quarta-feira, setembro 30, 2020
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Pressão por curso técnico, ‘cano’ de rival e início aos 20: como Gabriel foi parar no Fla

ESPN – A trajetória do meia Gabriel não é das mais comuns no mundo
da bola. Sem passar por qualquer clube na adolescência, ele atuou no futebol de
várzea de Salvador até quase os 20 anos de idade. As coisas pareciam que não
dariam certo para o garoto, que havia feito um teste no Fluminense de Feira de Santana, mas foi dispensado depois de apenas
um dia.
Quando ficou sabendo que teria uma peneira no
Vitória, foi com esperança de realizar seu sonho, mas deu com a “cara na
porta”.
“Teve um desencontro de informações. Me
falaram que ia ter teste em um dia, mas era o dia errado. Quando fui lá não
tinha nada e tive que voltar para casa. Eu resolvi desistir de jogar e não ia
atrás de mais nada”, disse o jogador, em entrevista ao ESPN.com.br.
“Tinha muita cobrança em casa para fazer
um curso técnico, mas sempre me deram muita força para eu lutar pelo meu sonho.
Eu atuava no futebol amador e tirava uma graninha por partida. Então, uns
amigos meus jogavam em um time e me chamaram”, prosseguiu.
A equipe pertencia ao então presidente do Bahia e o meia nem imaginava que ali
poderia estar a grande oportunidade de sua vida. “Eu não queria ir porque
era na Pituba (bairro de Salvador), mas acabei indo. Os donos eram o Marcelo
Guimarães Filho e o pai dele que me viram lá, gostaram muito de mim e puxaram.
Eu avisei: ‘Tenho quase 20 anos’. Eles responderam: ‘Não tem problema’. Fui
mais tranquilo depois disso”, recordou.
Nos primeiros treinos do tricolor baiano, ele
chegou até mesmo a duvidar se era capaz de se igualar aos companheiros.
“Tudo era contra, eu era muito magrinho, era mais velho que os outros.
Para mim foi muito mais difícil por não ter base, sai muito atrás dos caras,
era muito complicado. Eu ficava pensando: ‘Será que era para mim aquilo?'”,
indagou.
“O mais complicado era tocar na bola
(risos). A diferença era muito grande, tocar a bola era algo fantástico, passei
alguns sem ver a cor dela quase (risos). Eles tinham muito mais força e preparo
físico do que eu. O Newton Motta e o Sergio Moura me ajudaram demais, não me
deixaram abaixar a cabeça. Me chamavam para conversar e falam que eu era capaz.
Vindo deles, mudava totalmente meu pensamento na hora”, afirmou.
Com o incentivo da comissão técnica, Gabriel
foi mudando a situação. “Fiz pré-temporada e não era nem relacionado no
começo, mas eles tiveram a maior paciência do mundo comigo. Eu também me
dedicava muito, por isso, eles me ajudavam ainda mais. Eu chegava sempre uma
hora antes, mesmo demorando duas horas de ônibus. Eles viram isso, tive a sorte
de gostarem de mim e resolveram me dar uma chance”, relatou.
Em menos de seis meses, ele saiu do futebol
amador para os profissionais de um dos maiores clubes do Brasil. “Aos
poucos fui me adaptando, sabia que tinha qualidade, mas estava muito abaixo
deles. Mas as coisas foram se encaixando de uma forma incrível, não tem
explicação. Fomos campeões baianos e fui vice-artilheiro, mesmo sendo reserva,
e fiz o gol do título. Então fui puxado pro time de cima pelo Rogério
Lourenço”, disse.
O treinador foi mandado embora na estreia do
meia, que virou um curinga do novo comandante Vágner Benazzi.”Ele me viu
treinando e gostou de mim. Joguei em todas as posições: lateral, volante, meia
e atacante. Eu queria estar no bolo e jogando, depois dava um jeito de me
firmar (risos)”, garantiu.
Ele ainda seria treinado por Joel Santana
antes de trabalhar com Paulo Roberto Falcão, que o colocou em sua posição de
origem e com isso, ganhou destaque no cenário nacional. “O Bahia é um time
de massa, tem muita cobrança e pressão. Você dar conta do recado não é fácil,
foi coisa de Deus”, comemorou.
Disputado
por gigantes foi parar na Gávea
Com as boas atuações no primeiro semestre de
2013, Gabriel chamou atenção de vários clubes como Grêmio, Inter, São Paulo e
Cruzeiro, mas quem levou a melhor foi o Flamengo. No time da Gávea, ele encontrou uma
situação surpreendente.
Flamengo está melhorando muito nesses últimos
anos, falavam da fama de mau pagador, mas desde que cheguei aqui não vi isso. O
presidente é muito bom e honra seus compromissos, o clube está crescendo cada
vez mais”, disse.
Com a mudança para o Rio de Janeiro, o
jogador não conseguiu manter as boas atuações do Bahia. “A adaptação foi
muito difícil, cheguei jogando bem, mas depois tive uma queda e não estava
acostumado com aquilo e foi muito pesado. Você começa a sofrer, final do ano em
baixa e fiquei triste as férias toda. Fui paciente e falei para mim mesmo que
ia jogar e dar a volta por cima. As mudanças foram muito rápidas na minha
vida”, relatou.
No ano seguinte ele atuou pelo time B no
Campeonato Carioca e com as boas atuações conseguiu se afirmar. “Peguei
confiança e fui entrando, atuei na Libertadores e fui muito bem, pena que não
classificamos”, disse. Sua melhor partida, porém, seria na semifinal da
Copa do Brasil na vitória por 2 a 0 diante do Atlético-MG no Maracanã.
Inspiração
em ídolos para ser titular
Atualmente com 26 anos, Gabriel luta para se firmar entre os titulares do técnico Muricy
Ramalho. “Agora está mais difícil, concorrência é maior, mas não tenho
problema com isso. Vou trabalhar bastante para buscar meu melhor”,
garantiu.
Mesmo com pouco tempo de trabalho, o meia já
sentiu o jeito diferente do novo comandante. “O Muricy é bom demais,
trabalhador e sabe o que o jogador precisa. Ele fala quando tem que falar, fica
calado quando acha necessário, treinador tem que ser assim. Saber o que está
fazendo e tem que fazer o jogador acreditar e confiar no que ele está fazendo,
tem tudo para dar certo”, vibrou.
Muito amigo do zagueiro Wallace, ele
aproveita as dicas literárias do capitão para brilhar. “Ele é meu
irmãozão, saímos para jantar e frequentamos a casa um do outro. Ele me deu
vários livros, principalmente biografia de esportistas como Michael Jordan e
Zidane, tenho curiosidade. De caras que foram campeões sempre se tira lições,
recomendo para todos os atletas lerem”, avisou.
A história do maior jogador de basquete de
todos os tempos deu ensinamentos preciosos. “A passagem que mais me marcou
foi a questão sobre o erro. Ele diz que errou muitos arremessos decisivos na
carreira e mesmo assim foi o campeão que foi né? A gente não pode ter medo
errar”, analisou.
Mesmo morando na “Cidade
Maravilhosa”, Gabriel é avesso
a qualquer tipo de badalação. “Sou muito caseiro, saio pouco. Não curto
noite, saio só para jantar. Nas folgas nem vou muito na praia porque estou
muito cansado, o corpo não deixa (risos). Eu gosto muito de jogar boliche,
mando bem até”, avisou.

Para quem tinha tudo para dar errado, Gabriel e tem um objetivo simples para
o resto da carreira. “Meu sonho é estar sempre bem, sem lesão para fazer o
melhor. O resto a gente corre atrás”, finalizou.

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