sábado, setembro 19, 2020
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Ronald Ramon tenta coroar temporada após início conturbado.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

LANCE:
Em uma rivalidade com caras conhecidas, o dominicano Ronald Ramon, do Flamengo,
e o brasileiro Paulinho Boracini, do Bauru, levam um ar de novidade à final do
NBB. O jogo 4 acontece neste sábado, às 14h10, no Ginásio Neusa Galetti, em
Marília (SP). Com 2 a 1 de vantagem, o Rubro-Negro está a um triunfo do
pentacampeonato, sendo o tetra seguido.

Os
alas-armadores, que disputam pela primeira vez a decisão, já foram cestinhas de
suas equipes em pelo menos uma das três partidas da melhor de cinco. Boracini
anotou 17 pontos no segundo duelo, vencido pelo time paulista, no Rio de
Janeiro. Já Ramon marcou 21 e comandou a vitória rubro-negra no terceiro jogo.
E não
é só isso que os aproxima. Ambos viveram um período de desconfiança sobre seus
desempenhos antes de alcançarem status de referência na busca pela almejada
taça do torneio nacional.
Ramon,
de 30 anos, chegou ao Fla em janeiro, com o campeonato iniciado. A diretoria
esperou até o limite das inscrições para assinar o contrato, por economia de
despesas.
Após
cinco anos no Limeira e com boas atuações pela República Dominicana, que
chamaram a atenção do técnico José Neto, o jogador viveu altos e baixos na
primeira fase, com média 4,8 pontos por jogo. Nos playoffs, a marca melhorou
para 8,6.
– A
equipe abriu os braços para mim. Cheguei no meio da temporada, e é difícil
entrar em um time formado, que já tinha título carioca. O que facilitou foi a
forma como me receberam. Sinto como se eu jogasse aqui há anos – contou Ramon,
que tem a confiança do comandante rubro-negro.
– Ele
se encaixou muito bem em um setor onde tínhamos uma carência. Foi uma boa
aposta. Chegou por último ao elenco, mas já estava no Brasil havia um bom tempo
e conhecia o basquete brasileiro. Ronald contribuiu para chegarmos aqui – disse
Neto, auxiliar do argentino Rubén Magnano na Seleção.
Aos 31
anos, Boracini teve ajuda da sorte. Após Ricardo Fischer romper o ligamento
cruzado anterior do joelho direito, em março, o atleta, que vinha de
recuperação de um edema ósseo no joelho esquerdo, ganhou a melhor oportunidade
com a camisa desde que chegou, em 2015.
– O
grupo me aceitou desde o começo. Pude desenvolver melhor o meu jogo e ser mais
agressivo nos playoffs, com a titularidade – falou Boracini, que tem o
ex-atleta americano Allen Iverson como um ícone.

Mesmo quando jogo mal, o pessoal me dá força para não abaixar a cabeça. Sem
dúvida (Bauru) é a melhor equipe que já joguei, com jogadores mais
credenciados, mais títulos e passagens pela Seleção e NBA – completou.
Se
Bauru vencer, o título no NBB só será decidido no quinto jogo, no dia 11/4, na
Arena Carioca 2, no Rio de Janeiro.
BATE-BOLA
Paulinho Boracini – Ala-armador, ao LANCE!
LANCE!: Como o time lida com a desvantagem
de 2 a 1 na série decisiva?
Paulinho
Boracini: Ficamos apreensivos. Chegou a hora de ganhar ou ganhar. Queríamos
estar na frente. Fizemos um terceiro jogo meio apático, mas mostramos que, em
cinco minutos, conseguimos tirar uma boa diferença pela segunda vez. Temos
totais condições de, aqui em Marília, jogar um basquete mais agressivo, com uma
defesa mais forte e conseguir levar a série para o Rio de Janeiro sábado.
L!: Que avaliação faz do seu desempenho
nesta temporada?
P.B.:
Eu vinha na troca do Fischer, então saí um pouco da minha característica de
puxar o jogo. Acho que eu soube fazer bem meu novo papel na fase regular. Nas
finais, ataquei mais no jogo 2.
L!: Em quem mais se inspira no esporte?
P.B.:
Allen Iverson, até por que eu comecei a jogar basquete lá pelos anos 2000. Ele
estava no auge. Era o baixinho MVP que fazia muitos pontos, então me inspirei
nele. Steve Nash é outra. No Brasil, gostava muito fo Valtinho. Tentava vê-lo
jogar para aprender.
BATE-BOLA
Ronald Ramon – Ala-armador, ao LANCE!
LANCE!: Que avaliação faz de seu
desempenho no Flamengo neste NBB?
Ronald
Ramon: No jeito que o time joga eu procurei me encaixar. Temos dez que farão o
seu trabalho. Cada jogo é diferente. Se for ver, sempre há um que se destaca. É
algo bom. Não significa que não joguei bem este ou aquele jogo, mas que estamos
fechados como grupo.
L!: Você deixou Santo Domingo para morar
nos EUA. Como foi isso?
R.R.:
Fui quando tinha nove anos, com meu pai. Frequentei a escola lá. Morei a maior
parte do tempo em Nova York. Depois, me mudei para Pittsburgh, onde fiz a
universidade e tenho casa.
L!: Quais são seus maiores planos na
carreira hoje?
R.R.:
Agora, eu almejo um pouco de tudo. São seis anos na seleção do meu país, e se
estou aqui no Flamengo hoje, é resultado da minha trajetória. Tive uma história
no basquete em que não tiro nada. Só acrescentaria algumas conquistas. Hoje,
quero ganhar o NBB. Queria vencer a Liga das Américas pelo Flamengo, o que não
deu, mas agora temos a chance de um título que seria muito bom para minha
carreira.

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