domingo, setembro 20, 2020
Início Notícias Sobre o novo Maracanã.

Sobre o novo Maracanã.

Foto: Fla Imagem

BUTECO
DO FLAMENGO
: Nos últimos 66 anos a história do Flamengo está diretamente ligada
ao Maracanã e vice-versa. Todos sabemos das questões políticas que envolveram a
licitação do Novo Maracanã e em um estágio anterior, a reforma. Para quem não
se recorda, o Brasil conquistou o direito de sediar a Copa do mundo de 2014 e o
Maracanã era naturalmente o palco da final da competição, direito conquistado
posteriormente (quase que de modo “forçado” por conta da derrota de 1950).

Ao
longo do processo, o Rio de Janeiro tinha sido escolhido como sede dos Jogos
Pan-americanos em 2007, e havia construído um estádio olímpico, o Engenhão. E o
Flamengo com isso? Ali, terminada a construção do Engenhão, no período pré
licitatório foi “prometido” ao clube que ficaria com a gestão do Maracanã,
depois da Copa, fazendo com que ele desistisse de gerir o Engenhão. Mais uma
vez, nos tornamos reféns do Maracanã e das vontades políticas dos governantes.
Passando
por este período e focando na questão do Maracanã, a sua reconstrução (muito
mais do que uma reforma), poderia ter sido mais amigável do que de fato foi.
Acabei de ler o caderno de estádios da UEFA e o da FIFA e as exigências feitas
pela FIFA para que um estádio seja construído para um mundial são muito maiores
do que as da UEFA. Provavelmente nem existe este comparativo direto, já que os
usos e utilidades tem propósitos diferentes. A FIFA construiu o seu caderno de
estádios para uniformizar, recomendar as construções para suas competições,
desde a mais simples, o mundial sub-17 até a mais complexa, a Copa do Mundo de
futebol masculino; passando ainda por recomendações sobre instalações para
futebol de areia e Futsal.
O
caderno é bem completo e traz soluções para as questões que surgem ao se
construir ou reformar, tipos de público, construção, todos os detalhes
necessários para o conforto dos usuários de um estádio de futebol. É
impressionante a riqueza de detalhes e ao mesmo tempo a simplicidade do manual.
Em minha visão existe um problema, uma questão fundamental que permeou toda a
questão do “modelo FIFA”: o superfaturamento (custo Brasil, além do implícito
modus operandi da própria FIFA). O caderno é claro e demonstra ser possível
construir um estádio barato e eficaz dentro de todos os padrões estabelecidos.
Devemos
buscar como meta uma relação custo/assento razoável, a mais baixa possível!
Diferentemente do que aconteceu para os estádios da copa do mundo de 2014. O
Alemão Mainz 05 construiu o seu estádio em conjunto com a prefeitura da cidade
por R$ 135.000.000,00 para 45.000 pessoas e incríveis R$ 3.857,14 por assento,
que acho impossível no Brasil.; a Arena do Grêmio foi construída para 60.540
pessoas ao custo de R$ 600.000.000,00, por R$ 9.910,00 o assento e a Arena
Palestra com capacidade variável de 47.000 pessoas (55.000 com assentos
removíveis) por um custo de R$ 420.000.000,00 e R$ 7.368,42 o assento. O do
Maracanã custou R$ 14.315,03 se tornando o mais caro do mundial.
O
maior exemplo de que é possível se construir um estádio de copa do mundo
barato, mesmo com denúncias de superfaturamento, foi a construção da Arena
Pernambuco. Sua construção para aproximadamente 44.300 espectadores custou R$
389.000.000,00 e teve o contrato de concessão rescindido pelo governo do Estado
por conta de obrigações não cumpridas do consórcio construtor/operador (OAS).
Há semelhanças com o “Caso Novo Maracanã”, mas elas param na ação do governo de
Pernambuco, diferente das ações atuais do Governo do Estado do Rio de Janeiro,
que fica à mercê do consórcio e esperando “sei lá o quê”. Até porque, não
cumpriram com sua parte combinada na licitação. Via de mão dupla, os dois lados
não fizeram o prometido.
Comparando
de outra forma, a Alianz Arena em Munique, foi construída em condições
similares as do Maracanã. Um estádio para o mundial de futebol (2006) que
serviria a dois clubes rivais de uma mesma cidade. A principal diferença para
nosso caso, além das óbvias (economia europeia/alemã, poderio financeiro do
Bayern, etc.) foi que o estádio bávaro foi projetado para que os clubes
assumissem após a copa do mundo, diferentemente do Maracanã para  os nossos.
O
mítico estádio carioca foi “reformado” (reconstruído) com graves erros
