“Só quem jogou no Flamengo se sente super-homem”, diz Brazolin.

Por: Fla hoje

Foto: Divulgação

GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: Por Rafael Rezende


para dizer, tranquilamente, que o basquete corre nas veias de André Brazolin
desde muito cedo. Nascido em São Paulo e dono de uma carreira significativa, o
agora ex-jogador continua propagando o esporte. De uma forma diferente, claro.
Através de um Instituto, que leva seu sobrenome, e tem como objetivo ajudar
crianças carentes.
Procurado
pela reportagem do GRN, que tomou conhecimento do trabalho social via internet,
André contou sua história e explicou motivo do apelido ‘Anjo do Esporte’, visto
em qualquer rede social.
– Toda
minha família é esportista e eu comecei com oito anos no Pinheiros. Hoje, com
quase quarenta de bola laranja, sendo vinte como atleta profissional, vejo o
basquete como instrumento de humanização, inclusão social, educação e respeito.
Sou conhecido como Anjo do Esporte, pois vou em lugares onde todos viram as
costas (abrigos judiciais, APAE, clínica de dependentes químicos, comunidades
carentes, orfanatos e presídios). Sou grato a tudo que Deus me proporcionou.
Por isso, trabalho para Ele. Fui Secretário de Esportes de São Lourenço e
Caxambu, em Minas Gerais, e não concordava com a maneira que os políticos
lidavam com o esporte. Realmente, fazem pouco caso. Então, nasceu o Instituto
Brazolin, parceiro da Cruz Vermelha, em 2010, onde recebemos, com muita honra,
a utilidade da OSCIP e podemos obter verbas de doações, empresas privadas,
prefeituras e projetos. Desta forma, promovemos a metodologia, com uma
filosofia diferente de uma escolinha. O ser humano é prioridade. O currículo do
treinador deve ter paciência e, acima de tudo, postura. Pois estamos cuidando
de pessoas que não tiveram a mesma oportunidade na vida. Já acompanhamos
crianças que sofriam com maldades dos pais ou responsáveis. É uma realidade
triste, mas somos otimistas em virar o jogo – relatou.
Constantemente,
o ex-atleta vai à Cracolândia e se encontra com Refugiados Angolanos. Ao tocar
no assunto, a emoção tomou conta e foi difícil controlar.
– Foi
como ganhar um título mundial invicto, e é um sentimento de orgulho que me
emociona toda vez que lembro. Sou privilegiado por levar o basquete para
crianças e jovens da região da Cracolândia. Os usuários respeitam muito o nosso
o trabalho e nos chamam de anjos quando passamos por eles. Neste momento, as
pessoas que se comportam como zumbis, se curvam ao esporte e à Deus. Já os
refugiados, costumo dizer que foram presentes dados ao Instituto. Além de
cuidarmos deles, damos esperança para todos – exaltou, com sensação de dever
cumprido.
Dentro
de quadra, Brazolin defendeu o Flamengo no início dos anos 2000. Poucos sabem,
mas na época, o armador estava no Corinthians, seu clube do coração, e foi para
Gávea atrás de um único sonho: atuar ao lado de Oscar Schmidt, seu maior ídolo.
Junto com o Mão Santa, aprendeu a amar o Rubro-Negro.

Ganhei um autógrafo do Oscar aos dez anos e guardei. Saí do Corinthians, onde
recebia mais, para realizar meu sonho. Vestir esse manto é para poucos, o cara
tem que ser vencedor. Quando me apresentei ao Flamengo, mostrei a importância
dele na minha carreira. Tinha orgulho de treinar e, realmente, não acreditava
que estava vestindo a 10 do Zico ao lado do meu ídolo. Até nas broncas, aprendi
a admira-lo. Nosso entrosamento era ótimo e, como armador, sempre tive
habilidade e ótimo passe. Aliado à intensidade do Oscar, que nunca vi em um
atleta, nos completávamos. Nosso reencontro aconteceu há poucos meses e foi de
muita risada. Ele nem me reconheceu, por causa da careca (risos). Falamos o
tempo todo do time e rolou até um agradecimento por tudo que tenho feito pelo
próximo, com direito a ser chamado de herói. Escutar isso do Mão Santa foi meu
maior presente – detalhou e afirmou.
No
Rio, um título, o Estadual de 2002. Conquista relembrada com muito carinho por
ter sido no Fla e devido aos acontecimentos da época.
– Foi
o título mais importante da minha carreira. Joguei o ano inteiro com três
hérnias de disco e não saía da fisioterapia. Mas, na hora do jogo, a dor some e
a energia é intensa. Só quem jogou no Flamengo, se sente o super-homem e vê o
sangue correr mais rápido. Fui reconhecido pela torcida por ter dedicação e
raça. Todos respeitam o clube, principalmente, os adversários. Fui levado pelo
presidente Edmundo e por Miguel Ângelo da Luz, treinador campeão do mundo. E,
também, pelos preparadores, André Guimarães e Gilvan Silva. Nosso time era
desacreditado e formado por jogadores mais velhos, que vinham de várias
contusões. Nós sabíamos que teríamos que dar o máximo, era a despedida do
Oscar. Conseguimos ser campeões ao lado do cara. Por isso, essa conquista tem tanto
valor para mim – revelou.
O
papo, sobre a agremiação, rendeu ainda mais. Nesta edição do NBB, especificamente
na última rodada, o aposentado esteve no ginásio Poliesportivo Henrique
Villaboim para prestigiar antigos companheiros, rever grandes amigos e rasgar
elogios.
– Acho
o elenco forte e favorito. Não só pelo time, mas pela torcida, que empurra, e
por ter o melhor treinador da atualidade: José Neto. Aliás, estou rezando para
que ele seja o comandante da Seleção. É um cara estudioso, competente, e tem o
controle dos jogadores por ser justo, sincero e humilde. Joguei com o
Marcelinho no Fluminense, em 1997, onde já era craque, líder, e Flamenguista.
Em 2001, lancei o Marquinhos no Corinthians, ainda no Sub-18. Acho ele e o Alex
Garcia, do Bauru, os dois melhores atletas do NBB. Inclusive, já brinquei com o
Alex, falei que ele tem a cara do Flamengo (risos), que tem que jogar lá. E,
por fim, o Olivinha. Jogamos juntos e é um menino que possui intensidade, raça
e representatividade perante ao torcedor. Posso dizer que todos têm
personalidades diferentes, mas muito caráter – analisou, de forma abrangente.
No
encerramento da entrevista, um pedido de apoio e uma mensagem endereçada aos
jovens do país.
– O
objetivo do Instituto Brazolin é massificar o esporte e, para isso, precisamos
de ajuda. Atualmente, estamos com três núcleos (Abrigos Paulistas, Cracolândia
e Paraisópolis), onde atendemos 150 crianças e jovens, além do time adulto de
basquete. Dependemos de doações financeiras para alimentação e material
esportivo. Temos que ter essa estrutura para continuarmos nesta missão de ter
uma sociedade melhor. O recado que eu gostaria de deixar é que haja, no mundo,
mais respeito. O estudo é importante, pois poucos têm a chance de jogar
profissionamente. Então, só peço para que pensem bem e nunca se deixem levar
por coisas ruins – concluiu.

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