domingo, setembro 27, 2020
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Renato Abreu exalta o Flamengo: “É uma camisa diferenciada.”

Foto: Alexandre Vidal/Fla Imagem

GLOBO
ESPORTE
: Afastado dos gramados desde que deixou o Santos em 2013, Renato Abreu
está prestes a começar uma nova fase da sua vida. Acostumado a ser garçom dos
companheiros com belas jogadas dentro de campo, ele agora irá servir também
fora dele. É que o meia virou empresário e inaugura a pizzaria Elleven em breve.
Declaradamente amante de massas, ele escolheu o dia 11 de junho – mesmo número
de sua camisa e também nome da casa (em inglês e com um L a mais) – para a
inauguração do local, e conta que ter um empreendimento é um sonho antigo.
Animado com os últimos ajustes para começar a atender os clientes, ele conta
que até consegue enxergar algumas semelhanças entre o futebol e o novo ofício.

– Bati
o martelo de concretizar a pizzaria logo após a saída do Flamengo. Sabia que
seria outra vida, chegando ao fim da carreira, pensei em abrir um negócio
próprio também para dar prosseguimento às minhas coisas. Para mim (a
adrenalina), é como se fosse o futebol. É diferente do que eu estou acostumado
a fazer, mas eu gosto de desafios. Estou ansioso (para a inauguração) por ser
totalmente diferente do que eu vinha fazendo. Mas também vou trabalhar com o
público, com as críticas e vou ter o pessoal próximo como no futebol – analisa.
Além
dos pitacos no cardápio, Renato fez questão também de dar a sua cara para o
local. No restaurante, camisas dos quatro grandes times cariocas – incluindo a
que Romário usou no dia em que marcou o gol 998 da carreira – estão expostas.
Uma delas, no entanto, está marcada na história do meia e ele exibe com
orgulho.
– É a
camisa que usei na final do Campeonato Carioca de 2007, quando fomos campeões
em cima do Botafogo. Deu até pena de tirar do meu armário – revela.
Mas o
tema futebol na casa não se limita só a isso. Segundo ele, a ideia é tornar o
local agradável para assistir aos mais diversos esportes. Brincadeiras onde os
frequentadores poderão apostar qual time sairá vencedor serão feitas nos dias
de jogos, por exemplo. Além disso, Renato pretende também fazer uma coisa
diferente: incluir as cores do times que estão jogando nos ingredientes das
pizzas do dia.
Apesar
de já estar tocando a vida fora das quatro linhas, o meia diz que ainda não
aposentou as chuteiras. Aos 37 anos, o ex-jogador do Fla conta que continua
mantendo a forma – pesa hoje 87 kg, somente dois acima da época em que saiu do time
da Gávea – e que gostaria de viver um pouco mais do futebol.

