domingo, setembro 27, 2020
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Ronald Ramon credita boa fase no Flamengo aos companheiros.

Foto: Luiz Pires / LNB

GLOBO
ESPORTE
: Após o fim das atividades da equipe de Limeira, em setembro do ano
passado, Ronald Ramon recebeu algumas sondagens, flertou com o Paulistano, mas
não chegou a um acordo com nenhum outro clube. A vontade de ficar no Brasil era
grande, mas acabou esbarrando na crise econômica do país e, consequentemente,
na falta de clubes que pudessem pagar um salário compatível ao seu talento. Sem
muitas perspectivas de disputar sua sexta temporada em solo brasileiro, o
dominicano juntou suas coisas e arrumou as malas para tentar a sorte em outro
canto. Até que surgiu o Flamengo quase no estouro do cronômetro. Sem Nico
Laprovittola e Vitor Benite, que trocaram a Gávea pelo basquete europeu, o
titular da seleção dominicana parecia o reforço ideal. E foi, principalmente no
quarto jogo da série semifinal contra o Mogi, que manteve os atuais tricampeões
vivos na competição.

Mas os
números de Ramon não se resumem apenas àquela partida. Os 27 pontos anotados e
as sete bolas de três podem até terem sido os mais importante do dominicano com
a camisa rubro-negra, mas não os únicos que ajudaram o clube carioca a ficar
mais próximo de seu quinto título da competição, o quarto consecutivo.
A
ascensão do dominicano é gritante. Se nos 13 jogos que disputou pela fase de
classificação o armador somou médias de apenas 4.8 pontos, 1.8 rebotes e 1,9
assistências, nas nove vezes que entrou em quadra na pós-temporada ele
contribuiu com 9.8 pontos, 2.0 rebotes e 2.7 assistências por partida. Mas nada
disso parece importar para Ronald Ramon. Com um português quase perfeito e a
fala mansa de um cidadão tímido, o camisa 10 prefere dividir os louros pelas
suas últimas atuações com seus companheiros.
– Na verdade
é o momento do time e não apenas meu. Eles me receberam muito bem no começo,
mas teve um período de adaptação. Hoje vemos todo jogador diferente se
destacando e tendo o seu momento a cada jogo. Acho que isso é o melhor da nossa
equipe, e no dia que alguém se destaca nós procuramos sempre esse jogador
durante a partida – analisou o ala-armador de 30 anos.
O
momento é tão bom, nem o fato de ter que atuar como principal armador (número
1) muitas vezes durante os jogos parece incomodar o jogador. Pelo contrário,
Ramon lembra que sempre atuou assim no começo da carreira ou na seleção da
República Dominicana. Feliz por ter ajudado a equipe a chegar à sua quarta
decisão consecutiva, o camisa 10 acredita que a equipe vive seu ápice na
competição.
– Acho
que sim. Os dois primeiros jogos da série contra Mogi foram de adaptação porque
não estávamos jogando com nossos pivôs e isso fez a diferença. Deu para
perceber que não estávamos passando a bola para eles e fazendo as trocas que
estamos acostumados. Mas depois deu certo. Vimos o que fizemos de errado,
corrigimos e voltamos a fazer nosso jogo – afirmou.
Mais
do que a cochilada no final do primeiro jogo da decisão contra Bauru, quando a
diferença que chegou a ser de 11 pontos caiu para apenas dois, a pouco mais de
um minuto do estouro do cronômetro, Ramon alerta para que a vantagem construída
fora de casa não tire o foco do grupo para o jogo desta quinta-feira, para às
17h, na Arerna Carioca 2, na Barra da Tijuca. A partida terá transmissão ao
vivo do SporTV e cobertura em tempo real do GloboEsporte.com.

Quando enfrentamos um time bom e que não vai desistir na partida, é normal de
acontecer isso. Qualquer playoff que chega numa semifinal ou final, mesmo na
NBA, muitas vezes um time abre 15 pontos e o outro volta no jogo em função de
sua competência e qualidade. Na verdade estamos disputando uma série e não
apenas um jogo. Demos um passo grande lá em Bauru, mas sabemos que não ganhamos
nada. Temos que manter esse mesmo foco, pois sabemos que Bauru vai voltar mais
forte ainda. Ele vão assistir os vídeos, ver o que erraram e voltar para fazer
o jogo deles. Temos que estar preparados para tudo – alertou o camisa 10 do
Flamengo, que não esconde o desejo de permanecer na Gávea.

Lógico que quero ficar. Estou gostando muito do time, de tudo e minha vontade é
ficar. Fui muito bem recebido por todos e vamos esperar acabar o campeonato
para falar sobre isso.

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