quinta-feira, outubro 1, 2020
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Rica Perrone cita diferenças da torcida do Flamengo.

Rica
Perrone – Tenho preguiça de viver quando preciso legendar, mas é necessario
quando trata-se de internet. Os rótulos a seguir generalizam massas, não
necessariamente dizem que “nenhum torcedor X” ou que “todo torcedor y” seja
assim. Ok? Combinado? Promete?

Torcedor
de futebol. Sujeito engraçado, completamente irracional, apaixonado e não
importa de onde ele venha, pra onde vá, sua personalidade se molda também
conforme o clube do coração.

Quando
rubro-negro o sujeito passa a valorizar a maioria. Adorar a favela, o povão, a
simplicidade e a correria. Quando tricolor logo fala em fidalguia, elite,
nível. E pouco importa se ele veio do Leblon ou do Vidigal. Ele vai se moldar a
isso. O palmeirense é mais exigente, fala alto, reclama. Claro, é italiano!
O
corintiano tem necessidade de fazer parte. É inadmissível na cabeça deles que o
time ganhe um jogo ou um campeonato sem que a torcida seja protagonista da
conquista. Algo que é absolutamente comum em Cruzeiro, São Paulo, Santos, por
exemplo.
São
perfis. E não ouse dizer que não sabe explicar, porque é fácil. Os clubes vem
de um passado recente, no máximo de 100 anos. Eles surgiram em classes sociais
diferentes, com objetivos políticos diferentes e portanto carregando pessoas
diferentes.
Vá ao
Maracanã num dia de jogo do Flamengo e num dia de jogo do Botafogo. São
esportes diferentes quase. Um vai lá pra ver a festa da torcida, pra ganhar de
véspera, pra ser “o maior do mundo”. O outro entra dizendo que “quase não foi”,
que a bola não vai entrar, que se bobear perde de novo.
Isso é
perfil. É a riqueza maior do nosso futebol. A diversidade de clubes e
características que não nos limitam a um cansativo Real x Barcelona por
exemplo.
Porque
isso? Porque domingo eu escrevi no twitter que a torcida do Flamengo era
diferente. E obviamente fui contestado pelas outras 20124 torcidas do país. O
ponto é que “ser diferente” não faz de ninguém melhor ou pior. Mas algumas
torcidas tem tempero, personalidade, outras nem tanto.
A do
Flamengo é megalomaníaca. Ela se olha. É bizarro. Eles se aplaudem, comemoram o
público pagante. São literalmente o ponto extra que o torcedor foi buscar no
estádio.
Estive
no mesmo Maracanã sábado, e é curioso como a torcida do Fluminense se
auto-critica internamente. Reclamam entre eles que os demais não vão com
facilidade. Mas em compensação se esforçam incrivelmente para que os fiéis 15
mil de toda semana façam algo maior ou mais surpreendente que os 50 mil do
rival.
E as
vezes fazem mesmo.
Eis a
graça.
Um
ainda vive dos gritos da organizada. O outro já acabou com elas. Em troca disso
um perdeu a característica brasileira, o outro renega a turminha argentina do
canto.
É
perfil. A mesma paixão, mas exposta de formas diferentes. Reações diferentes,
origens diferentes e ambientes diferentes.
O
Maracanã de domingo era outro estádio em relação a sábado. E o de domingo que
vem, com vascaínos, será outro totalmente diferente.
Porque
torcedor até é “tudo igual”. Mas torcidas, não.

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