Rubens Lopes admite desculpas ao Presidente do Flamengo.

Por: Fla hoje

Foto: Marluci Martins

MARLUCI
MARTINS
: A bola do Campeonato Estadual começa a rolar na quarta-feira, por
enquanto entre os clubes pequenos. Um problema, com gosto de derrota, já une
torcedor e cartolas: a falta do Maracanã, em estado deplorável. O presidente da
Federação de Futebol do Rio, Rubens Lopes, critica a situação do estádio e
promete convocar os clubes para tentar viabilizá-lo em algum momento da
competição.

O Rio tem estádios suficientes para a
disputa do Estadual?
Teremos
seis estádios na primeira fase. Nesse primeiro momento, vetei a utilização dos
campos de Boavista, Bangu, Madureira e Volta Redonda. Vamos preservá-los para a
fase principal, para que estejam em excelentes condições. É uma perda grande
não podermos usar o estádio da Portuguesa, em obra. Seria um ótimo estádio até
para os times grandes.
A dificuldade com estádios não será
problema?
Não
será problema até a página 3. Até a letra M (risos)… Aí vira problema. Vasco
x Fluminense, marcado pra o dia 29 (já transferido para o Nílton Santos)… No
Maracanã, nem com uma força-tarefa. Só se existisse uma ‘Jeannie é um gênio’ .
Está deplorável. A gente não tem tempo para isso. Para o futebol carioca, a
pior coisa que já aconteceu foi a Copa do Mundo. Tiraram o Maracanã do carioca
por três anos. Depois, colocaram o estádio com um custo extremamente elevado. E
agora estamos nessa situação de hoje: um estádio sem condição de uso.
Que prejuízo a falta do Maracanã traz para
o Estadual?
Média
de público e, consequentemente, arrecadação. O prejuízo é de bilheteria. De
resto, não influencia em nada.
Qual é a sua expectativa em relação à
média de público do Estadual?
Com o
Maracanã, a expectativa é maior. Sem ele, será uma incógnita. Mas deve ser
melhor do que a do ano passado, por um motivo simples: os clubes ganharam mais
recursos em função de um bom contrato de televisão e investem mais na formação
de suas equipes. Tanto que temos três treinadores de destaque nos times
considerados pequenos: Joel Santana no Boavista, PC Gusmão no Madureira e René
Simões no Macaé. Esse fator atrai. O torcedor quer espetáculo. Loco Abreu, no
Bangu, é uma estrela… Se eu for jogar, ninguém vai querer ver.
Está otimista, apesar do estado do
Maracanã?
Estou
animado. Mas se houvesse Maracanã, eu não teria dúvida de que seria tudo muito
bom. Houve outro problema… Essa ventania que estragou a cobertura do Giulite
Coutinho, que seria usado pelo Fluminense. O Moacyrzão também está vetado por
problemas na cobertura. E não sabemos se o estádio será uma prioridade no
orçamento da prefeitura (de Macaé).
Algum jogo do Estadual pode ser disputado
fora do Rio?
O
regulamento prevê essa possibilidade, nas fases classificatórias. O ideal é que
isso não aconteça. Eu acho péssimo. Mas, que argumento eu tenho? Ainda vou
congregar todos os clubes. Vamos tentar fazer esse Maracanã funcionar. Teria
que haver entendimento do poder público… Poderiam não cobrar a luz… O
Maracanã não é unitário. É plural. No próximo arbitral, provavelmente no dia
16, vou lançar essa pauta.
O senhor acredita na união dos clubes?
Quem sentaria à direita das cabines de rádio? Vasco ou Fluminense (risos)?
É mais
fácil você me perguntar qual é o CPF do Caramuru… Eles vão ter que se
entender (risos).
Considera atraente a fórmula atual, com
seis clubes pequenos brigando por duas vagas na Taça Guanabara?
O
Estadual fica mais competitivo, menos previsível.
Continua a se opor à Liga?
A
Liga, desportivamente, não existe. É uma personalidade jurídica na qual seus
confrades jogam amistosos entre si e distribuem medalhas e troféus. Não faz
parte do calendário.
O Fluminense estreia na Liga no dia 24 e,
cinco dias depois, no Estadual. Há um desgaste?
O
Fluminense, na verdade, vai jogar um amistoso. Se quiser fazer um amistoso com
o Qatar, que faça. Se quiser chamar esse amistoso de Copa do Rei, que chame. Há
que se avaliar a Liga. O que não pode é ela ser um elemento para fins políticos
e predatórios para competir com o Estadual.
Onde o senhor detecta o fator político?
A
partir do momento em que foi dito “o Campeonato Estadual tem que acabar,
vamos fazer a Liga”. A Copa do Nordeste convive com todos os campeonatos
de forma harmônica. Aqui essas coisas são tentativas de revolução, de golpe.
Fluminense e Flamengo são golpistas
(risos)?
Fluminense
e Flamengo não estavam sozinhos nesse processo…
Sua relação com o Peter Siemsen, que
deixou o Fluminense, e o Bandeira de Mello, que continua no Flamengo, melhorou?
Ele estava processando o senhor…
Peter
sempre teve bom trânsito aqui. De uma hora para outra, houve divergências. Com
o Bandeira houve uma suposta confusão superestimada. Quebramos o retrovisor.
Vamos olhar para a frente. Quanto ao processo, entramos em um acordo. Eu me
desculpei pelos excessos que posso ter cometido.
Quanto custará o ingresso do Estadual?
A
primeira fase vai variar de R$ 10 a R$ 40. A segunda, entre R$ 20 e R$ 120.
Alguma inovação em relação à arbitragem?
A
comissão de arbitragem criou um grupo, o GGP, Grupo de Gerenciamento de
Problemas. Após a rodada, havendo problemas em relação à decisão da arbitragem,
esse grupo se reunirá para analisar tecnicamente e dar um parecer a todos sobre
sua conclusão. O trio de arbitragem estará presente. Se for preciso, fará uma
reciclagem.
Como o senhor avalia a situação do Rio de
Janeiro? Não temos o Maracanã, o estado deve ao servidor, o ex-governador está
preso… Por sinal, há na recepção do prédio uma placa de inauguração desta
sede, com o nome do Sérgio Cabral.
O
impacto é muito ruim. Não há como não sentir tristeza. Os réus ainda têm
direito a defesa, por mais que se diga que existem provas. Quando acontece
alguma coisa de ruim, só quem não tem sentimento não fica triste. As notícias e
fotografias deprimem. Tem gente soltando fogos, mas a mim causa um sentimento
muito ruim. Quanto à placa do Sérgio Cabral, não se apaga a história.
Tiradentes morreu enforcado, todo mundo fala dele até hoje. A placa foi
colocada para registrar um fato que aconteceu.
A crise estadual afeta a Federação?
Claro,
porque afeta a economia. O torcedor tem seu salário sacrificado, o poder
econômico é reduzido. Certamente, muita gente vai ser impedida de gastar com
lazer, com futebol.

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