sexta-feira, setembro 25, 2020
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Reforçar o time ou trancar o cofre?

República
Paz e Amor – Sabe aquela faixa que você vê pendurada numa casa de apostas,
informando que “Saiu aqui o ganhador dos R$ 400 mil da Federal”? Estou me
sentindo como o dono da lotérica que mandou esticar a faixa.

Demonstrando
enorme vontade de levar o Manto novo, Irene Holanda comentou nos posts de todos
os republicanos, mas o comentário sorteado foi o que ela fez em 3 de maio –
portanto, aos 45 do segundo tempo – no texto “Gratidão e solidariedade”,
escrito pelo papai aqui. Trata-se de um claro recado dos deuses da blogosfera:
visite o RP&A regularmente, leia sempre os posts do Murtinho e nunca deixe
de comentar. A felicidade baterá à sua porta.
Dito
isto, passemos ao post da vez.
Segunda-feira,
4 de maio, Leonardo André e Vinicius Castro publicaram, no UOL, reportagem com
o título “Luxa vence guerra e Fla vai abrir o cofre por reforços. Robinho é o
sonho”. O texto informa que houve uma batalha nos bastidores rubro-negros – de
resto, algo normal em qualquer gestão moderna e compartilhada – e que
Luxemburgo teria vencido a queda de braço.
Medo.
Independentemente
dos acertos ou erros e vitórias ou derrotas que fazem parte da carreira de todo
bom treinador, em vários momentos Luxemburgo já se mostrou um perdulário. E,
sempre, teimoso até não mais poder.
Uma
das coisas que me incomoda é a recorrente opção de Luxa pelos tais jogadores
cascudos, e o exemplo mais recente vem do Sul. Depois de chegar em terceiro
lugar no Brasileirão 2012, assegurando o direito de disputar a Libertadores do
ano seguinte, Luxemburgo encheu o Grêmio de cascudos, todos com salários
inflados. O goleiro Dida (em vez de efetivar o bom Marcelo Grohe), Cris, Elano,
Fábio Aurélio (que sequer jogou). Fez uma fase de grupos sofrível e levou fumo
nas oitavas. Um ano antes, no Flamengo, indicara o cascudo Alex Silva, e um
pouco depois queria porque queria levar o Bolívar. Não se trata de patrulha ou
cornetagem gratuita, e eu mesmo já reclamei aqui no blog das nossas limitações.
Mas, no caso do Flamengo, creio ser muito mais uma questão de acertar a mira do
que sacar a carteira do bolso e gastar a esmo. Nisso a gente sabe que Luxa é
mestre, mas disso o Flamengo quer distância.
O que
me conforta é que a aparente contradição – desejar um time melhor, sem perder o
controle do orçamento – não é só minha, mas da imensa maioria da torcida
rubro-negra. Todos pedimos reforços com critério e pés no chão, sem
compromissos que não poderemos cumprir, e tenho receio de ver Luxemburgo mandando
e desmandando.
No
início do ano, quando Luxa começou a falar em Luís Fabiano, tive arrepios.
Acredito que Alex e, sobretudo, Robinho – os dois citados na matéria do UOL –
podem melhorar bastante o time, mas juro a vocês que tremo na base quando nosso
treinador começa a ganhar guerras internas e adquirir funções além daquelas de
treinar, definir o padrão tático e escolher quem vai pro jogo.
A
reportagem cita, ainda, que Robinho é visto como um nome capaz de alavancar o
cambaleante Programa Sócio-Torcedor. Sim, desde que tenha vontade. Se vier de
férias – como veio, por exemplo, Ronaldinho Gaúcho –, melhor não. Sim, desde
que se dedique e se cuide, que jogue sempre e quase sempre bem. Sim, desde que
ajude o time a disputar o título. Vaga na Libertadores é no máximo
consequência, jamais pode ser o objetivo.
De
qualquer modo, e como sonhar é preciso, fui dormir de segunda pra terça achando
que Robinho seria uma boa. No entanto, na noite de terça pra quarta já pensava
diferente. Explico. Naquela terça-feira Dunga fizera a fineza de chamar Robinho
para a Copa América, competição que vai de 11 de junho a 4 de julho, com
apresentação dos convocados prevista para 1º de junho. Devido à inteligência e
ao profissionalismo do nosso calendário, os selecionados que disputam o
Brasileirão ficarão, no mínimo, sete jogos fora. São 21 pontos, suficientes
para interferir no resultado do campeonato e afastar qualquer clube da briga
pela taça.
Como
nada é tão ruim que não possa piorar, em boa parte do ano que vem não teremos o
Maracanã – o que pode ser ótimo para ganhar dinheiro, mas é péssimo para
disputar títulos. E se não for para disputar títulos, qual a razão para
investir em caras tão caros quanto Robinho?
Beco
sem saída. Sugestões, opiniões e esculhambações na caixa de comentários, por
favor.

Jorge
Murtinho

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