segunda-feira, setembro 28, 2020
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Rodrigo Goes conta porque deixou Flamengo para fazer ortopedia.

Felipe Fittipaldi/Veja Rio

VEJA: Dos
4 aos 18 anos, Rodrigo Goes jogou futebol nas categorias de base de alguns dos
principais times do Rio, como Flamengo e Fluminense. Ao passar no vestibular,
ele trocou os campos pela medicina. Formou-se em ortopedia, buscou
especialização em lesões relacionadas ao esporte, e não demorou para retornar
aos gramados. Durante onze anos, foi médico do Fluminense, de onde saiu em
2012.

“Sou
um atleta frustrado”, brinca Goes, que hoje se divide entre seus consultórios,
no Rio e em Niterói, e presta serviço ao Comitê Olímpico Brasileiro. O médico
ainda encontra tempo para atender gratuitamente os atletas do Instituto Reação,
criado pelo judoca Flávio Canto para impulsionar a entrada de jovens de
comunidades carentes como Rocinha e Cidade de Deus no tatame.
“Há espaço
a todo momento para fazer o bem”, acredita o voluntário, que participa do
projeto há cinco anos.
“Nem
sempre oferecer dinheiro é a melhor opção. Eu dou o que sei fazer de melhor, no
caso as cirurgias que realizo”, diz ele.
Esse,
entretanto, não é o primeiro trabalho social de Goes. Ele já consultava, também
gratuitamente, os atletas do Niterói Vôlei e do Niterói Rugby quando achou que
poderia fazer o mesmo em um projeto maior. Procurou Canto, em 2012, e se
ofereceu para ajudar.
 “Eu nem o conhecia, mas sabia que o instituto
era sério”, explica o médico. Desde então, Goes recebe os judocas em seu
consultório e, quando necessário, os opera.
“Já
fizemos 27 cirurgias, um número expressivo se levarmos em conta que, em um time
de futebol, são feitas duas, no máximo, por ano”, afirma o ortopedista, cuja
equipe o acompanha na ação.
“Há
muito trabalho para a gente ganhar dinheiro. Para o pessoal do Reação, é
cortesia. E todo mundo participa numa boa, do anestesista ao instrumentador”,
revela. Em breve, os atletas poderão contar também com a estrutura do Instituto
Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), em São Cristóvão. Com outros
quatro médicos, Goes conseguiu permissão do Ministério da Saúde para levantar o
Centro de Tratamento de Lesões do Esporte, que deve ser inaugurado ainda neste
semestre.
“Queremos
cooperar com times da segunda divisão, da categoria de base. Aliás, o que me
move para poder dormir tranquilo e em paz é a vontade de ajudar.”

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