sábado, setembro 26, 2020
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Rei das Finanças, Itaú cobra resultados do Flamengo em campo.

Times Brasileiros – Foto: ESPN.COM.BR

ESPN: Aumento
nas receitas, queda nos custos, diminuição das dívidas e o estancamento da
sangria. A sensação é de alívio, mas o sinal de alerta deve permanecer ligado.
Essa é a conclusão do retrato dos principais clubes do Brasil em 2015, segundo
estudo do Itaú BBA, o banco de investimentos do grupo Itaú, e ao qual o
ESPN.com.br teve acesso.

Trata-se
de um trabalho feito pelos profissionais da area de crédito do banco e que
utiliza informações públicas dos clubes. Assim, ao longo de 217 páginas, é
feito um comparativo entre as receitas, os gastos e os investimentos de 27
equipes do país, além de análises individuais de cada uma delas (veja detalhamento
abaixo).
De
forma geral, o estudo aponta que os clubes brasileiros tiveram um 2015 para
celebrar sobretudo porque houve um crescimento de 15% das receitas totais (4%
acima da inflação) em relação a 2014. A verba de direitos de TV cresceu 25%, as
cifras com venda de direitos econômicos de jogadores subiu para 22%, a receita
com estádio subiu para 18%, enquanto com bilheteria/sócio-torcedor subiu 7%.
Tudo isso forma o cenário positivo geral.
Individualmente
a história não é bem assim. Há clubes que navegam em águas mais calmas,
enquanto outros têm desafios bastante complexos.
O
clube apresentado com a melhor situação é o Flamengo.
A
equipe rubro-negra é elogiada pela ‘política de austeridade’ implatanta desde o
ano anterior, que fez reduzir os gastos e aumentar as receitas. Mas o estudo
faz um alerta para o clube carioca não reviver “O dia da marmota” –
alusão ao filme “Feitiço do Tempo”, em que a personagem de Bill
Murray passa a acordar sempre no mesmo dia. É preciso dar resultados em campo, algo
que a atual diretoria ainda não conseguiu.
Entre
os clubes que apresentaram evolução, o destaque é o São Paulo. A equipe
tricolor estava mergulhada em uma grande crise institucional desde 2014, algo
que fez com Carlos Miguel Aidar renunciasse à presidência em outubro do ano
passado.
Agora
o São Paulo vive uma situação melhor. Se antes caminhava para um ano
catastrófico, agora o estudo cita que a diretoria está “desativando a
bomba” ao adotar melhorias de gestão, com adiantamento de recursos e
empréstimos tomados, além da negociação de oito jogadores. Conclui que a equipe
está “sobrevivendo”.
Já o
Corinthians, atual campeão brasileiro, não navega em águas calmas. A avaliação
do Itaú BBA é que, como o clube tem de quitar o empréstimo pela construção da Arena
de Itaquera, está com menor poder financeiro, com riscos elevados de aumentar o
endividamento, fazer adiantamentos de contratos e aumentar as despesas.

CONFIRA
ABAIXO A AVALIAÇÃO DOS 20 CLUBES DA SÉRIE A
AMÉRICA-MG: “Encruzilhada”
Promovido
da Série B para a Série A no ano passado, a gestão do América-MG de 2015 foi
quase um reflexo do que ocorreu em 2014. Mas há um alerta: o clube verde-negro
vem operando acima da capacidade financeira.
O
retrato da equipe em 2015: 37% do aumento nas receitas, em parte impulsionado
pela renovação nos direitos de TV e venda de jogadores. Mas custos e despesas
também cresceram: 34%. A conclusão do estudo é:
“O
América apresentou desempenho econômico-financeiro em 2015 bastante parecido
com o de 2014. Ou seja, manutenção da operação com déficit que vem sendo
resolvido via aumento de Dívidas Tributárias e Bancárias.
O
clube não tem conseguido ajustar suas contas, operando sempre acima da
capacidade financeira.
O que
tem feito de positivo é aumentar investimentos nas Categorias de Base, além de
ter feito a venda de um terreno que deve gerar um bom caixa ao longo do tempo,
estimado em cerca de R$ 18 milhões. Isto deve aliviar as contas em algum
momento, mas é uma solução de médio prazo.
