segunda-feira, setembro 28, 2020
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Será duro ver Guerrero vestir a camisa do Fla no Itaquerão.

COSME
RIMOLI – Guerrero não ficou calado nesta semana por acaso. Por mais que
jornalistas insistissem com a assessoria do Flamengo, a resposta foi a mesmo.
Ele não quer falar. O peruano sabe que é a grande atração deste final de semana
no futebol brasileiro. Tem a perfeita convicção da expectativa que gera o
reencontro com o Corinthians.
Não é
para menos. Ele foi o autor dos dois gols mais importantes da história do
Corinthians. Pouca gente dá o valor que merece o que marcou contra o Al Ahly.
Era a semifinal do Mundial de 2012, a partida foi muito difícil. Com os
egípcios pressionando o time paulista em todo segundo tempo. Sem o oportunismo
do peruano, não haveria final.
E ela
veio. E de novo, Paolo estava presente na hora mais decisiva. Marcou contra o
Chelsea e garantiu o título mundial no Japão, como era o sonho dos corintianos.
Estava acabada a história, repetida 12 anos pelos rivais: que o clube havia
sido campeão de um torneio laboratório, de verão, em 2000. Cujo formato jamais
foi repetido pela Fifa. Com oito clubes divididos em dois grupos de quatro. Com
os melhores disputando a final.
Ao
voltar do Japão, Guerrero afirmou que nunca esteve tão contente em um clube. E
que iria terminar sua carreira internacional no Parque São Jorge. Só voltaria
ao Peru como jogador para disputar a última temporada, aos 35, 36 anos, no
Allianza Lima, onde nasceu para o futebol. Seria uma questão de reconhecimento.
Tinha 28 anos quando foi fundamental para o Corinthians vencer o Mundial como
seu torcedor sempre sonhou.
Só que
nada aconteceu com Guerrero esperava. Nem bem estava comemorando o título, a
Nike e o ex-presidente Mario Gobbi fazem toda a festa possível. Não para ele,
Tite ou qualquer outro atleta campeão no Japão. O celebrado como um herói foi
Alexandre Pato. O midiático atacante do Milan fora contratado por R$ 43
milhões. Ganharia R$ 800 mil mensais. Mais R$ 40 mil de auxílio moradia, dinheiro
para que arrumasse lugar para viver.
Na
concepção da patrocinadora e de Gobbi, Pato seria a grande estrela que chamaria
de vez a atenção mundial ao Corinthians. Com ele, o time venceria o
bicampeonato da Libertadores e seria favorito ao tri do Mundo.
Guerrero
ficou de queixo caído. Ele recebia R$ 320 mil mensais. E sempre ouviu que o
clube não tinha dinheiro para pagar salário muito mais alto. O peruano, todo o
elenco e Tite rejeitaram Pato. Não pelo jogador, que procurou ser o mais
simpático com todos, mas pela forma que o jogador foi imposto pelos dirigentes
e patrocinadora.
A
mídia comprou a ideia de que o Corinthians era o grande time da América Latina.
Pato virou o garoto propaganda do Itaquerão. Ninguém percebia que o ambiente
ruía. A temporada de 2013 foi frustrante, decepcionante. A inabilidade dos
dirigentes em lidar com o elenco sabotou o trabalho de Tite. O treinador ficou
perdido não soube reagir. Pato acabou isolado. E desesperado para ir embora.
Guerrero
também passou a desejar voltar à Europa. Sentiu que o amor dos dirigentes
corintianos era, na verdade, empolgação de um caso de Carnaval. Só que a fraca
campanha do time em 2013 o prejudicou. Mas veio 2014, Mano Menezes. E a
promessa de uma reestruturação que deixaria o time mais competitivo. O peruano
ouviu do treinador gaúcho que seria peça fundamental.
