domingo, setembro 20, 2020
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Rabo forte, cachorro fraco… Ou a inversão das coisas.

Olhar
Crônico – É da ordem natural das coisas que o cachorro balance o rabo. Tanto é
natural essa ordem que muitas raças foram criadas por mais de século tendo seus
rabos totalmente amputados, o que ainda hoje ocorre. Apesar disso, mesmo sem o
rabo, o cachorro sempre deu conta de viver bem. Nunca se soube, porém, do
inverso haver acontecido. Talvez, quem sabe, aconteça naqueles laboratórios dos
blockbusters de Hollywood que teimam em recriar dinossauros…

Cresci
torcendo por um time. Torcia pelo meu time antes mesmo de torcer pela Seleção
Brasileira. Mesmo conhecendo muita gente, não conheço uma só pessoa entre os
amantes do futebol que torça por um jogador ou pela Seleção. Sim, é comum
ouvirmos “Eu torço só pela Seleção”, mas essa frase é sempre pronunciada por
pessoas que têm relação muito distante com o esporte mais popular do planeta.
Torcedor
torce por um time.
O
time, o clube, é a razão de ser do futebol.
O
clube é o cachorro.
O
resto é acessório, é rabo. Aqui se incluem federações e confederações, da
menorzinha delas até a maioral, a FIFA.
São
entidades necessárias, sem elas o futebol não teria se desenvolvido, mas são
acessórias.
É
possível existir futebol sem federação.
É
impossível existir federação sem futebol.
Assim
como é impossível o rabo balançar o cachorro. Se isso ocorre, há algo muito
errado em algum lugar.
Apesar
disso tudo, há muito tempo no Brasil parece que os clubes são acessórios e as
federações e a confederação são a razão de ser da existência do futebol. Temos
clubes fracos e federações fortes. Essas entidades chegam a emprestar dinheiro
aos clubes, cobrando caro por isso, como se fossem bancos ou agiotas, e
cobrando, igualmente, retornos políticos dos dirigentes de pires nas mãos.

Os
números mostrados pela atual safra de balanços, sem exceção feita, mostram o
porquê da fraqueza de nossos clubes. Tanto é verdade que o melhor de todos os
balanços e também a melhor gestão, são do Flamengo. Mesmo com todo o trabalho e
as boas receitas o clube continua devendo um mundo de dinheiro e tem que viver
de acordo com regras rígidas de controle, justamente para conseguir sair dessa
situação.
Entre
todos os balanços nenhum é tão bonito, nenhum apresenta números tão sonoros e
tão ricos como o da CBF. Sua receita foi, simplesmente, 49,6% maior que a do
clube com maior receita em 2014. Podemos arredondar sem problema: 50% maior.
Esse
post, porém, não é sobre isso, mas sobre um outro absurdo: a FERJ – Federação
de Futebol do Rio de Janeiro – ganhou mais dinheiro com o Campeonato Carioca
desse ano que qualquer outro clube!
Realmente
espantoso, o exemplo perfeito do rabo que balança o cachorro.
Como
mostra a matéria do blog Bastidores, do portal GloboEsporte.com (veja aqui), a
federação arrecadou um total de R$ 2,5 milhões na soma das taxas das partidas
do campeonato, contra R$ 2,3 milhões recebidos pelo campeão, o Vasco da Gama. O
vice-campeão Botafogo faturou um total de apenas R$ 1,4 milhão na competição,
enquanto o clube com maior torcida no estado arrecadou R$ 1,7 milhão.
O
total arrecadado pela Federação Carioca é explicado pelo percentual que cobra
em cada partida: 10% da renda bruta. Em São Paulo a federação cobra apenas a
metade – 5% – e mesmo assim já se fala na necessidade de reduzir o valor da
taxa, segundo informou a coluna Painel FC, da Folha de SP. Nesse campeonato
recém-terminado, essa taxa rendeu à federação de São Paulo apreciáveis R$ 2,8
milhões.
Esses
números mostram, entre outras coisas, a fraqueza política dos clubes
brasileiros. Fraqueza que é fruto natural da desunião que os marca e da visão
estreita da maioria, se não a totalidade, de seus dirigentes.
Com
tudo isso, não é de espantar que os jogadores, através de uma entidade há pouco
criada, o Bom Senso FC, tenham mais peso político que eles, os clubes, que são,
ou deveriam ser, os grandes protagonistas do esporte. Mas que hoje são
cachorros fracos balançados por rabos desproporcionalmente fortes.

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