No
curto prazo deixa de ter uma fonte ruim mas recorrente que é o atraso de
Impostos. Ao aderir ao Profut terá que manter a casa em ordem. Desafio grande
para quem retornou à Serie A em 2016, e para se manter terá que investir.
Crescimento
de 37% nas Receitas Totais, impulsionado por Direitos de TV e Venda de Direitos
Econômicos. Na contramão, houve queda de Receitas com Publicidade, mesmo num
ano em que o clube conseguiu subir para a Série A, o que reflete o momento
difícil nesse segmento.”
ATLÉTICO-MG: “Ser ou não ser”
O
estudo aponta que o Atlético-MG teve um crescimento nas receitas: 37% em
relação a 2014. Isso foi potencializado pela renovação do contrato de direitos
de TV. O valor apresentado pelo Atlético (41% a mais em relação ao ano
anterior), no entanto, não é claro o suficiente para entender se inclui o
recebimento de luvas pela renovação contratual.
O
clube perdeu 30% de receitas com publicidade – reflexo da economia nacional -,
mas teve redução de custos e despesas (18%) e na folha de pagamento
“A
análise do Atlético MG é bastante complexa, pois envolve uma série de detalhes
que contribuem mais para confundir que para elucidar.
Por um
lado vemos crescimento de Receitas, mas parte amparada por Venda de Direitos
Econômicos, e parte por um incremento da Receita com TV que é incomum e não
conseguimos avaliar se será recorrente.
Na
mesma rota vimos uma gestão que cortou Custos e Despesas e reduziu
Investimentos, possibilitando aumento expressivo da Geração de Caixa.
Entretanto,
por conta da frágil condição financeira, que apresenta uma estrutura
descapitalizada e com elevado endividamento, as Despesas Financeiras do clube
são elevadíssimas, consumindo parte relevante da “economia” obtida
com as ações citadas acima.
Além
disso, vimos no início de 2016 o clube fazendo uma série de aquisições de
atletas que podem voltar a desequilibrar a geração de caixa.
Dessa
forma, entendemos que o Atlético MG precisa deixar sinais mais claros sobre
qual caminho pretende seguir: o da austeridade ou o do título a qualquer
custo.”
ATLÉTICO-PR: “No fio da navalha”
As
receitas de 2015 do Atlético-PR sofreram quase nenhuma alteração em relação ao
ano anterior, mas o estudo do Itaú BBA destaca que o clube é dependente da
venda de jogadores, sendo mais importante que a receita de TV (29% a 24%).
“O
desempenho de 2015 veio muito parecido com o de 2014 em termos de Receitas e
Custos. Mas muito apoiado em Receitas de menor previsibilidade.
A
situação parece sob controle, mas desconsiderar esta questão das Receitas com
Venda de Direitos Econômicos é um risco. Na prática, o clube se movimenta no
fio da navalha.
Além
disso, seguiu com uma política de investimentos em estrutura que é positiva no
longo prazo mas aperta o fluxo de caixa até chegar lá. E esse investimento, bem
como a reforma e conclusão da Arena da Baixada, foram financiados em boa parte
com Dívida Bancária.
Ou
seja, o clube que mantém uma situação equilibrada hoje pode se apertar a
qualquer momento, pois não trabalha com folga de caixa. Há que se atentar para
isso e buscar esse conforto para evitar situações delicadas.”
BOTAFOGO: “Como será o amanhã?”
Todas
as receitas do Botafogo caíram no ano passado, com exceção dos direitos de TV.
Isso se explica porque o clube estava na segunda divisão nacional. De positivo,
uma queda também nos custos e despesas (15%). Mas a situação do clube faz o
estudo questionar como será o futuro da equipe alvinegra.
“Responda
quem puder.
A
situação geral do Botafogo é muito complicada. Se por um lado há o esforço em
manter um equilíbrio entre Receitas e Custos, o que vem permitindo gerar um
caixa operacional, por outro isso enfraquece o clube, uma vez que lhe sobra
menos capacidade de investimento. Ao mesmo tempo as Dívidas são muito pesadas,
incompatíveis com a capacidade de pagamento, mesmo após adesão ao Profut.
Ou
seja, há um círculo vicioso em andamento, pelo qual o clube investe pouco, tem
desempenho esportivo fraco, isso gera menos receitas e essas receitas precisam
servir uma dívida monstruosa, o que faz com que sobre menos dinheiro para
investimentos, e isso enfraquece o clube…
Isto
significa jogar para cada vez menos torcida, de forma que o clube vai
encolhendo a cada ano.
