois entendem que o
clube vê na bilheteria fatia importante da receita – no orçamento de 2017, a
arrecadação total prevista é de R$ 61 milhões (bruto). Mas acham que desta vez
o clube pegou pesado nos valores. Querem compreensão recíproca.
Além
dos torcedores, a reportagem pediu à assessoria de imprensa do clube entrevista
com porta-vozes para entender algumas questões: qual o critério para a
definição de preços de ingressos? É levado em conta a comparação com outros
clubes? O estádio menor tem efeito sobre o preço? É para garantir bilheteria
mínima? O clube preferiu enviar uma nota, que servia de posicionamento oficial.
Leia, na íntegra, no fim da reportagem.
Na
véspera da partida contra o Santos, a torcida organizada Raça Rubro-Negra
protestou, em nota, contra os preços das partidas. Uniformizadas e torcedores
do São Paulo anunciaram que não vão ao jogo de domingo em protesto pelo preço
do setor de visitantes. Nessa quinta-feira, o grupo “Fla+”, que
entrou com representação contra Bandeira, pelos gestos a torcedores em Santa
Catarina, pediu explicações da diretoria, com apresentação de documentos, sobre
a precificação na Ilha.
A
diretoria discute o assunto internamente (leia a nota mais abaixo). Há
entendimento de que a comparação com o Maracanã não se adequa à Ilha, pois no
ex-Maior do Mundo os sócios torcedores variavam entre 15 mil e 20 mil pessoas.
Na Ilha, agora com 100 mil sócios, isso significa a lotação do estádio
Luso-Brasileiro. A sensação que fica é que os ajustes não devem ser muito
diferentes do que já foi praticado contra o Santos.
CONFIRA O QUE PENSAM 10 TORCEDORES DO FLA
Pedro Cavalcanti, 20
anos, e Lucas Figueiredo, 19. Estudantes de Educação Física.
Plano:
Os dois são do plano “Raça”. Pagam R$ 39,90 de mensalidade.
Os
dois amigos estão escolhendo jogos para pagarem ingresso para assistir ao Fla.
Pedro foi a três jogos antes do Santos, pela Copa do Brasil – ingresso no qual
pagou R$ 45. Pagou R$ 10 para assistir à final da Copa do Brasil Sub-20
(Flamengo x Atlético-MG) e mais R$ 120 pelas partidas contra Ponte Preta e
Chapecoense – R$ 60 cada um. Lucas foi contra o Atlético-MG, por R$ 10, mais a
partida contra o Santos, de R$ 45.
– Não
estou vindo a todos os jogos. Enquanto não baixarem os ingressos, vou escolher
em que jogo vir. Acho um absurdo o preço. No Brasileiro, anteriormente, pagava
R$ 20 pela meia da meia. Na Libertadores, até R$ 30 por jogo. O que acontece na
Ilha é que quando chega o meu benefício da prioridade para o plano Raça, a
Norte, que é a mais barata entrada, já está esgotada – contou Lucas.
Vitor Felix, 24
nos. Estudante de Administração.
Plano:
“Raça”. Paga R$ 39,90 por mês.
Vitor
é um dos torcedores que mostraram lado compreensivo, fazendo a ressalva que a
maioria dos rubro-negros, sócios, paga até meia-entrada da meia-entrada. Mas se
queixa igual do preço.
– O
pacote mais barato do Brasileiro custava R$ 104 para três jogos, no setor
norte. Mas não consegui comprar porque já estava esgotado. Eu comprei o pacote
de R$ 152, para o setor leste. Quem paga o plano de sócio mais barato termina
comprando o setor mais caro. Então, são R$ 152 pelo pacote, mais R$ 45 (Santos)
e R$ 39,90 do plano. Dá uns R$ 237 por quatro jogos. Já são 100 mil sócios, dá
para faturar sem meter a mão no ingresso. Eles (diretoria do Flamengo) acham
que o torcedor pode fazer up grade no programa, mas eu acho que vão acabar
desistindo – opina Vitor.
Andrei Távora e Vitor Fernandes, 23
anos. Militares.
Andrei
é sócio do “Sou + Raça”, paga R$ 69,90. Vitor é do “Raça”.
Paga R$ 39,90.

Comprei setor sul. Meia-entrada da meia por R$ 60. Acho que o preço está
salgado. A torcida do Flamengo é muito povão. Tinha que ter pacote mais
acessível. Tenho muitos amigos que não estão vindo aos jogos – contou Andrei.
– A
gente mora na Região dos Lagos, em Araruama. Então, no meu caso, ainda tem o
dinheiro da passagem. A gente é sócio para ajudar o Flamengo, mas quer que seja
recíproco. Assim, somando a mensalidade, quase não está valendo a pena ser
sócio-torcedor – disse Vitor.
Sueli Alvarenga, 55
anos, e Paula Alvarenga, 21.
A mãe,
que é sócio-proprietária do Flamengo, e a filha têm plano familiar, o “+
Paixão”. Pagam R$ 200, mais R$ 30 por cada um dentro do plano. No total, R$
290.

Antes, era R$ 60 a inteira, sócio-torcedor pagava R$ 30, eu pagava R$ 15, a
meia da meia. Esse jogo contra o Santos paguei R$ 45. Antes, peguei o pacote de
R$ 104, que é o mais barato para quem é sócio-torcedor. Mas só consigo porque
eu pago o plano mais caro. Meu pai, por exemplo, paga R$ 208. Mas é muito mais
caro do que antes. Cheguei a pagar R$ 12,50 ou R$ 20 por jogo. Contra o
Fluminense, que não teve sócio-torcedor do Fla, paguei R$ 30 (meia por ser
estudante). Eu não vou deixar de ir, mas sei que tem gente que não vai poder
continuar vindo – afirmou Paula.
Douglas Martins e Wilker Fonteles, 25
anos. Estudante e corretor, respectivamente.
São do
plano “Raça”, pagam R$ 39,90.
– Por
um lado é caro, mas entendo que a maioria paga meia da meia. Só sócio-torcedor
que consegue vir. Público em geral não dá. Até porque são 100 mil sócios, um
estádio para 20 mil, ou seja, 20% dos sócios já enchem o estádio. Antes, pagava
R$ 20, R$ 30 em jogos normais. Paguei R$ 75 em pacote de três jogos na
Libertadores de 2013. Por isso não está enchendo. Ainda tenho que ouvir amigo
botafoguense zoando que estádio para 20 mil e não enche – lembrou, rindo,
Douglas.
Sabrina Vianna, 31
anos. Professora.
Plano
“Raça”. Paga R$ 39,90 por mês.
A
torcedora lembra o ânimo dos torcedores cariocas pelo retorno do time à cidade,
mas confessa que sentiu o golpe – “um banho de água fria logo de
primeira”. Lembra que os preços eram bem acima dos cobrados no Maracanã e
Volta Redonda.
– O
desafio da diretoria, agora, é continuar o projeto de trazer o torcedor pra
perto do time. Mas, até agora, ela está afastando boa parte da torcida (seja
sócio torcedora ou não) pelo alto preço e arranhando o relacionamento com quem
está indo aos jogos. As pessoas mesmo indo se sentem lesadas. Pagam o ST, mais
o ingresso. Infelizmente, a diretoria se apoia no discurso da meia-entrada e
que o ticket médio praticado não é tão alto. Mas mesmo assim o valor segue
sendo maior do que estávamos acostumados a pagar. É necessário que haja um meio
termo e mais boa vontade. O ano é longo, ainda há muitos jogos em casa, e o
time precisa, mais do que nunca, se sentir acolhido novamente – disse Sabrina.

Por: FlaHoje

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