Se o time dormiu, está na hora da torcida acordar.

Por: Fla hoje

Falando
de Flamengo – Bom, mais um Flamengo e Bigoduda foi pra conta, já são 11 jogos
sem perder para o pessoal que se joga da marquise, o que constitui novo recorde
na freguesia, mas, não temos o que comemorar. O jogo foi ruim. Ruim não,
péssimo. Empate com times acostumados a jogar em divisões subalternas nunca
pode ser considerado um resultado ruim; é de péssimo para lá. O Mais Querido
hoje não foi o Flamengo do restante da temporada, mesmo com a volta do
Canteros, Everton (no lugar do Jonas) e praticamente o time titular. Os 11 do
Luxa entraram sem vontade, sem disposição, minha impressão nos primeiros 15
minutos é que a rapaziada havia feito um tour pelos Bares do “Comida de Boteco”
e estavam com aquela ressaca.
Pará
não acertava passes de dois metros. Canteros não conseguia dar sequencia em uma
jogada. Marcio Araujo nulo. Jonas quase arrancou a cabeça do Viceíno, e se o
homem da capa preta estivesse com mais má vontade poderíamos ficar com um
jogador a menos antes do 20 minutos de peleja. Mesmo assim, perdemos dois ou
três gols, que poderiam nos dar aquela tranquilizada e fazer do clássico um
passeio.
Mas,
não vim utilizar esse garboso espaço para falar do jogo. Vou falar de algo que
já vem me incomodando desde a inauguração da mal fadada Arena Maracanã. Sim,
Arena, pois o Maracanã morreu. Quem curtiu, curtiu. Quem viveu, viveu. O resto
é lembrança. E isso percebi desde a reinauguração do Estádio. O Maracanã não é
o mesmo, e não o é por conta dos seus banheiros limpos, corredores mais largos,
cadeiras, etc… O Maracanã morreu, e morreu porque o povo que o frequentava não
o frequenta mais. Isso é nítido para quem acompanha o Rubro-Negro desde 1992.
O
Maraca de hoje não é daqueles que vão com espírito de virar o jogo no gogó. Não
é aquele do ‘frisson’ a cada escanteio. A arena de hoje é uma boutique com um
desfile de modas e um bando de torcedor preocupado em tirar ‘selfies”. É um
estádio frio, sem alma e sem tesão. O torcedor não pode beber, não pode fumar,
não pode ficar em pé e esqueceu de torcer. Afinal, torcer para que? Se podemos
fazer aquela ‘selfie’ e colocar no ‘Instagram‘ e ostentar que tive dinheiro
para ir ao jogo. Sim, essa é minha impressão.
Ou
alguém pode concordar que com 10 minutos para começar um Fla x Flu, um sujeito
esteja no seu lado jogando palavras cruzadas? Se você consegue se ausentar do
ambiente assim, respeito, mas, ir ao Maracanã para mim, não é um programa. É um
estado de espírito. E esse estado de espírito tem piorado muito, com as punições
da RRN e da TJF esfriou de vez. E não estou aqui defendendo Torcida Organizada.
Se vacilou, é punição e a pena tem de ser pesada. Contudo, percebo que com
essas duas ‘entidades’ fora do estádio, o famoso povão (do qual faço parte) se
perdeu. Não sabe ou não quer torcer. Vai ao jogo como quem vai ao cinema, um
teatro. E, meus amigos, na minha concepção, no Maracanã não sou espectador. Vou
para fazer parte, para ser o espetáculo. Se a torcida do Flamengo perder esse
encanto, quem poderá mais fazê-lo?
Não
deixem o futebol morrer. Tem que haver uma maneira de voltarmos a popularizar o
acesso ao estádio. Vou aos jogos do Flamengo desde a época que nem mesada eu
tinha. O Maracanã era sinônimo do povo brasileiro, brancos, negros, pardos,
ricos, pobres, polícia, mocinho e ladrão. Hoje somos espectadores que só
sabemos gritar gol entre uma ‘selfie’ e outra.
PS1:
Está na hora de mudar o perfil do torcedor. Não adianta atacar apenas um
segmento. O Flamengo tem a missão de popularizar o acesso ao estádio, e só
vamos conseguir isso, popularizando o Sócio Torcedor, ou barateando o preço do
Ingresso.
PS2:
Fato novo no jogo de hoje. A Urubuzada promoveu uma ‘união’ com a FlaManguaça,
Império e Flamante. Deu uma melhorada, mas, longe da pressão de antigamente

Léo
Sardou

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