Mas,
voltando a pergunta: o destino será como Deus quiser.”
CHAPECOENSE: “Exemplo para os
pares”
O
clube catarinense teve um crescimento de 34% das receitas em 2015, impulsionado
pelo contrato de direitos de TV. Contrariando muitos clubes, a Chapecoense
ainda teve crescimento nas receitas com publicidade. Por isso manteve a boa
avaliação.
“A
Chapecoense é daqueles clubes que sabe das suas limitações em termos de alcance
de torcida e Receitas. E faz um trabalho excepcional, considerando essas
limitações.
Equilibrado,
gastando apenas o que arrecada, consegue mobilizar a cidade e fazer boa Receita
com Bilheteria. Montando equipes competitivas, se mantém na Série A e obtém
Receitas mais consistentes da TV.
Gestão
consciente e cujo resultado se vê nos balanços e em campo.”
CORINTHIANS: “A conta do estádio
chegou”
Nem
mesmo o título do último Brasileiro ajudou as finanças do clube. O estudo
aponta que o clube precisou vender seus principais jogadores no início de 2016
para ajustar as finanças. E, mesmo com crescimento das receitas em 2015 (16% em
relação a 2014), a situação corintiana ainda requer atenção. Isso porque o
clube arca com o custo do novo estádio, o que está consumindo a maior parte dos
recursos.
Para
se ter ideia, a receita com TV representa 41% do total obtido pelo clube em
2015 – houve um crescimento de 12%. A venda de jogadores representa (26%) e a
arrecadação no estádio e com sócio-torcedor, 9,7%.
“Em
algum momento a conta do estádio chegaria. E de fato, ela já se apresentou. E
será mais dura a cada ano.
O clube
está abrindo mão de cerca de R$ 90 milhões* anuais em receitas de Bilheteria e
propriedades do estádio que estão sendo direcionadas para o pagamento das
dívidas de construção do estádio. Isto faz muita falta. Toda a folga
operacional que o clube mostrou em 2012 e 2013 foi perdida e a geração de caixa
caiu a níveis incompatíveis com o porte do clube. Para piorar a situação, a
partir de 2016 ocorrerão pagamentos mais significativos de principal e juros
dos financiamentos, que somam cerca de R$ 120 milhões anuais, conforme
divulgado pela imprensa. Ou seja, há um déficit potencial de cerca de R$ 30
milhões que precisam ser pagos pelo Clube.
O fato
é que com menor poder financeiro, há restrições de investimentos. Com a
necessidade de aumentar o endividamento e receber adiantamentos de TV para
fechar as contas, as Despesas Financeiras cresceram absurdamente e isso também
colabora para deteriorar ainda mais a situação.
Resultado:
o clube foi Campeão Brasileiro, a despeito disso. Mas teve que abrir mão de
grande parte do elenco no início de 2016 para restringir a saída de caixa, pois
nesse ano as contas do estádio causarão novos danos ao caixa do clube.
Mas
veja que os Investimentos em 2015 já foram bastante modestos e devem repetir a
dose em 2016 e enquanto durar o estoque de dívida do estádio.
A
situação não é nada confortável, e o clube precisa manter os pés no chão,
controlar ainda mais os gastos e contar com o incremento de Receitas da TV, que
terá crescimento em 2016, para fechar essa conta.
E
ainda terá que se manter disputando os campeonatos com chance de conquistas
para que sobre receita para pagar o Estádio. A vida não está fácil pelos lados
da Zona Leste de São Paulo.”
CORITIBA: “Chegando ao limite”
“O
Coritiba parece ter encontrado seu limite em termos de crescimento. Se
avaliarmos apenas as Receitas Recorrentes o clube praticamente repete seu
desempenho nos últimos 4 anos, mostrando que há pouco a fazer para sair desse
patamar.
O
desafio é conseguir manter os Custos e Despesas comportados, dentro da
capacidade do clube, e investir nas Categorias de Base para formar elenco
dentro de suas possibilidades e eventualmente vender Direitos de Atletas para
reforçar o caixa e a equipe.
Se
entender que esta é a realidade, pode ter vida longa na Série A.”