conceituais de projeto, o principal deles se dá sobre a organização, o
posicionamento e o acesso exclusivo para torcida visitante, o que impede que
sejam distribuídos os ingressos necessários para o tamanho de cada torcida
visitante. O projeto trata de forma semelhante a torcida do São Paulo, clube
com torcedores na cidade do Rio e de residência próxima à cidade e a torcida do
Leon (México), que mesmo com menos e 80 torcedores (menos de 1% da capacidade
total), ocupou um espaço para 8.000 pessoas no Maracanã (aproximadamente 10%),
na Libertadores de 2014.
O Novo
Maracanã foi concebido para o público de seleções, não para clubes, sem pensar
no que ocorreria após a competição da FIFA. Mesmo assim, tenho muitas dúvidas
de que as seleções de Brasil e Argentina pudessem disputar uma partida no
estádio sem que fossem separadas as torcidas, com todo o estádio em setores
mistos. Imaginaram um Brasil x Argentina com torcedores misturados? Sob este
aspecto, o estádio alemão é sim parâmetro.
Logo
após o mundial de 2006, era sabido por todos que a Alianz Arena seria dividida
entre Bayern de Munique e o Munique 1860, rival histórico da cidade. Então,
fora projetado para que sua coloração externa mudasse de cor, em razão do
mandante dos jogos. Vermelho para as partidas do Bayern, azul para as partidas
do Munique 1860 e branco para as disputas da Seleção Alemã de Futebol. Com o
passar dos anos, e de forma bem particular, o Bayern assume a gestão completa
da instalação.
Por
conta de problemas financeiros, da instabilidade futebolística (não ascender à
primeira divisão), da aquisição por um excêntrico milionário jordaniano e por
não conseguir levar público para encher minimamente o estádio, o Munique 1860
desistiu da operação compartilhada de sua casa. O Bayern comprou sua parte e a
parte do Munique, pagando completamente por seus custos, antes do prazo
estipulado, inclusive a parte do clube rival. A Allianz Arena está quitada.
Voltemos ao Maracanã.
Diferentemente
do exemplo alemão, por conta de condições políticas e financeiras, o Flamengo
não terá a possibilidade de assumir o Maracanã, mesmo que eu tenha a certeza
absoluta de que essa não-possibilidade dependa em 99% de condições políticas. O
Estado do RJ não quer. Não deseja nenhum clube como parceiro. Só… que… o
estádio não fica de pé sem o Flamengo. Não fica. Vira o Coliseu, Wembley, ou
qualquer outro elefante branco. É dito e sabido pela imprensa que
aproximadamente 80% do lucro do Maracanã é proveniente dos jogos do Flamengo.
Um
aspecto fundamental para a manutenção do complexo e sua lucratividade é a
questão da multifuncionalidade do estádio. O Maracanã tem feito bem este
serviço. Pode ser muito melhor. Devemos pensar não apenas nos 70 dias de jogos
anuais (35 somados ao dia anterior que sempre traz movimentação da imprensa e
de torcedores para o estádio), temos que pensar nos 295 dias restantes (em
relação ao Flamengo, só para os jogos do Flamengo). O exemplo mais bem acabado
é o do Madison Square Garden, com mais de 300 dias/eventos por ano. É
insuperável!
Só que
o ginásio novaiorquino não tem apelo à marca dos estádios de futebol como o
Camp Nou (Barcelona) ou o Santiago Bernabeu (Real Madrid). O Maracanã com a
marca Flamengo teria. Hoje se promovem festas, casamentos, shows e eventos, mas
se o museu estivesse funcionando, um museu do Flamengo (ou dos clubes), lojas,
algo voltado ao tema principal do estádio em operação, os custos seriam
proporcionalmente mais baixos e os lucros mais elevados, mesmo que com a
promoção de obras necessárias para adaptações, como as de estacionamento.
O
Flamengo seria um clube capaz de unir as duas coisas em uma só, a
multifuncionalidade do estádio com a ativação automática da marca e a questão
histórica/sentimental, que está ligada aos clubes. O Maracanã seria mais
incrível do que já é. Lembrando que quando aberto, o Tour do estádio mais seu
museu fazia com que o estádio se tornasse o 3º ponto turístico mais visitado da
cidade (com potencial inexplorado, poderia ser o 1º).
Por
estas e outras, o “custo Maracanã” é de mais de 40MM de Reais/ano, sendo de
23MM em dias de jogos (informação do Mauro César Pereira, da ESPN Brasil). O
Flamengo tem sua história ligada ao estádio, que foi custeado com o dinheiro de
