terça-feira, setembro 29, 2020
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Sobre 2016: Barca ou rumo e estabilidade?

BUTECO
DO FLAMENGO – Salve, Buteco. Eu sei que ninguém aguenta mais jogador render
mais em outros times do que no Flamengo, adversários e rivais demonstrarem mais
vibração e pegada dentro de campo, saldo de vitórias/derrotas e de gols
negativos no campeonato brasileiro, fuga do rebaixamento ao menos em parte do
campeonato, todo mundo ter centro de treinamento e estádio, mas o Flamengo não;
trocar de técnico e preparador físico a cada quatro meses, trocar de diretor
executivo todo ano, tantas contusões e um Departamento Médico que parece não
existir, conselho gestor no qual ninguém parece entender do assunto, as noites
cariocas serem culpadas por tudo e o futebol tão ruim dentro de campo. Acho que
está se tornando uma espécie de “senso-comum” que há algo de muito
errado na forma como o clube lida com o Departamento de Futebol, como um todo,
e que pode ser a principal causa de todos esses problemas. Por isso mesmo, numa
boa, “papo-reto”: será que a solução é uma barca ampla, geral e
irrestrita, como se costuma sugerir em situações como a atual? Que segurança
temos que os jogadores que virão não repetirão o círculo vicioso que vem se
perpetuando nas duas últimas décadas?
Gostaria
de deixar claro que minha intenção não é, a partir dessas primeiras reflexões,
passar a mão na cabeça de um grupo de jogadores que perde quatro partidas no
ano pro lanterna do campeonato brasileiro, que ganha seis partidas seguidas e
depois perde outras seis em sete disputadas na sequência. Porém, tenho a mais
absoluta certeza de que grande parte dos jogadores desse elenco renderiam muito
mais do que atualmente rendem no Flamengo se estivessem em clubes como o
Corinthians, Cruzeiro, Atlético/MG, São Paulo ou Internacional, ou alguém tem
alguma dúvida que isso aconteceria com Gabriel, Paulinho, Marcelo Cirino,
Canteros e o próprio Guerrero, só pra ficar em alguns exemplos? Será que em
todos os casos podemos falar em falta de vibração, profissionalismo ou
comprometimento?
Para
ilustrar o meu raciocínio, ficarei em um exemplo sempre mencionado com muita
lucidez pelo amigo Helio Santoro aqui no Buteco, que é o meia-atacante Gabriel.
Após fazer um trabalho de reforço muscular e tópico de finalização (com o
assistente técnico Deivid), melhorou substancialmente sua performance no
segundo semestre de 2014 até a fatídica contusão na vitória contra a
Chapecoense no Maracanã (3×0), que antecedeu o desastre da partida de volta no
Mineirão pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. Será que esse trabalho teve sequência?
Como foi a recuperação desse jogador? Até que ponto os explícitos conflitos
entre a comissão técnica e o Departamento Médico atrapalharam a retomada desse
trabalho?
A
partir desse exemplo pontual, sugiro que observem quantas contusões tivemos nos
últimos anos, inclusive no atual, e a duração da recuperação de cada atleta.
Tentem sincronizar esses períodos com as mudanças de treinador e preparador
físico e depois digam, com toda a sinceridade, até que ponto podemos concluir,
com absoluta certeza, que o problema essencial do elenco é de postura e
profissionalismo? Se quiserem outro exemplo extremo e esquisito, talvez
bizarro, analisem detalhadamente o que se passou com Marcelo Cirino
recentemente.
Fico
por isso na dúvida: a barca não seria um mero paliativo? Não alimentaria um
círculo vicioso? O Flamengo não teria que atacar a raiz do problema ao invés de
mais uma vez combatê-lo superficialmente?
Pergunto
então aos [email protected] do Buteco: o Departamento de Futebol do Flamengo precisa de
uma barca ou de rumo e estabilidade?

para esclarecer, quando me refiro a barca quero dizer ampla reformulação no
elenco, e não mudanças pontuais e seu reforço com peças de qualidade.
***
Oswaldo
de Oliveira (que não acho que seja treinador para o Flamengo), o terceiro
treinador do clube no ano, tentou, em uma semana, montar um esquema tático que
anulasse o líder e ataque mais positivo do campeonato. Tarefa inglória, sem a
menor sombra de dúvida. A impressão que tive é que o sistema defensivo do
Flamengo se perdeu entre os sistemas de marcação por zona e individual, quando
ao menos para mim a marcação por zona deveria ser a opção contra um ataque que
é baseado na ampla movimentação e troca de passes em velocidade, viabilizando a
penetração na área dos meias e atacantes. Tinha jogador marcando
individualmente e jogador marcando por zona, o que facilitou para o
Corinthians, apesar do inegável empenho do time na marcação. O certo é que, em
meio a esse desacerto defensivo e apesar dos dois volantes mais marcadores, não
fosse a imperícia de Vagner Love, que desperdiçou de três a quatro chances
claras de gol, o placar poderia ter sido até elástico. O primeiro tempo apenas
reforçou minha opinião de que o problema do sistema defensivo não é Canteros,
volante com excelentes números no campeonato brasileiro, e sim tático.
De
qualquer modo, a diferença entre os times também pôde ser constatada na
articulação das jogadas ofensivas. Com dois volantes marcadores, o meio de
campo do Flamengo se limitava a Alan Patrick. Aliás, eu não consigo entender o
que Oswaldo esperava com dois volantes que não sabem sair pro jogo, um meia e
dois pontas abertos e estáticos, isolados. O modelo, importado do futebol
europeu, funciona com volantes que executam múltiplas funções em campo, dentre
elas a articulação das jogadas ofensivas. Nenhuma surpresa, portanto, que,
enquanto detinha a posse de bola, o Flamengo não encontrava espaços e os seus
jogadores sempre encontravam de dois a três corintianos em volta. Por isso
mesmo, logo cediam os contra-ataques nos quais jogadores absolutamente comuns
como Vagner Love e Malcolm trocavam passes e movimentavam-se em velocidade e de
forma sincronizada pelos espaços vazios na sempre surpreendida defesa do Mais
Querido. Eu não tenho a menor dúvida de que esses atletas não têm qualidade
superior aos jogadores do nosso elenco, muito pelo contrário. Não trocaria
qualquer dos dois por um dos atacantes do nosso elenco. Porém, integram um
sistema tático muito mais eficiente e que tem o ataque mais positivo do
campeonato brasileiro, além da liderança cada vez mais folgada.
É
nesse ponto que volto a convidar @s [email protected] a uma reflexão detida e serena a
respeito do tema levantado no tópico anterior e a enorme responsabilidade que a
Diretoria e o Departamento de Futebol terão na reformulação e montagem do
elenco, além do planejamento para 2016. Mas é preciso um norte, de uma vez por
todas. Ontem, por exemplo, o presidente Eduardo Bandeira de Melo classificou o
trabalho de Oswaldo de Oliveira como “excelente”.
Acaba
logo, 2015…
Bom
dia e SRN a [email protected]
Gustavo
Brasília

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