CRUZEIRO: “Alerta na Toca”
O time
celeste apresentou um crescimento de 30% das receitas em relação à temporada
2014. Mas, a exemplo do Atlético-MG, isso foi impulsionado pelo aumento nas
cifras obtidas com o novo contrato de direitos de TV (101%) – embora o clube
não esclareça se parte do acréscimo se deve ou não ao pagamento de luvas.
A
venda de atletas também impulsionou as receitas cruzeirenses. Aumentou de 179%
em relação ao ano anterior.
“O
Cruzeiro apresentou dados econômico-financeiros bastante conflitantes. No lado
das Receitas viu crescimentos que tendem a não se repetir, como Venda de
Direitos e o valor adicional da TV, ao mesmo tempo que perdeu muita Receita com
Bilheteria, que vinha sendo um destaque nos anos anteriores.
Por
conta das sobras investiu muito, supostamente atrasou Impostos e viu sua Dívida
Tributária, alongada no âmbito do Profut, crescer e esta passará a exigir mais
do clube.
Além
disso, as dívidas pesam nas Despesas Financeiras, que consomem montante
relevante de caixa do clube.
Ou
seja, não há clareza na longevidade das receitas e nem qual é a política de
investimentos do clube. As fontes externas de financiamento secaram, e então o
clube deveria colocar os pés no chão e se adequar a uma realidade de Receitas
que deve ser diferente da apresentada em 2015.
O
clube precisa mudar sua postura e fugir da zona de risco em que se coloca há
algum tempo.”
FIGUEIRENSE: “Nadando contra a
maré”
“Vimos
em 2015 um Figueirense um pouco diferente dos anos anteriores. Mais contido na
gestão de Custos e Despesas, investiu mais para ter um elenco reforçado e que
permitisse se manter na Série A.
O
desempenho em 2015 foi no limite, mas o objetivo foi alcançado.
O
clube não só precisa manter a boa postura de austeridade, mas reforça-la,
reduzindo investimentos, ajustando fluxo de caixa para evitar ter que recorrer
a fontes externas para recompor o caixa, como Adiantamentos e novos atrasos, o
que não será permitia no âmbito do Profut.
A
conferir.”
FLAMENGO: “Espelho, espelho meu”
Segundo
o estudo, o maior mérito do Flamengo é o equilíbrio entre receitas e despesas.
Também há equilíbrio entre as fontes geradoras de dinheiro para o clube.
Dos A
equipe faturou no último ano R$ 338,5 milhões, sendo que as fatias estão bem divididas
entre TV (38% do total), Publicidade (25%) e Bilheteria (22%).
O
clube ainda faz as despesas caírem, sendo que a folha de pagamentos
apresentou-se com níveis baixos pelo segundo ano consecutivo.
A
avaliação do Flamengo foi a melhor entre os 27 clubes analisados. Veja:
“Existe
alguém melhor gerido do que eu?
Financeiramente
a resposta é não. O clube mantém uma política de austeridade, gastando pouco
com Folha de Pagamento, maximizando as Receitas, pagando suas dívidas e
investindo sem onerar em demasia o clube. A cartilha está sendo seguida à risca
e com muita competência, e o trabalho mais significativo agora é pensar na
redução paulatina das Dívidas Bancárias, ainda elevadas.
Entretanto,
o desempenho esportivo está longe da unanimidade. Pelo menos para o
Flamenguista.
Um
fato importante é que o clube não deixou de investir. Em nossos cálculos foram
R$ 60 milhões entre 2014 e 2015. O que está faltando é montar um plano
estratégico, ter os profissionais certos e melhorar o desempenho coletivo.
Porque gestão profissional não se resume ao financeiro, e necessariamente
inclui o esportivo. Ambos andam lado-a-lado.

falamos isso no ano passado, e estamos repetindo agora. O clube precisa ter
atenção para que a cada publicação de balanços não deixe a sensação de estarmos
vivendo o “Dia da Marmota”.”
FLUMINENSE: “Mudança de hábito”
Assim
como Flamengo, o Fluminense tem equilíbrio entre as fontes de receita e
conseguiu no último ano um crescimento de 45% de receitas em relação a 2014.
A
situação, no entanto, não é tão positiva porque juntamente com o aumento das
receitas aumentaram também os custos e as despesas (50% de aumento).
