sábado, setembro 19, 2020
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Rubens Lopes se diz aberto para diálogo com Fla e Flu.

BASTIDORES
F.C. – Após a decisão da assembleia geral da CBF de não se opor à criação da
Primeira Liga (com clubes de Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio de
Janeiro e Minas Gerais), mas de exigir o cumprimento de normas e estatutos,
agradou especialmente a uma pessoa: o presidente da Federação de Futebol do Rio
de Janeiro (Ferj), Rubens Lopes, que vive um embate declarado com dois de seus
filiados, Flamengo e Fluminense, integrantes da Liga. Lopes se diz aberto ao
diálogo com Eduardo Bandeira de Mello e Peter Siemsen, mas avisa que para
disputar a Liga, precisam da autorização da Ferj. E, para isso, precisarão
dialogar.

Em
entrevista exclusiva ao blog, Lopes afirma que não acredita que a competição
seja realizada em 2016 e explica seus motivos. Também diz não crer que os
clubes disputarão o Carioca com equipes alternativas. Afirma que não chamaria o
presidente rubro-negro para sua casa, mas enquanto presidente da Ferj, acena
com bandeira branca. Desde que respeitadas as condições impostas pelo estatuto
da entidade. Ele dá razão ao secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que não
escondeu a posição de dialogar somente com clubes e federações, tirando o diretor-executivo
da Liga, Alexandre Kalil, das tratativas. E acrescenta que nem todos os clubes
da Liga têm o mesmo comportamento.
Confira
a entrevista de Rubens Lopes:
A CBF diz que não se opõe à Liga, mas por
outro lado fez valer os seus argumentos de que tem de ser feito dentro dos
estatutos e das normas. Como o senhor enxerga o resultado dessa assembleia?
– O
que a gente era contra? São Paulo contra, eu contra… A ilegalidade da
história. Querem fazer tudo a mano militar, não respeitam nada, querem fazer e
acontecer, mas as coisas não são assim, senão vira uma bagunça. Aí, a partir do
momento que os caras estão dentro da lei, e cumprirem todas as normas, não há
porque dizer que a CBF não recepcione. Ou seja, eles são subordinados ao
ordenamento jurídico desportivo do futebol mundial que é Fifa, Conmebol, CBF e
federações, cada um com seus respectivos estatutos. Eles são subordinados a
cumprir tudo isso. A partir do momento que cumprem, não há porque dizer que é
contrário ou não. Aí a coisa passa para o cunho político, e não técnico e
legal. A assembleia por unanimidade entendeu que a CBF não pode se opor a
receber, homologar, a Liga, desde que essa Liga cumpra todos os dispositivos
legais do futebol. Pronto.
Mas houve gente saindo da reunião, como o
Delfim Peixoto, e dizendo que não acredita que em problema para realizar a
competição já em 2016, que são somente necessários pequenos ajustes. O senhor
concorda?
– Se
ele tem de cumprir todos os estatutos, Fifa, Conmebol, CBF e Federação, não é
essa simplicidade. Esbarra em calendário, critério de escolha do clube A ou
B…
Mas já avisaram que o critério é o ranking
da CBF…
– Não
é assim, se a coisa passa pelas federações, não é por aí. Então, em 2016,
imagino que não haja chance de acontecer. Para 2017, vamos estudar, conversar,
analisar. Desde que eles saiam da ilegalidade, tudo é possível, não digo que
aconteça, mas é possível. Eles só não podem ficar na ilegalidade, não respeitam
nada, não respeitam ninguém, não vale nada, vale o que eu quero. Basicamente é
isso.
Quando se consulta as pessoas da Liga,
dizem que já acertaram com a associação de dopagem, com a associação da
arbitragem…
– Não
serve. A gente tem de começar acertando o que diz o estatuto da Federação.
Primeiro: eles têm de ter autorização da Federação, como a CBF decidiu hoje.
Segundo, têm de cumprir o que a CBF disse. Há de se cumprir o calendário
nacional, que não comporta data para 2016. Exceto se colidir com datas de
Libertadores, Estadual e pré-temporada dos atletas, que o sindicato já disse
que não concorda. Por isso acho que, para 2016, não é essa simplicidade. Para
2017 pode ser que ajuste porque tem mais tempo para conversar, para acertar as coisas.
Eles fizeram o caminho contrário. Quem sabe se lá anteriormente tivessem
seguido os trâmites normais, o entendimento pudesse ter acontecido. Só que eles
resolveram não falar com ninguém. A lei vai ser a minha. Não é assim que
funciona, nesse país ainda tem lei.
Em relação ao racha declarado com Flamengo
e Fluminense, existe possibilidade de a Ferj hoje autorizar a participação
nessa competição? O que seria necessário para que isso acontecesse?
– Eles
não vão porque não querem.  Eles têm
direito a assento, voz e voto. E a Federação não pode impedir que eles exerçam
esse direito. É uma opção de cada um. Eles têm de cumprir as suas obrigações de
filiados. Indo para o diálogo, acho que podem encontrar um caminho de
convergência. A Federação está aberta a isso, sempre esteve.
Mas houve um diálogo que saiu um pouco de
controle, o Bandeira deixou uma reunião dizendo que foi xingado… Como ficou
essa relação dali em diante?
– Ele
que saiu dizendo isso. Naturalmente não disse o que ele fez para que talvez pudesse
possivelmente ter motivado alguma coisa que ele alega.
Mas o que ele fez?
– Tem
de perguntar a ele. Se o Bandeira trai, traiu, os seus pares, os que o
colocaram na presidência do Flamengo, você acha que ele não vai criar problema
para outro?
O senhor foi procurado em algum momento
por Flamengo e Fluminense, ou pretende procurá-los para abrir esse diálogo?
– Não.
Não fui procurado por ninguém. Eles se ausentaram porque acham que não devem
satisfação a ninguém. E o que ficou muito claro na decisão da assembleia na CBF
é que eles são obrigados a cumprir os deveres que têm com as respectivas
federações e confederações.
Ou seja, são obrigados a ter autorização
da Federação…

