sexta-feira, setembro 18, 2020
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Relação entre CBF e Liga Sul-Minas-Rio virou uma guerra.

RODRIGO
MATTOS – No dia 9 de outubro, a CBF dava chancela à Liga Sul-Minas, ou Primeira
Liga, pressionada por 12 clubes da Série A. No dia 19, a entidade cancela esse
aval e afirma que só federações podem aprovar o campeonato, provocando
rompimento com os clubes. O que aconteceu neste meio tempo? Foi a reação do
sistema da confederação contra um movimento que ameaça a sua existência.
A
diretoria da CBF dá duas explicações para sua mudança de posição: a demanda da
Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) para não aprovar a liga
e ofícios dos sindicatos dos atletas nacional e do Rio de Janeiro. Ambos
chegaram na sexta-feira à entidade logo após a diretoria da confederação fechar
em cinco datas a Sul-Minas para 2016.
Com
isso, na segunda-feira, Marco Polo Del Nero mandou representantes dizerem a
Alexandre Kalil, executivo da Liga, que só daria o aval ao torneio após assembleia
de federações. Sua diretoria argumenta que, sem isso, o campeonato poderia ser
questionado judicialmente.
Pelo
estatuto da CBF, a presidência da entidade, composta por Marco Polo Del Nero e
seus vices, tem a prerrogativa de aprovar o calendário nacional, assim como de
aprovar competições interestaduais. Ele precisaria de aval das federações para
filiar uma liga. Poderia, no entanto, assumir para si a Sul-Minas. As
federações ainda alegam que seus times só podem disputar torneios com seu aval.
Além
disso, a confederação argumentou ter recebido dois ofícios dos sindicatos
nacional de do Rio de Janeiro de atletas questionando os jogos com intervalos
menores do que 60 horas da liga, e impacto na pre-temporada. Esses sindicatos
têm se posicionado como aliados da CBF desde a criação do Bom Senso FC, que
reúne jogadores dos principais clubes do país.
O
intervalo de 60 horas, previsto no regulamento de competições, foi reduzido
recentemente pois era de 66 horas. É constantemente desrespeitado quando
jogadores vão servir à seleção, ou quando partidas encavalam no calendário
nacional. A atuação dos sindicatos nestes casos têm sido tímida.
A Liga
já tem advogados próprios para sustentar sua legalidade e a possibilidade de
disputar qualquer campeonato, com base na Lei Pelé. Sua ideia inicial, no
entanto, era obter o aval da confederação. Sem ele, pretendem enfrentar a CBF e
realizar o torneio de qualquer maneira. Haverá reunião na sexta-feira para
decidir os próximos passos.
Teoricamente,
a confederação pode ameaçar desfilar os clubes da Liga. Os clubes não acreditam
nesta possibilidade porque entendem que a CBF não terá força para impôr uma
medida dessa a pelo menos oito times populares, Flamengo, Fluminense,
Atlético-MG, Cruzeiro, Internacional, Grêmio, Atlético-PR e Coritiba. Resta
saber se todos se manterão juntos no movimento.
Antes
e depois de dar a chancela à Liga, Del Nero já manifestara a interlocutores seu
desagrado com a Sul-Minas. Oficialmente, tem afirmado que apoia a ideia para
não bater de frente com clubes. Mas as manobras do sistema da confederação são
para exterminar o movimento.

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