domingo, setembro 27, 2020
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Se a ideia é ser inimigo da Ferj, tem que jogar bola.

Márvio
dos Anjos – “Acho que quem tem que fazer a avaliação são vocês. Fatos
estão aí para a imprensa analisar. Fato é que Flamengo e Fluminense tiveram
perdas consideráveis nos tribunais e nas arbitragens. Se foi premeditado para
não chegarem à final, vocês têm que analisar. O que aconteceu a gente esperava,
mas sempre fica a esperança de chegar assim mesmo. Não conseguimos. É a final
que estava prevista, que a federação merece.”

Ok,
presidente Bandeira de Mello. Primeiramente, vamos aos fatos.
“O
Flamengo não entrou como tem que entrar para uma final”, disse Vanderlei
Luxemburgo. Referia-se aos jogadores “combalidos”: gente que teve
contusões, jogadores perdidos pelo caminho, outros que voltaram sem ritmo de
jogo. E deixou claro que, como tinha a vantagem de dois empates, estava
esperando encaixar um contragolpe contra o Vasco.
Não é
um crime. Há grandes equipes que trabalham no contra-ataque. A questão é que o
contra-ataque do Flamengo não era eficaz. Nas duas semifinais contra o Vasco,
os rubro-negros jamais conseguiram mostrar alguma superioridade. Basicamente, o
Flamengo não propôs nada e ainda esperava o Vasco em seu campo.
Acabou
castigado por uma jogada que foi puro contra-ataque: um erro de passe de Márcio
Araújo, bola para Rafael Silva, pênalti inconvincente de Wallace em Serginho.
Não é exatamente uma novidade um juiz marcar um pênalti nessas condições, em
qualquer torneio.
A
partir daí, não se sabe exatamente por que – talvez pelos jogadores combalidos,
talvez pela falta de hábito nas duas partidas, talvez por discordar da marcação
do pênalti – o Flamengo tinha 30 minutos de jogo para empatar e continuou sem
propor coisa alguma. Bastava um gol, apenas um. Em 180 minutos contra o Vasco,
nada.
Futebol
é um jogo de azar, e se você não propõe nada ao jogo, o outro time ou o azar
acabam por te engolir. É por isso que se torna ridícula a reclamação do
presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, quando diz que Botafogo e
Vasco eram a final que a Federação do Rio queria – uma vez que Flamengo e
Fluminense agora são inimigos declarados da Ferj.
Não me
parece que a Federação tenha obrigado o Flamengo a atuar de forma cautelosa
diante do Vasco, nem que tenha obrigado Luxemburgo a tirar Luiz Antônio no
segundo tempo. Ou mesmo que tenha sido a responsável por deixar combalidos os
seus jogadores. O que vi foi o Flamengo mostrar cada vez menos futebol ao longo
da competição; à altura da semifinal, pouco restava, e o Vasco de Doriva era
mais perigoso, sem ser um encanto.
Meu
problema com Bandeira de Mello – que pode se tornar em um dos melhores
presidentes da história, ainda mais depois da aprovação da Lei de
Responsabilidade interna – é que essa narrativa das forças extracampo é muito
fácil.
Vejamos:
se o romper com a Federação obrigou o clube a um fracasso, logo a vitória do
Carioca do ano passado, em que houve gol impedido de Márcio Araújo, pode ficar
sob suspeita. Joga-se na lama um título de sua gestão. A ideia é essa?
Por
que não admitir publicamente que seu time não jogou nada? Bandeira de Mello
sabe de algo que não veio a público? Sabe desde quando? Desde o gol de Márcio
Araújo em 2014, empatando o jogo, talvez?
O
torcedor, se quiser, pode usar esse tipo de teoria de conspiração – que
normalmente traz uma piração embutida – porque seus objetivos são diminuir
conquistas e se defender do bullying. Mas um dirigente às vezes tem que deixar
de ser torcedor e aceitar a derrota. Os juízes erram jogo após jogo, ano após
ano, para um lado e para outro. A única maneira que se conhece de superar a
ruindade da arbitragem é ter um time que proponha um jogo consistente, com
chances de gol frequentes e intensidade no esquema tático. Se a ideia for
omitir-se em campo, sempre vai depender de um árbitro sem defeitos, coisa que a
Ferj não tem.
Costuma
ser a coisa mais difícil de usar para convencer o torcedor, porque o torcedor
tende a perdoar as mediocridades do time que ama. Assim, repete essas bobagens
enquanto desvia o olhar do que é óbvio.
Se a
ideia é ser inimigo da Ferj, tem que ser amigo da bola e gastá-la a seu favor.
Seja inimigo mesmo, seja independente da correção das arbitragens e ache um
caminho para romper definitivamente com o estado de coisas. Para que no mínimo
a gente possa dizer que o Flamengo jogou o fino da bola, mas foi operado em
pleno Maracanã.
De
outra forma, qualquer pessoa que entenda minimamente de futebol saberá que se
trata de choro dissimulado de perdedor, destinado a criar uma cortina de fumaça
para uma equipe de ambições modestas para o resto da temporada.
Em
tempo: Nunca conheci alguém que tenha sido campeão agradecendo ao juiz por uma
arbitragem impecável.

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