“Desde
a saída do sponsor que mantinha boa parte do elenco, o Fluminense teve que se
ajustar à nova realidade. Até 2014 o trabalho vinha apresentando consistência,
com equilíbrio operacional e investimentos dentro das possibilidades. Porém, em
2015 o clube abriu a carteira e investiu pesado em elenco profissional. O
resultado foi aumento de Dívidas, necessidade de Adiantamentos e financiamento
de parte do investimento.
Considerando
uma visão estratégica de longo prazo esta não é a melhor forma de gerir um
clube. Coloca em risco receitas futuras, trabalha com Custos acima da
capacidade de geração de Receitas.
O
clube precisa voltar ao bom hábito da gestão austera, gastando o possível e
investindo ainda mais na Base. É preciso pensar no longo prazo.”
GRÊMIO: “Complicou, tchê!”
O time
tricolor é um dos que não navega em águas calmas. A única receita que não caiu
foi a relacionada aos direitos de TV. Ao menos as despesas continuaram iguais.
“O
Grêmio apresentou desempenho econômico-financeiro bastante ruim em 2015.”
Receitas
em queda, custos estáveis, investimentos, efeitos de dívidas operacionais que
precisaram ser ajustadas, aumento das dívidas bancárias. Ainda tem a questão da
Arena a ser solucionada, e passará a ter a pressão de pagamento das dívidas do
Profut.
Ou
seja, o que vimos em 2015 pode ser potencializado para os próximos anos, porque
as receitas não devem subir, exceto se o clube continuar a vender Direitos de
Atletas, enfraquecendo o elenco.
É
preciso equalizar a situação, reduzindo investimentos e custos, para que no
longo prazo o clube se mantenha forte, relevante, e não mero coadjuvante.”
INTERNACIONAL: “Colocando a casa em
ordem”
Com desequilíbrio
entre as fontes de receita, o clube colorado teve um crescimento de receitas
tímido em 2015: apenas 9%. Os direitos de TV representam a maior fonte dos
ganhos do time. Dos R$ 224 milhões faturados, 29% foram da TV.
“O
Internacional sempre foi um modelo de gestão, que pensava no longo prazo, com
bons números e desempenho equilibrado. Em 2014 o clube perdeu a mão, pensando
apenas em conquistas esportivas, sem olhar para a saúde financeira. Passada a
tempestade, o clube voltou aos trilhos em 2015, com alguma dor.
O
clube fez o dever de casa, conseguindo aumentar as receitas, reduzir custo e
investimentos, equacionar as dívidas tributárias. Ainda assim, boa parte dos
esforços serviu apenas para ajudar na correção da rota. Ainda falta ganhar tração.
Isto significa dizer que o clube precisa manter a postura austera para poder
voltar a ter força financeira e manter o time disputando títulos.”
PALMEIRAS: “Passado. Presente!
Futuro?”
O
estudo elogia a gestão do Palmeiras, mas com cautela. Afirma que o clube
encontrou durante a gestão Paulo Nobre uma gestão sólida, mas cita que ela se
deve a um patrocinador que paga um valor bastante acima do mercado (no caso a
Crefisa).
Por
isso faz um alerta para o futuro: a manutenção do cenário atual não é certa e
depende sobretudo do sucesso em campo. Além disso, a gestão Paulo Nobre termina
no final deste ano e há o risco de o próximo presidente não contar com os
mesmos parceiros.
“A
gestão de Presidente Paulo Nobre colocou ordem na casa em termos financeiros.
As dívidas estão equacionadas, a condição equilibrada trouxe investidores
publicitários e o novo estádio, em conjunto com um time reforçado, trouxe mais
Receitas.
Mas
nem tudo é tão simples.
Se a
Dívida Bancária está equacionada é porque o Presidente encontrou um modelo
seguro para o clube repagá-lo. Mas o crescimento das Receitas Publicitárias
está concentrado num único sponsor, Isto coloca em risco as Receitas caso haja
uma ruptura. No momento não parece uma realidade, mas ela sempre pode chegar. E
nesse caso o risco é maior, porque o valor pago está bastante acima da média de
mercado, conforme vimos no tópico sobre Receitas com Publicidade.
O
crescimento das Receitas com Bilheteria e Sócio Torcedor se deu em função do
novo estádio e de um time competitivo, montado a partir do crescimento de
Receitas e da condição financeira equilibrada deixada pelo Presidente. Mas esse
sucesso dependerá necessariamente de um bom desempenho esportivo da equipe,
porque torcedor mantém a chama acesa quando há resultado em campo.