Só que
nem fevereiro passou por algo que julgava inacreditável. Vândalos das
organizadas tiveram toda a facilidade em invadir o CT. E toda a alegria que
proporcionou com os gols no Mundial de 2012 foi esquecida. Um vândalo o segurou
pelo pescoço. “Ele foi esganado”, resumiu o então presidente e
delegado Mario Gobbi. A Polícia paulista quis que Paolo depusesse, explicasse a
agressão que sofreu. Mas por medo das organizadas corintianas, ele se recusou.
Seu raciocínio foi lógico.
Se
ninguém foi preso. As câmeras do CT de maneira estranha não registraram a
invasão. O próprio presidente e delegado não levou o processo adiante, ele é
que não se submeteria a novos atos de violência dos torcedores. A sua visão do
Corinthians mudou muito. Se sentiu desrespeitado como ídolo que acreditava ser.
Passou a agir apenas de maneira profissional. Outra vez a campanha instável do
time sabotou o retorno à Europa.
Mesmo
assim, o time chegou à Libertadores. Viria a utilização permanente do
Itaquerão. Guerrero decidiu que poderia ficar. Desde que fizesse seu último
grande contrato. Pediu R$ 17 milhões de luvas e mais R$ 500 mil mensais. Por um
contrato de três anos.
Andrés
Sanchez foi o primeiro a avisar Mario Gobbi não aceitaria pagar tanto dinheiro.
Os representantes de Guerrero se irritaram com os gritos e socos na mesa de
Gobbi. E disseram que não negociariam com ele. Só com Roberto de Andrade que,
sabiam, seria o novo presidente.
O
troco veio. O ex-presidente delegado contratou Vagner Love. E inviabilizou a
renovação de contrato de Guerrero. O Flamengo ofereceu um contrato de três
anos, que tanto queria o peruano. R$ 650 mil mensais e mais R$ 16 milhões. A
transação foi em maio. Em julho, aconteceria o jogo contra o Corinthians. Mas o
clube paulista não atrapalhou a ida do jogador à Gávea. Exigiu apenas que ele
não estreasse no Maracanã, apenas dois meses depois de sua saída. Para que, em
caso de o atacante marcar gols, a diretoria não ser pressionada pela torcida.
Os dirigentes flamenguistas aceitaram.
E o
reencontro entre corintianos e Guerrero ficou para amanhã. No Itaquerão. As
organizadas prepararam música e prometem mostrar muito ressentimento contra o
peruano. Os líderes das torcidas fizeram questão de passar a ideia que ele foi
mercenário. Trocou o Corinthians por dinheiro. O presidente Roberto de Andrade
alimentou a tese dizendo que, se estivesse nas arquibancadas, vaiaria o
atacante.
Tite
que sabe tudo o que Guerrero passou no Corinthians fez questão de garantir que,
a sua vaia, o peruano não teria. O treinador tem plena consciência que Paolo
foi injustiçado após o Mundial. E deixado em segundo plano com a contratação de
Pato. Tite fará questão de abraçar o seu ex-comandado.
A
maior prova que Guerrero não é mercenário não está na Gávea. Mas no Palestra
Itália. Alexandre Mattos sabe que fez uma proposta maior do que a do Flamengo
para que atuasse no Palmeiras. Sabia do medo do peruano dos membros das
organizadas corintianas. Ofereceu proteção. Mas Paolo mandou avisar aos seus
procuradores. Jogar no maior rival, o Palmeiras, não.
O
atacante será xingado, vaiado, ouvirá coro de mercenário, talvez veja faixas de
protestos. Mas ninguém melhor do que ele sabe tudo o que viveu no Parque São
Jorge. Da pedida alta que fez, mas que ficou esperando por seis meses a
resposta. E que virou as costas ao Palmeiras.
E o
autor dos gols mais importantes da história do Parque São Jorge será
desprezado.
A
verdade é que dói na alma do corintiano ver Guerrero com outra camisa.
Ainda
mais tentando marcar contra o Corinthians.
A
vermelha e preta não combina no peito do peruano.
A
mágoa por sua partida para o Rio continua incomodando.
E vai
crescer quando chegar a hora de encará-lo amanhã.
Só o
futebol tem essa capacidade.
Transforma
o herói mais amado no vilão mais odiado…

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