Rede Globo ainda vê potencial nos campeonatos estaduais.

Por: Fla hoje

Flamengo x Macaé pelo Campeonato Carioca – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

RODRIGO
MATTOS:
Ao renovar os contratos dos principais Estaduais do Sul e Sudeste, a
Globo assinou acordos que estabelecem número de datas mínimas e reajustes
significativos para as competições. Na prática, isso garantiu aos campeonatos, contestados
pela falta de interesse, pelo menos três anos no tamanho atual. Isso se explica
porque a emissora ainda vê potencial de audiência nos Estaduais, embora estude
discutir modificações nos formatos.

Estaduais
como Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul tinham contratos de tv que
acabaram em 2016. A renovação com a Globo ocorreu com a previsão do mínimo de
17 datas para os próximos anos para os três Estados. Há uma garantia mínima
também no Paulista, renovado em 2015, mas não foi possível saber qual. Esse
patamar tem uma data a menos do que o previsto no atual calendário da CBF. É a
confederação quem determina o cronograma de jogos.
A
Globo decidiu aumentar seu investimento nos Estaduais porque obtém boas
audiências com eles em certos jogos. As partidas iniciais têm pouco interesse
esportivo por serem com times menores. Mas a emissora registra índices altos de
audiência em mata-matas dos campeonatos, em certas ocasiões superiores aos do
Brasileiro por serem eliminatórios. Ou seja, a média de audiência não é ruim.
”Sim,
a gente tem a a garantia (do Estadual com 17 datas) porque a Globo é parceira
da CBF. Se a CBF não der o número de datas, a Globo teria que pagar. Mas
sabemos que não tem possibilidade disso acontecer”, afirmou o presidente da
Federação do Rio Grande do Sul, Francisco Noveletto. Seu contrato foi de 3
anos, com possibilidade de renovação por mais cinco. O reajuste foi de 35%
sobre o valor. Antes, os grandes, Inter e Grêmio, levavam R$ 7 milhões cada.
No
Rio, os contratos também garantem 17 datas, além da previsão de usar o time
principal – inclusive o acordo do Flamengo que foi assinado em separado. Mas,
no caso carioca, o valor dos acordos tem que ser reduzido se cair o número de
datas. Ou seja, nenhum time ou federação vai querer isso. Houve reajuste
significativo do contrato do Estadual que foi para R$ 120 milhões. Os grandes
ganharão R$ 15 milhões cada.
Em São
Paulo, a renovação para 2016 também envolveu praticamente dobrar o valor e
atingir patamar em torno de R$ 150 milhões. Em ambos os casos, a Globo ofertou
mais dinheiro por conta da concorrência com o Esporte Interativo que fez
propostas altas.
Em
Minas, não foi possível confirmar a exitência de cláusula de mínimo de datas na
renovação para este ano. Mas são 15 datas no campeonato mineiro, e a tendência
é que seja mantido para o próximo ano após renovação de contrato. Também houve
reajuste no Estado.
Mesmo
sem a presença de Atlético-PR e Coritiba, a Globo assinou com a Federação de
Futebol do Paraná e os outros dez clubes por três anos pelo Estadual. 

”A Globo
é uma coisa, da parte financeira, mas o calendário é da CBF”, ressaltou o
presidente da federação, Hélio Cury, apesar das 17 datas garantidas no
contrato. Ele afirmou que Atlético-PR e Coritiba poderão assinar com a Globo
desde que com a anuência dos outros times.

Esse
Estadual mostra que a emissora se interessou, com valor inferior claro, mesmo
por um campeonato sem grandes. Mas isso não significa que a Globo está plenamente
satisfeita com os Estaduais. Não há dentro da emissora resistência a mudanças
de calendário que transformassem as fórmulas dos Estaduais ainda que dentro
dessas 17 datas. As discussões ainda são bem embrionárias.
Uma
mudança mais radical, no entanto, obrigaria que se houve um novo modelo de
remuneração ou arrumação de jogos do futebol brasileiro. Afinal, clubes ganham
mais de R$ 1 milhão por jogo em Estaduais como no Rio de Janeiro e São Paulo.
No
Nordeste, houve um processo na direção da redução dos Estaduais, e criação de
fases preliminares. O Campeonato Baiano foi sendo reduzido ano a ano até chegar
a 12 datas e o Pernambucano ficou com 14 datas, com mais uma fase prévia sem
grandes. Em Pernambuco, há uma cláusula mínima de 14 datas, na Bahia, não.  

”A gente já vinha reduzindo os estaduais
então não dava para ter cláusula mínima. Conciliamos com Copa Nordeste e Copa
do Brasil”, disse o presidente Ednaldo Rodrigues.

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