Além
disso, a folga financeira obtida em 2015 tende a ser menor em 2016 por conta
dos salários e manutenção de um elenco tão grande.
Enfim,
o cenário hoje é positivo, mas sucesso passado não garante sucesso futuro. O
clube precisará se manter organizado, precisará encontrar o equilíbrio quando o
Presidente Paulo Nobre deixar o comando, para que este bom momento se mantenha
no longo prazo.”
PONTE PRETA: “Um ano de cada
vez”
“A
Ponte Preta mantém o perfil de clube de alcance regional, que trabalha um ano
de cada vez. Como não tem contrato de longo prazo com a TV e as demais Receitas
não são relevantes, dependendo muito da Venda de Direitos Econômicos para
aumentar o poderia financeiro, então o clube calibra seus gastos de acordo com
o momento.
Mas
deveria olhar mais para a Base, investindo mais na formação de atletas, que tem
custo mais compatível com sua condição financeira.
Difícil
a vida de um clube cuja luta é para permanecer na Série A.”
SANTA CRUZ: “Procurando se
encontrar”
“O
Santa Cruz em 2015 deve ser analisado sob duas óticas: i) esportivamente foi
muito bem, especialmente considerando sua capacidade de investimento, pois dos
clubes analisados é um dos menores orçamentos; ii) financeiramente foi bastante
complexo, pois a geração de caixa foi negativa, teve pressão de giro relevante,
muitas saídas de caixa e ainda teve que se apoiar em bancos para fechar suas
contas.
Vai
contar com o crescimento das Receitas de quem chega à Série A para organizar a
casa. Ou não, caso utilize o dinheiro apenas para reforçar elenco e tentar
permanecer na divisão de elite, o que não é recomendado se pensarmos em
estratégias de longo prazo.
Mais
um clube que tem a vida difícil de quem tem poder financeiro limitado.”
SANTOS: “Espiral negativa”
Entre
os grandes, o Santos é muito talvez o que teve o diagnóstico mais preocupante.
O clube arrecadou menos em 2015 (R$ 168 milhões) em relação a 2014 (R$ 170
milhões).
O
valor do último ano ainda deve-se as receitas com TV. Houve um aumento de 40%,
mas o estudo afirma que um possível motivo tenha sido o recebimento de luvas.
O lado
preocupante está relacionado a queda de receitas: 24% menos de publicidade e
76% menos em venda de direitos de atletas em relação a 2014.
“O
Santos precisa ligar o sinal de alerta urgentemente. São 4 anos seguidos de
queda nas Receitas e aumento de Custos e Despesas. Em 2015 o desempenho
econômico-financeiro só não foi pior porque houve um crescimento inesperado –
pelo menos sob o ponto de vista lógico – das Receitas com TV.
Apesar
disso ainda teve que lançar mão de atrasos de Impostos, possivelmente encargos,
e pagou valores elevados de Despesas Financeiras. Um clube nessa condição é
inviável no longo prazo, considerando que as Receitas que mantém o clube
relevante, como Publicidade e Bilheteria/Sócio Torcedor não apresentam volumes
significativos para servirem de base para uma guinada.
A
verdade é que o clube não soube viver sem Neymar, e todas as alternativas até
agora não surtiram efeito financeiro, a despeito de algum sucesso esportivo,
como a sequência de conquistas regionais, o vice-campeoanto da Copa do Brasil e
o bom desempenho no Brasileiro de 2015.
O
clube precisa usar ainda mais atletas da Base, precisa equacionar a relação
Receitas/Custos e precisa buscar novas estratégias para obter mais Receitas
sustentáveis.
O
Santos precisa urgentemente rever seus conceitos.”
SÃO PAULO: “Cortaram o fio
certo”
O
grande ponto da análise do São Paulo é que o clube conseguiu “desarmar a
bomba” ao modificar a gestão interna. Assim, amenizou os problemas
detectados pelo Itaú BBA no estudo anterior, no qual apontava uma possível
catástrofe.
“Quem
gosta de filmes e séries de ação já se deparou com a cena onde uma bomba está
prestes a explodir e o herói permanece claudicante em frente a dois fios,
decidindo qual deles cortar. Um deles desarma a bomba, mas o outro acelera a
explosão.
