sexta-feira, setembro 25, 2020
Início Notícias Rio tem três clubes entre os que mais dispensam técnicos.

Rio tem três clubes entre os que mais dispensam técnicos.

O
Globo – Há um campeonato paralelo ao Brasileiro, disputado ao longo da última
década — os dez anos em que o Brasileiro de pontos corridos chegou ao formato
de 20 clubes. O troféu não é motivo de orgulho: consagra a falta de
planejamento e a instabilidade na gestão do futebol. Nele, Atlético-PR, Vasco,
Flamengo e Figueirense formam o G-4, com o Fluminense lutando para (não)
entrar. São as equipes que trocaram de treinador com mais frequência na Série A
desde 2006, segundo levantamento feito pelo GLOBO.

O
estudo considera somente os treinadores que disputaram a Série A em, no mínimo,
cinco temporadas distintas, somando pelo menos 38 jogos. Em média, permanecer
na mesma equipe por duas edições completas do Brasileiro é tarefa quase
improvável de se cumprir. Mesmo raros exemplos de longevidade, como Tite,
Muricy Ramalho e Abel Braga, eventualmente são alcançados pelo ritmo galopante
das demissões.
Os
cinco maiores “trocadores”, três deles cariocas, são os recordistas da
dança das cadeiras que, neste primeiro turno, provocou 15 mudanças de técnicos
no Brasileiro até o início da 19ª rodada. O índice de trocas neste ano é alto,
mas já foi maior. Em 2006, primeiro ano dos pontos corridos com 20 clubes,
houve 19 mudanças de comando no 1º turno — média de uma por rodada, a mais alta
da década.
RECORDISTA DE TROCAS AINDA NÃO MUDOU NA
ATUAL EDIÇÃO
Alguns
clubes parecem aprender, pouco a pouco, a lição da estabilidade. O Atlético-PR,
recordista absoluto de trocas de treinadores (15), está com Milton Mendes desde
o início deste Brasileiro. Avaí, Atlético-MG, Chapecoense e Corinthians são as
outras equipes que não mudaram o comando até aqui.
Até
esta semana, o Figueirense era outro adepto da estabilidade. Apostava em Argel
Fucks há pouco mais de um ano, mas perdeu seu treinador na última quinta-feira
para o Internacional, que havia demitido o uruguaio Diego Aguirre. Por sinal,
não fosse esse câmbio, o Inter estaria no grupo dos cinco clubes mais estáveis
do Brasil para os treinadores.

Essa tendência de mudança de técnico existe porque não há renovação no quadro
de dirigentes — afirma Marcelo Medeiros, vice-presidente do Internacional nos
últimos quatro anos e derrotado na eleição de 2014 por Vitório Píffero, que já
havia sido presidente em 2007 — Se eu tivesse vencido, o Inter iria continuar
com o Abel (Braga). É preciso ter convicção no treinador.

Não tem estabilidade aqui no Brasil, nem em lugar nenhum. — resume Antônio
Lopes, vice-líder no ranking dos técnicos que mais foram trocados na Série A
(12 vezes). — O ideal era que isso mudasse, que os treinadores tivessem tempo
para trabalhar. Quem começa a perder é demitido.
DE TÉCNICO A GESTOR, MENTALIDADE NÃO
MUDA
Lopes
mudou de clube nove vezes entre 2006 e 2011, ano de seu último trabalho como
treinador, no Atlético-PR. Como gestor, porém, sua filosofia não parece
diferente da que guiava seus patrões. Foi diretor de futebol por um ano e meio
no Atlético-PR, período em que o clube teve quatro técnicos no Brasileiro.
Hoje, Lopes é gerente de futebol do Botafogo, que trocou René Simões por
Ricardo Gomes no momento em que ainda ocupava a liderança da Série B.
O
alvinegro é o único carioca fora do grupo que mais troca de treinadores. De
2010 a 2014, ano em que foi rebaixado, começou e terminou o campeonato sem
mexer no comando — o ponto fora da curva é 2011, quando Caio Júnior foi
demitido em novembro e Flavio Tênius assumiu interinamente nas últimas três
rodadas. Na série A, nos últimos dez anos, foram apenas sete trocas.
Oswaldo
de Oliveira, que ficou duas temporadas seguidas à frente do Botafogo e está sem
clube, estaria no top 10 dos treinadores que mais duram no cargo, não fosse a
demissão do Palmeiras no início de junho. Seu irmão, Waldemar Lemos, também sem
clube, encabeça o ranking inverso: é quem menos dura numa equipe, com apenas 10
jogos em média.
— A
estabilidade está vinculada à capacidade de trabalho — diz Romildo Bolzan Jr,
presidente do Grêmio, que trocou Felipão por Roger Machado na terceira rodada.
— Agora, com Roger, avançamos em uma coisa: toda a comissão técnica foi formada
dentro do clube. No Grêmio, os últimos bem sucedidos são os que conhecem bem a
cultura gaúcha, como Felipão, Tite e Mano Menezes.

MAIS LIDOS

Conmebol nega pedido do Fla para inscrever mais dez atletas na Libertadores

O Flamengo sofre com o surto de contaminação pelo novo coronavírus instalado no clube. 16 jogadores pegaram Covid-19 nos últimos dias e a equipe...

Jair Ventura pede atacante do Flamengo pagando 100% do salário

O Flamengo possui um dos times mais qualificados do futebol sul-americano. Com tamanha qualidade técnica, é certo que muitos jovens atletas não terão a...

Cada um pensando em seu próprio umbigo

Muito do que tem acontecido nas últimas horas no futebol brasileiro serve para reforçar algo que já é histórico em relação a nossos dirigentes:...

Dirigente espera poder contar com atletas infectados na quarta

O Flamengo está passando por um surto de covid-19 em seu elenco. Ao todo, são 23 casos, inclusive entre comissão técnica e dirigentes. O...