segunda-feira, setembro 21, 2020
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Sem sentido! Jornalista detona Flamengo e Fluminense.

Fotos: Nelson Perez e Igor Siqueira

LANCE:
Quando tudo parece que vai andar… desanda. A história, infelizmente, é sempre
a mesma no futebol brasileiro.

Certa
vez, Juvenal Juvêncio, aquele do ano de 2006, o que transformou o São Paulo num
exemplo de modernidade e eficiência em gestão, ao menos para os padrões
tupiniquins (não o caudilho populista em que virou no final dos tempos),
queixava-se numa conversa com editores desse LANCE!, das desconfianças entre os
dirigentes dos clubes no país.
Contou,
então, a história de que tinha acertado com a direção do Corinthians, numa
reunião que lhe pareceu conclusiva, a defesa conjunta de uma fórmula de disputa
do Paulistão que seria levada ao Conselho Arbitral da federação. Chegaram a
fazer contatos com outros cartolas, dos clubes menores, para somar adesões.
Mas, qual não foi sua surpresa, quando na hora do “vamo vê” o voto do
Corinthians foi contra a proposta acertada com o Tricolor, atendendo o que a
FPF queria.
Para
Juvenal, a explicação era simples: o dirigente combina uma coisa, chega no
clube e recebe pancada de todo lado. Como se estivesse cedendo aos interesses
de um rival, independentemente se a medida seja boa ou não para todas as
partes. “Ai o cara não aguenta as pressões e rói a corda na maior cara de
pau como se nada tivesse acontecido antes”, desabafa então o presidente
são-paulino.
Com
alguns ingredientes a dar um tempero diferente ao prato, o menu apresentado por
Juvenal repete-se, exatamente uma década depois, na relação entre o Fluminense
e o Flamengo, azedada essa semana com movimentos traiçoeiros de parte a parte
por conta da escolha do local e da data de disputa do clássico entre os dois
cariocas neste segundo turno de Brasileirão.
É
incrível como, aliados nos últimos tempos, na boa briga contra a gestão
autoritária e amadora de Rubens Lopes na Ferj e na luta para erguer a Primeira
Liga com mineiros, gaúchos, paranaenses e catarinenses, Peter Siemsen e Eduardo
Bandeira de Melo possam ter se envolvido em uma rede de intrigas como essa por
questões tão mais mundanas e sem importância no que têm – ou teriam – que
enfrentar juntos..
É
certo que jogar fora do Rio, com venda livre de ingressos, seria bom para o
Flamengo, que enche estádios por onde passa. Assim como mudar a data da partida
de 12 para 13, como acabou acontecendo, também beneficia o rubro-negro,
permitindo a volta do goleiro Muralha e do atacante Guerrero das seleções que
disputam as Eliminatória da Copa.
Também
é certo que o Fluminense, como mandante, tem pleno direito de querer ficar pelo
Rio, usar as prerrogativas de quem é dono da casa e dar aos flamenguistas
somente 10% da carga dos ingressos da Arena Botafogo – a ideia inicial vetada
como se sabe por problemas, digamos, técnicos – ou do Raulino de Oliveira, a
alternativa de sempre em Volta Redonda.
O
problema é que nada disso, o limite de cada um, parece ter ficado muito
transparente nas conversas entre os clubes. No melhor estilo euriquiano, que a
dupla de dirigentes do Fla-Flu tanto condena, cada um agiu de seu lado, e por
detrás dos panos, tentando impor o que lhes fosse mais vantajoso,
independentemente da concordância do outro. Foi a impressão que ficou.
É o
típico comportamento que une, num bolo só, o que de mais antiquado existe no
futebol: o amadorismo da gestão e a paixão cega e emburrecedora da cartolagem.
É incrível, que também seja assim com Peter e Bandeira, mas essa é a falta que
uma liga faz.
Sim!
Numa liga gerida por profissionais independentes, executivos comprometidos com
resultados e que imprimam uma visão técnica do futebol e dos negócios do
futebol não haveria espaço para as eternas desconfianças entre os dirigentes e
os arrobos de paixão que, de quando em vez, atravancam o jogo dos clubes e
deixam a CBF nadando de braçada.
Só uma
liga assim vai jogar paixões, rivalidades e disputas clubísticas para onde
devem ir: o campo e as arquibancadas. Nas mesas de negociação e nas decisões
que impactam o futuro (e o presente) o que deve valer é o profissionalismo. É
nada mais.
Luiz
Fenando Gomes

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