domingo, setembro 27, 2020
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Revelado no Flamengo, Leandro é referência no basquete de rua.

Foto: Divulgação

GARRAFÃO
RUBRO-NEGRO
: A vida de Leandro Souza de Lima, o Discreto, mudou bastante de uns
tempos para cá. Revelado pelo Flamengo no time que tinha Olívia, Olivinha e
Oscar Schmidt, o jogador se viu obrigado a buscar novos horizontes e mergulhou
no universo do basquete de rua. O início não foi fácil, mas agora, aos 32 anos,
o reconhecimento começou a aparecer, mesmo que ainda timidamente.

Na
França, onde está disputando um torneio, Leandro conversou com a reportagem do
Garrafão Rubro-Negro e narrou a introdução da sua história.

Conheci o basquete através da minha mãe, que me colocou numa escolinha como
atividade de ócio, quando eu tinha quatorze anos. Aos dezoito, após muito
treino e ajuda dos grandes treinadores Jhen, Israel e Rafael, eu pisei no meu
primeiro clube de basquete, que me federou e me fez campeão estadual juvenil e
adulto, em 2002, e realizou meu sonho de moleque: vestir a camisa do Flamengo.
Além de tudo, tive a oportunidade de jogar e ser campeão ao lado de Oscar
Schmidt e Olívia, sob comando do Miguel Angelo da Luz. Nesse momento, minha
carreira despontou e muitas portas se abriram. Isso me deu confiança e força
para lutar pela minha profissionalização – externou.
As
dificuldades apareceram um pouco depois. Com pouca idade, ‘Discreto’ foi buscar
seu sonho, mas teve que passar por inúmeros obstáculos. Hoje, é bicampeão
brasileiro de basquete 1×1 e vice-campeão mundial. Ele aproveitou a ocasião e
contou como funciona a modalidade de rua.

Sempre lutei para ser um jogador de basquete, mas começar com 18 anos me
limitou muito. Nunca desisti e busquei de todas as maneiras possíveis. Foi aí
que veio o basquete de rua, e eu aprendi que quando se tem um sonho, é preciso
correr atrás dele. Joguei descalço, muitos clubes não me aceitaram, e eu
continuei treinando na rua, em busca de um reconhecimento que eu sabia que
chegaria. Pois bem, hoje sou bicampeão brasileiro 1×1, número 2 do mundo no
campeonato Fightball, bicampeão de basquete 3×3 na Itália e campeão brasileiro
de 4×4. Participei de uma turnê com os Harlem Globetrotters em onze cidades,
como Barcelona, Milão e San Francisco, e já tenho viagem confirmada para o dia
23 de agosto. O basquete de rua está realizando meus sonhos. Falando um pouco
da modalidade, em si, é considerado de rua todo basquete que não é federado. O
basquete de rua não é obrigado a atender regras e normas convencionais da
Federação, porém, está no 3×3 da FIBA e tem sua Federação própria, prêmios em
dinheiro, regras e ranking mundial. A principal característica é a variação de
jogo, que pode ser mostrada de diversas maneiras: 1×1, 2×2, 3×3, e por aí vai.
A habilidade do jogador aparece mais e ocorrem várias jogadas de efeito, como
dribles fenomenais e enterradas alucinantes. Com disciplina e dedicação, é
possível formar um campeão nas quadras das ruas – disse esperançoso.
Leandro
assumiu ser torcedor de berço do clube carioca, falou da experiência adquirida
e se declarou.

Jogar ao lado de lendas do basquete foi uma experiência que não sei descrever
bem. Imagina um jovem de dezoito anos, que ao pisar pela primeira vez em um
clube, se depara com Miguel Angelo, Olívia e Oscar? Não tem como falar nada.
Simplesmente, não consigo. Só posso agradecer a eles. Sou Flamengo de berço e
sempre vi o clube como extraordinário, tanto pela torcida, como pelos títulos.
Nunca imaginei que poderia defender a camisa rubro-negra. Lembro que fui muito
bem acolhido pelo André Guimarães e por Erly, Miguel e o Mineiro, que era o
roupeiro. Todos me aceitaram e me tornaram um campeão. Eu não sou só Flamengo,
eu era Flamengo antes de ir para Gávea e, depois de viver tudo que vivi, eu sou
ainda mais. Sou fiel de coração, rubro-negro de alma, corpo e emoção. O sentimento
que tenho pelo clube nunca vai morrer – admitiu.
No fim
da entrevista, o ex-ala-pivô comentou sobre o momento que o basquete brasileiro
atravessa e revelou suas próximas intenções.
– O
basquete no Brasil está evoluindo muito, a presença dos brasileiros na NBA é a
prova que nosso esporte engatou a marcha. Acho que falta incentivo dos
governantes. Os jovens talentos precisam de estrutura. Vivo na Espanha há
quatro anos e as oportunidades que tive aqui, não ia conseguir ter no meu país.
Espero que isso mude e a política acompanhe o crescimento do esporte. Meu
próximo objetivo é o Fightball, com prêmio de cem mil dólares para o campeão. O
basquete de rua ainda não tem patrocínio e nós, jogadores, temos que trabalhar
para pagar nossas inscrições e viagens. Se eu conquistar esse torneio, vou
concretizar um objetivo maior, que é viver do basquete e ter o reconhecimento
mundial – encerrou.

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