Claro, claro.
E o que a Ferj quer para conceder a
autorização? Especificamente, o que é necessário para autorizar isso?
– Não
é simples, me dá uma autorização e pronto. Depende de uma série de
entendimentos, uma série de ajustes. Não pode, em benefício de um, prejudicar a
maioria. Como funciona o regime democrático? A maioria decide, a minoria acata.
Eles querem subverter essa ordem, implantar a ditadura da minoria. Isso não é
democracia.
Mas eles alegam que os clubes de menor
porte, que são maioria, não votam contra a Federação por medo.
– Isso
é o que eles dizem. Como eles dizem tanta bobagem, mais uma se perde no meio de
tantas outras. Eu não quero impor nada. Primeiro é obediência às normas.
Precisa conciliar os interesses comuns. Você acompanha. O que não pode é você
se insurgir contra o ordenamento que existe, contra as normas, as leis, fazer
no peito. Depreciar o produto em prejuízo claro a todos os demais, jogar com
infantil, juvenil, uma série de coisas. E achar que tem razão. Querem fazer
valer somente as suas vontades, o que não for da vontade deles, não serve. A
qualquer custo. Não é assim que funciona.
O contrato de transmissão do Carioca se
encerra em 2016 e logicamente será negociada uma renovação. É um ponto chave
essa questão de jogar com time principal ou não?
– Eles
vão jogar. Sabe por quê? Porque não tem alternativa. Como eles vão explicar
para o torcedor, para o associado, que eles propositalmente colocaram a
vaidade, prepotência, arrogância, acima da marca do clube? Como vão explicar
que expuseram ao clube a uma situação vexatória, talvez? Como explicar colocar
um time que possa acumular derrotas e não conquistar títulos? Eles vão jogar.
Até porque a torcida vai cobrar. E a televisão também vai cobrar. Ela paga para
que a equipe apresente os seus melhores astros. Isso não vai acontecer porque
acho que ninguém vai ser imprudente a ponto de expor a marca de um clube
importante a situações que não condizem com a história de cada um. São clubes
vencedores, não podem ser clubes perdedores.
Supondo que se encontre datas para fazer a
competição. A CBF poderia alterar o calendário que ela já divulgou?
– Acho
difícil. No meu entendimento, acho que é um risco. Porque fere o Estatuto do
Torcedor. Inúmeras federações já fizeram seus regulamentos e calendários em
função do que divulgou a CBF. Isso acarretaria uma desorganização tal e o
descumprimento do que é pregado pelo Estatuto do Torcedor. Por outro lado, não
sei porque do açodamento de realizar a competição em um momento tão conturbado.
Isso pode ser amadurecido, conversado. Não vejo nenhum prejuízo nisso.
Conversei com o seu vice jurídico, o
Cláudio Mansur, e ele afirmou que se essa posição de fazer o torneio de
qualquer forma for mantida, a Ferj pode buscar a Justiça ou a Fifa para barrar.
Pode de fato chegar a esse ponto se eles insistirem?
– Acho
que não é nem a Federação que vai cobrar isso. Se violar a legalidade, é muito
grave. Isso é pregar o descumprimento das leis. Tem sanção, e a sanção é
extremamente severa. Jogar no peito eu garanto que não vai. A coragem dos
presidentes inconsequentes não vai a ponto de jogar o clube no abismo, de
perder todos os seus atletas federados. Isso pode acontecer. A coragem de um
presidente, mesmo que haja uma inconsequência, não chega ao ponto de jogar o
clube no abismo. A torcida vai cobrar isso.
Mas se a Liga tomar essa posição, a Ferj
notificará a Fifa?
– Se
acontecer, é uma possibilidade. Mas não acredito que venha a acontecer. É uma
hipótese extremamente remota, porque ninguém é louco suficiente para tomar uma
atitude dessa. A própria CBF vai ser obrigada a tomar uma decisão. Se ela
determina a obrigatoriedade de a competição só poder acontecer cumprindo a lei,
se descumprir, ela será obrigada a tomar uma posição. Não preciso nem me
posicionar.
Como é a relação institucional hoje com a
CBF e a sua com o Marco Polo del Nero?