nossa torcida, seja por ingresso, seja por imposto. Está mais comprovado do que
nunca, que os clubes devem participar da gestão e de um possível edital para a
mesma, nem que seja para o dia do jogo (matchday). No mínimo!
E aí,
como fica? Essa pergunta eu repasso para o governador do estado do RJ e os
gestores do estádio. Eu fico do lado do Flamengo. Sempre! Será que a Odebrecht
pensou nos custos do estádio? Será que ela gere bem estes custos? Tive
informações, que não tenho como confirmar, que para ligar parte do estádio para
que ele opere administrativamente, o ar-condicionado central funciona para 80%
das instalações internas. Imaginem o desperdício? Esse é um custo, um item,
existem muitos outros a se pensar, a se pesar no cálculo diário/mensal/anual.
Sou um
cara que luta pela independência do Flamengo, seja ela econômica, política, de
qualquer esfera, mas vejo que o clube tem a obrigação de lutar pelo Maracanã, o
que aparentemente tem feito, já que publicamente o estádio é seu plano A, como
diz o Presidente Eduardo Bandeira de Melo. Passando por isso, nós contribuintes
temos a obrigação de gritar, lutar, tentar impedir que a segunda colocada no
edital de licitação, de forma estranha e apoiada pelo Estado do Rio de Janeiro
compre ou assuma o lugar da vencedora de um edital em que nem o licitante nem o
vencedor cumpriram suas obrigações. Dois anos depois da declaração de sua
derrota neste mesmo edital.
Como
fica, Sérgio Cabral (@SergioCabralRJ)? governador que licitou e afrouxou as
regras da licitação. Como fica, Luiz Fernando Pezão (@LFPezao)? Atual
governador e Vice-Governador da gestão anterior. Como fica, Marco Antônio
Cabral (@MarcoACabral)? Filho do ex-governador e atual secretário de esportes
(gestor da SUDERJ). Sem falar no Prefeito Eduardo Paes (@eduardopaes_), no
secretário de governo e virtual candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Pedro
Paulo (@pedropaulo), no partido dos citados, o PMDB (@PMDB_Nacional) que por
anos e anos vem impedindo que o Flamengo tenha sua casa ou evolua (não esqueci
da esdrúxula lei do deputado Paulo Melo (@PauloMeloAcao), que tenta impedir o
desenvolvimento do clube, e também, da questão da Arena de Basquete da Gávea,
que depende de uma última chancela da prefeitura, assinatura que esperamos
desde SETEMBRO de 2015). Como fica, Leonardo Espíndola? Secretário da Casa
Civil do Estado, que deu entrevista empolgado com uma passagem de guarda da ODB
para a Langardere/BWA. Uma vergonha!
Não
consigo esquecer, e preciso ressaltar, que com a BWA não tem conversa. Existe
um histórico de problemas e litígios entre o Flamengo e a empresa. E esses
caras querem assumir o que por direito pertence aos contribuintes do estado,
aos clubes. Os clubes sim, devem ter o direito a um novo edital, participar da
licitação, ter a possibilidade de fazer uma proposta. Perder ou vencer faz
parte, mas nem o direito de disputar a licitação foi conferido a Vasco,
Fluminense e Botafogo, pra não falar apenas do Flamengo. É uma vergonha! O
Maracanã vive sem os clubes? Então teremos de ser produto e produtor, o evento
fica por nossa conta.
Eu,
Luiz Filho, estou do lado do Flamengo, que é sim o maior produtor do espetáculo
e o trem pagador do estádio, além do contribuinte do Estado que paga seus
impostos, recolhidos pelo governo (investidos na reforma), e que também
contribuiu e na forma dos ingressos comprados ao longo destes 66 anos. E você,
de que lado está? Vamos, Flamengo!
Luiz
Filho

MAIS LIDOS

Thuler titular: Torcedores pedem oportunidades ao zagueiro

O Flamengo vem de uma dura derrota para o Independiente del Valle. No jogo contra os equatorianos, pela Libertadores da América, o sistema defensivo...

Perfil diz que Jorge Jesus aceitaria retornar ao Fla num cenário

O torcedor do Flamengo estava torcendo para Dome Torrent conseguir fazer com que o Flamengo continuasse jogando um futebol de alto nível. Entretanto, isso não aconteceu....

Flamengo terá que abrir os cofres caso demita Domenec

Domenec Torrent está por um fio de ser demitido do Flamengo, uma nova derrota diante do Barcelona de Guayaquil será o fim precoce de...

Diego Alves deve renovar o seu contrato com o Flamengo

O Flamengo possui um dos grandes elencos do futebol sul-americano. Mesmo com a sequência de títulos, o Rubro-negro conseguiu se segurar e manteve os...