Encerrar a carreira a gente nunca quer. Sei que uma hora vai ter que chegar e
me preparei muito bem para isso. O que tinha que fazer em relação ao campo,
fiz. Mas se puder fazer um pouquinho mais… (risos). Não me arrependo de nada.
Tudo que fiz foi com o maior carrinho, dedicação e, principalmente,
comprometimento. Vejo que ainda tenho condições de jogar, mas não estou
alucinado como um menino iniciando a carreira – explica.
Flamengo: saída turbulenta, papo com a
diretoria, gratidão e jogo de despedida
Em
2013, quando rescindiu contrato com o Fla, a relação entre o atleta e o clube
ficaram estremecidas. Isso porque o camisa 11 foi desligado através de um
comunicado no site oficial. Na época, a nota foi emitida antes mesmo do atleta
tomar conhecimento e até do distrato ser homologado. Após a saída, Renato moveu
processo contra o clube, pedindo indenização por danos morais por “sentir-se
humilhado”. O Fla, em contrapartida, respondeu na mesma moeda.
Em
junho do ano passado, porém, a briga teve fim. Ambas as partes abriram mão do
dano moral e o Fla pagou os R$2,5 mi que devia ao jogador. Hoje, Renato diz que
a história está no passado. “Apaixonado pelo Flamengo”, ele faz questão de
deixar claro o quanto é grato ao Rubro-Negro e acredita que o recente comando
da diretoria naquele ano pode ter atrapalhado na condução de seu desligamento.
– Não
tenho mágoa nenhuma. Tenho é uma gratidão imensa por tudo que o Flamengo me
proporcionou. Desde as vitórias até as derrotas, porque são nelas que a gente
acaba crescendo. A torcida do Flamengo sempre reconhece aquele jogador que, nas
dificuldades, dá o sangue. Em todas as vezes que o clube passou por
dificuldades, eu sempre tive esse respaldo da torcida. Minha saída do clube foi
realmente uma coisa assustadora. Não só para mim. Mas acredito que acabou
acontecendo pelo fato de serem pessoas que, na época, talvez não tivessem todo
o conhecimento que têm hoje. Acredito e li algumas vezes que houve
arrependimento, principalmente, por eu ter sido o que eu fui para o clube. Mas
vida que segue, a gente já se resolveu. Já conversei algumas vezes com o presidente,
com o Caetano – que hoje trabalha lá -, então não tenho porque ficar com mágoa.
Semana passada mesmo estive no Ninho – analisa.
Renato
também não rechaça a possibilidade de fazer um jogo de despedida com a camisa
rubro-negra, mas acredita que um evento como este deve ser feito a partir de um
convite do clube.
– Acho
que jogo de despedida fica mais por parte do clube, né? Acho mais elegante e
bonito que eles chamem. O atleta se dispõe, se coloca pelo futebol e pelo
clube, a vida toda. Nada mais justo que em um final de carreira ou em um
encerramento de contrato, o jogador ser presenteado por tudo que fez. Mas isso
não cabe a mim. Se um dia eu for gestor de um clube que tenha um jogador que é
identificado, com certeza faria a cabeça do meu presidente para uma despedida.
Confia
outros trechos da entrevista:
Você está afastado dos gramados desde
2013. Do que sente mais falta?
Do
convívio. De estar naquele ambiente que fez parte da minha vida por 16 anos. De
trocar ideia, de estar motivando os jogadores que estão desmotivados, passar a
experiência que eu vivi para os mais jovens, de bater na bola, de bater
falta…
Você ainda não decretou o fim da carreira,
mas o que pensa em fazer depois que isso acontecer?
Gostaria
muito de estar no meu ambiente de trabalho. É o que gosto e sei fazer melhor.
Desde a época que eu saí do Santos, venho me preparando para o momento de
encerrar a carreira. Fiz alguns cursos na área administrativa, que julgo a mais
complicada. Depois a gente passa a entender como é o lado fora. Ser técnico
acho que não passa pela cabeça nesse momento. Gostaria talvez de ser um
supervisor ou superintendente. Ou mesmo trabalhar como auxiliar fazendo a
ligação da base com o profissional. Estou tentando juntar as duas coisas quando
encerrar a carreira. Quero ser um ex-atleta, que entende essa parte do jogador,
e que pode trabalhar também nessa parte de gestão.
Você fala muito em trabalhar com a base.
Tem algum motivo especial?     
Eu
tive muita dificuldade quando mais novo. Minha dificuldade foi mais em ter base
para atuar, do que propriamente jogar. Pulei de um lado para o outro, nas bases
dos clubes, sem poder crescer. Vejo muito garoto despreparado, com uma ilusão
enorme sobre o futebol. Eles acabam mudando todo o conceito quando vão para o
profissional, mas tem que ser justamente o contrário. Tudo que ele viveu na
base, todo o processo de crescimento, foi graças ao trabalho. Então, não pode
chegar de uma maneira diferente no profissional. Foi uma coisa que eu fiz com
alguns jogadores que subiram na minha época de Fla. Falei com Negueba, Luiz
Antônio, Diego Maurício, Galhardo, Tomas… foi uma coisa que tentei passar
para eles. Acho que os ajudei até o momento em que eles estavam no clube. O
jogador fica muito perdido quando faz essa transição.
Recentemente o Flamengo passou por um
momento complicado, com saída de técnico e resultados negativos. Você tem
muitos anos de Flamengo. Como faz para superar um momento como esse?
Acho
que não adianta a pessoa entrar no Flamengo achando que a pressão é grande só
para ganhar título. A pressão é constante no Flamengo. Tanto do lado da
torcida, quanto da imprensa. É uma camisa diferenciada, que grandes jogadores
não conseguiram se identificar exatamente por essa pressão. O que fazer nesse
momento? Tem que mostrar para o torcedor que você está disposto a mudar. O que
o torcedor mais quer é isso. A mensagem que eles passam lá de cima é de ter
garra, vontade e não desistir nunca. É claro que é difícil. O futebol hoje está
cada vez mais competitivo, mais corrido, mais dinâmico. Mas quem está vestindo
a camisa do Flamengo tem que saber o que o clube representa para o Brasil e o
mundo. Eu, por exemplo, deixava de ouvir o preparador físico, mesmo sabendo do
risco que estava correndo, e treinava exaustivamente aquilo que eu tinha de
melhor: passe, lançamento, faltas e cobranças de pênalti. O Flamengo viveu uma
turbulência, mas são fases. A partir do momento que ganha e implanta um ritmo
vencedor, todo mundo com o mesmo pensamento, as coisas mudam.
Ainda falando em Flamengo, quais são suas
melhores lembranças?
Foram
vários momentos de alegria e também alguns de tristeza. O que fica mais na
memória é o jogo contra o Defensor. Eu estava com 39 de febre e o que talvez
tenha me tirado esse mal-estar foi olhar a torcida. Foi um jogo que, mesmo a
gente tendo perdido no primeiro confronto, conseguimos no segundo ganhar por 2
a 0. Fiz os dois gols e saímos aplaudidos pela torcida. Mesmo eliminado, a
gente foi reconhecido. Ser campeão carioca invicto também foi legal, ter levado
o Flamengo à Libertadores, ter livrar o Fla do rebaixamento em 2005… Esse,
inclusive, foi o meu momento pessoal mais marcante. Foi na minha chegada ao
clube. Acho que não dá para escolher um só (risos).
No Brasileiro, quais são as suas apostas
ao título?
Vejo poucos
clubes realmente preparados para ganhar o título. O Grêmio vem forte, pelo fato
de ser um time aguerrido, que briga constantemente pela bola e que tem muito
entrosamento.  Vejo também o Atlético-MG,
que nesses últimos anos conseguiu chegar à Libertadores, foi campeão, e tem uma
torcida que empurra o tempo todo. O Corinthians, que é normal de se pensar,
também é candidato. Mesmo com a saída de muitos jogadores, acho que a principal
arma do time está no banco. É o Tite, um treinador com quem trabalhei e que
conheço a maneira de motivar os jogadores. Qualquer um que entrar no
Corinthians hoje vai ter essa filosofia de vencedor. E o Flamengo, que é um
clube extremamente popular e grandioso. É aquela coisa mesmo de “se deixar
o Flamengo chegar é difícil de tirar”. Mesmo com algumas peças que não se
identificaram com o clube ainda, o time tem grande chance de chegar ao topo e
ser campeão. Lógico que também existem as surpresas do campeonato, como o Santa
Cruz, por exemplo. Mas esses são meus candidatos. Se não o titulo, acho que ao
menos a Libertadores algum deles garante.

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