Evidente que é uma situação que não é confortável para ninguém. Garanto que os
clubes insurgentes também não se sentem em posição confortável, nós também
institucionalmente não nos sentimos em posição confortável, e a CBF
naturalmente gostaria que tivesse um final feliz. A minha relação com ela é
boa, mas a CBF respeita a autonomia que a lei me confere, à Federação. Se ela
preza para que seu estatuto seja respeitado, ela não pode tomar nenhuma atitude
para que o do outro não seja.
O Del Nero externou alguma preocupação em
relação a isso?

Sempre. E a vontade, de todo mundo, a minha também, de que essas coisas se
solucionem. O futebol do Rio de Janeiro sempre foi pacificado, uma divergência
aqui, outra lá… Qual pai e mãe que não quer que os filhos se entendam? Então
a CBF quer que os filiados se entendam. Reputo como bravata essa história de
“vou jogar de qualquer maneira”, “para mim a CBF não
existe”, isso é um desafio, uma postura de confronto direto, e tenho
certeza que a CBF vai reagir. Se isso acontecer, ela vai reagir.
O resultado da assembleia na CBF foi uma
vitória da Ferj?
– Acho
que de todo mundo, ganhou o futebol. Foi uma vitória da Federação do Rio, mas
como foi por unanimidade, acho que foi uma vitória do país inteiro. É uma coisa
muito fácil de ser entendida, ou a lei existe e se cumpre, ou rasga e não se
cumpre nada. Vamos para o velho oeste, para a anarquia. Não foi difícil esse
convencimento. Esses clubes todos também devem ter se sentido satisfeitos. Não
são todos os clubes que estão nessa Liga que têm o mesmo comportamento.
Aquela reunião entre Kalil e CBF acirrou
muito essa questão na semana passada. Como o senhor enxergou essa questão? Ele
chegou a citar que o senhor estava escondido em outra sala…
– Isso
só pode ser fruto de um delírio. Até porque não tenho porque me esconder. Não
conheço o senhor Kalil, e não tenho medo dele. Encontro com ele, converso com
ele em qualquer lugar que ele queira. É só marcar que eu vou. Não tenho nada
com a decisão do presidente da CBF. E, ao que me consta, o presidente da CBF
nunca disse que aprovaria. Disse que era simpático à ideia, mas que se
entendessem nas respectivas federações primeiro. Mas o que aconteceu lá eu não
sei porque não estava lá.
O Feldman deixou muito claro que não
pretende dialogar com o Kalil, somente com clubes e federações. A Ferj já foi
chamada para conversar?
– Se
for chamada para conversar, nós vamos. Quanto ao fato de não conversar com o
Kalil, é uma decisão da CBF que deve ter lá o seus motivos, quem sabe justos,
pelo menos pelo que se leu que o cidadão falou, acho que possivelmente deva ter
razão. Assim como digo que, na Ferj, nesse nível, não teria nem o que
conversar.
E com o Bandeira e o Peter, o senhor
conversaria para chegar a esse consenso?

Sempre dissemos isso, a qualquer hora. Não convido o presidente Bandeira para
ir na minha casa, não quero ele perto, certamente ele não me chama para
almoçar, agora, a obrigação que tenho como presidente da Federação é de que a
qualquer momento atender, conversar, dialogar, mantido o comportamento normal.
Estou aberto ao diálogo, sempre. E esperamos que a gente consiga pelo bem do
futebol do Estado. Nessa assembleia não teve perdedor, só teve vencedor. A
bandeira branca está no topo do mastro.

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