Ronaldinho: Um bom vendedor, garantem os ex-clubes.

Por: Fla hoje

Carlos
Eduardo Mansur – Carisma, capacidade de promover um clube e colocá-lo no
mapa-múndi do futebol. Até que o tempo desgastasse uma relação “boa enquanto
durou”. O balanço é comum às passagens mais recentes de Ronaldinho Gaúcho, pelo
menos na visão de quem gerenciou o astro. Ainda que o desempenho esportivo seja
determinante numa visão de sucesso ou fracasso do astro no Fluminense, há uma
convicção que persiste nos locais por onde passou: ele é um ativo a explorar. E
com potencial. Tanto que o clube planeja ter uma agência para cuidar de sua
nova aquisição. (A África foi contratada)

A
decisão parece um passo adiante. As experiências anteriores de Ronaldinho no
Brasil esbarraram em departamentos de marketing desestruturados ou projetos que
fizeram água por má gestão. No Flamengo, ao parceiro responsável por pagar
parte dos salários foi oferecida uma propriedade que, simplesmente, já tinha
dono: o projeto de sócio-torcedor. O Atlético-MG fechara, anos antes, seu setor
de marketing para cortar gastos. Os clubes dizem ter boas recordações e
reconhecem o potencial do craque. No entanto, no cenário em que viviam,
registram ganhos mais intangíveis do que financeiros: estádios cheios, boas
atuações, visibilidade e atração de novos torcedores. Mas têm poucos números
para medir o efeito Ronaldinho.

Quando ele chegou, não vendia um par de meia. Depois, vendeu. Ganhou Mineiro,
Libertadores… Tem que ter é camisa dele na loja, produto licenciado. Não
precisa de 20 pessoas para cuidar disso — diz o ex-presidente do Atlético-MG
Alexandre Kalil, que, para cortar gastos, extinguira o marketing do clube
quatro anos antes de receber o craque. — Em cinco anos, a arrecadação do
Atlético cresceu 350%. Ele ajudou, não sei quanto. Mas e o tanto de menino que
virou Atlético? Ele virou a história do clube. Ronaldo é um negócio que não
tinha ideia. E o Fluminense não tem. Por causa dele, jogamos na China. Nunca vi
um cara parar a China. Na Venezuela, passavam por cima do exército do Hugo
Chavez! Se fizer o que fez no Galo, em um ano o Fluminense é mais conhecido no
exterior do que o Flamengo.
O
Atlético-MG pulou de 5 mil para 31 mil sócios. A lua de mel acabou quando o
nível de atuações caiu junto com a forma física. Os rumores de indisciplina
cresceram. Veio a ruptura. Mas Kalil não o trata como jogador problema.

Levir tirava ele toda hora. Ficou um negócio de treinador contra jogador.
Ronaldo disse: “presidente, vamos sair bacana?” Foi o melhor, saiu como ídolo —
diz Kalil.
A
sensação de desgaste se repetiu no México. Atraso na apresentação para a pré-temporada,
abandono do estádio após uma substituição no primeiro tempo e má relação com o
técnico Victor Manuel Vucetich. De novo, surgiam rumores de festas em meio ao
declínio físico. Antes, deu ao Querétaro o que o clube pretendia.
— Foi
muito especial. Ele nos tornou conhecidos no mundo. Pela primeira vez, jogamos
partidas internacionais: dois jogos nos Estados Unidos. Fomos à final do
campeonato pela primeira vez. Os donos do clube também tiraram partido de sua
imagem — contou ao GLOBO o presidente esportivo do Querétaro, Joaquin Beltrán.
Além
de fazer publicidades para uma rede de hotéis, um banco e um hospital, todos
dos donos do clube, Ronaldinho lotou estádios e atraiu atenção para a liga
mexicana. Ficou a sensação de que, como um todo, o campeonato tirou partido da
passagem do astro.
— Os
jogadores não acreditavam que estavam jogando com ele. Foi especial por muitas
razões. Num balanço, foi importante, exibiu seu futebol com grande qualidade.
Mas em outra etapa a forma física não era a ideal. Situações extracampo não
correram bem e ficou a sensação de que ele poderia agregar mais. Até que
Ronaldinho quis novos horizontes e tudo terminou bem — disse.
Para o
consultor de marketing esportivo Amir Somoggi, Ronaldinho tem carisma e
potencial para ser um grande produto de marketing. No entanto, em suas
passagens mais recentes por clubes brasileiros não se revelou um grande
“vendedor”.
— Ele
tem um carisma incrível, mas perdeu o rumo fora de campo, construiu uma fama de
jogador adepto de noitadas. Sua saída do Flamengo foi horrorosa. Mas pode dar
muito resultado, ainda. Claro que o aspecto esportivo influi. No Atlético, o
início foi muito ruim. Depois, chegou a faltar camisa em lojas — avaliou
Somoggi. — Claro que falhas estruturais dos clubes também influenciaram para
explorar o potencial. Com um marketing mais estruturado, pode funcionar.

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