O São
Paulo esteve nessa situação em 2015. Alertamos que o clube estava prestes a
explodir. Felizmente as gestões entenderam isso e aplicaram, ainda que de forma
atabalhoada, soluções que permitiram cortar o fio correto.
Foram
vendidos 8 atletas que trouxeram um volume expressivo de receitas. O clube
lançou mão de alternativas heterodoxas, como atrasos de salários e encargos,
adiantou recursos de patrocinadores e investiu com dinheiro emprestado. Além
disso, apresentou programas de melhorias de gestão, contando com apoio de
torcedores ilustres.
Fato é
que sem esses movimentos o clube teria tido um ano ainda mais catastrófico. O
resultado foi ruim, com déficit, dívidas elevadas, pagamentos de mais de R$ 40
milhões em Despesas Financeiras, atrasos – situações incomuns na história do
clube – mas no episódio final, sobreviveu.
Entretanto,
ainda há muito a fazer. Algumas Receitas estão aquém da possibilidade do clube,
como a de Publicidade, assim como o Estádio já não gera tanto como no passado.
Em
2015 a Venda do Direito de Atletas salvou o clube, mas essa é uma receita
incerta. Há dívidas elevadas e caras.
O
clube começa 2016 ao menos respirando mais aliviado. Precisa agora implementar
medidas austeras para que transforme o filme de horror que foi 2015 numa ação
cujo final venha com títulos.”
SPORT: “Olhando para o futuro”
“O
Sport apresenta uma gestão organizada, controlada, que mantém as finanças
equilibradas.
2015
foi um bom ano nesse sentido, onde vimos a equipe reestruturar suas dívidas
tributárias, ao mesmo tempo que se utilizou de adiantamentos para reforçar seu
caixa e entrar em 2016 pronto para manter uma equipe competitiva mas dentro de
suas possibilidades.
É
importante que o clube mantenha os pés no chão e suba de patamar de forma
consistente.”
VITÓRIA: “Vitória de todos os
santos”
“Impressionante
a postura correta adotada pela gestão do Vitória em 2015. Ao cair para a Série
B e observar redução potencial de Receitas o clube agiu e reduziu mais que
proporcionalmente seus Custos e Despesas, adequando-os à realidade do ano.
Resultado
foi um desempenho econômico-financeiro equilibrado, com excepcional geração de
caixa, contas aparentemente em dia, e dinheiro em caixa para iniciar 2016 na
Série A com mais fôlego para buscar sustentabilidade de longo prazo na
principal divisão do País.
Comportamento
exemplar, incluindo a manutenção de investimentos em Base, que geram resultados
de longo prazo. Claramente um clube pensando no futuro.”
NA SÉRIE B
BAHIA: “Colocando a casa em
ordem”
“O
Bahia apresentou um comportamento bastante bom em 2015.
Operacionalmente
conseguiu aumentar suas Receitas, reduziu Custos e Despesas e assim gerou mais
caixa e de forma consistente. Fez investimentos corretos, liquidou dívidas,
aderiu ao Profut.
O desafio
agora é manter esta política de austeridade sem ter sucesso esportivo, uma vez
que segue no 2º ano jogando a Série B. Mas persistência e paciência andam junto
com processos de ajuste, pois o resultado aparece apenas no longo prazo. Um
clube saudável, equilibrado, tem mais chances de permanecer por mais tempo
disputando a Série A.”
VASCO: “Fogo na Colina”
“O
que esperar do Vasco da Gama?
O
clube retornou à Série A em 2015, apresentou aumento de Receitas, aumentou
gastos para montar um time supostamente compatível com a competição. Mas teve
que pagar contas do passado, investiu além das possibilidades e isto o levou
atrasar Impostos.
Encerrado
o ano o clube não conseguiu reduzir dívidas – ainda que tenha renegociado as
Fiscais via Profut – não reservou caixa, e acabou na Série B novamente. Para
piorar, parte das receitas de 2015 não deverão se repetir nos próximos anos,
seja porque a TV continha parte não recorrente, seja porque a Publicidade reduz
de valor ao jogar a Série B.

Desta
forma, fica cada vez mais distante de uma organização que permita ao clube
voltar a ser a potência esportiva de um passado cada vez mais distante. É
preciso por os pés no chão, reorganizar Custos e Despesas e aceitar a realidade
de que os voos serão mais baixos, porém mais seguros.”

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