quarta-feira, setembro 30, 2020
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Sobre a relação entre Guerrero e a torcida do Corinthians.

MEIA
ENCARNADA – O perrengue não se mostrou tão feroz quanto o anunciado. No
reencontro entre Paolo Guerrero e o Corinthians, os alvinegros apresentaram um
grau de razoabilidade incomum para o ambiente passional das arquibancadas e, em
especial, nestas relações que de uma hora para outra se tornam atribuladas
entre a torcida e aqueles que protagonizaram a história do clube. Tão
importante quanto formar ídolos é saber preservá-los. O problema muitas vezes
está no alvo da adoração, que nem sempre consegue conduzir com sabedoria
algumas situações delicadas, como foi o caso do peruano na saída do
Corinthians.
Paolo
Guerrero é autor de um dos gols mais importantes da história corintiana e maior
artilheiro estrangeiro do clube – antes de encerrar sua trajetória, ultrapassou
Carlos Tevez em gols anotados. E aqui é possível dizer que, mesmo com todo o
inegável mérito, Guerrero jamais alcançou o nível de identidade que o argentino
conseguiu com a Fiel. Porque, no Brasil, Carlitos é a cara do Corinthians – um
clube de massa, de enorme apelo popular, que reverencia o que poderíamos chamar
de Cultura da Dificuldade. E Guerrero é um centroavante de rara estirpe, mas
jamais encarnou este papel.
Comparações
de lado, é sempre revigorante nos debruçarmos sobre estas questões insolúveis
do futebol e, por consequência, da vida, gastando o tempo que não temos para
determinar sobre quais pilares místicos e morais se assenta esta indestrutível
fortaleza que atende por IDOLATRIA. Sempre, é claro, sabendo que se trata de
tema delicado e subjetivo que varia conforme as condições de temperatura,
pressão e, sobretudo, desespero.
Os
ídolos são poucos e de diferentes CEPAS. São vários os caminhos para se obter
ingresso VIP para a posteridade: apresentações de gala, gols decisivos, tempo
de clube, capacidade de identificação ou mesmo solidariedade na hora da
desgraça. Mas uma característica parece se elevar sobre as demais e está
presente em todos que ingressam no Olimpo do imaginário clubístico: a
abnegação. Para ser ídolo, o currículo do jogador pode ter um TRAÇO na lista de
títulos, mas é preciso que uma coluna seja recheada e coroada com estrelinha: a
de sacrifícios pelo clube.
Nós
sofremos pelo nosso clube e abrimos mão de diversas coisas – trocamos a PICANHA
pelo ingresso (cada vez mais com preço de caviar), o aconchego das quartas
chuvosas pelo risco de pneumonia, o cafuné em meio às cobertas pelo sovaco
incontrolável de um desconhecido. Então nada mais natural que para ser ídolo o
cidadão tenha sofrido ou aberto mão de alguma coisa também: vale um choro
compulsivo na derrota, o corpo destroçado pelo desrespeito ao limite físico na
mais dramática das vitórias ou mesmo uma negativa a uma oferta milionária. (Nós
não somos pagos para torcer, então nossa mente delirante vai continuar
acreditando até o final dos tempos que um dia surgirá alguém que não precise
ser pago para defender nosso clube.)
Com a
profissionalização do futebol, nossas exigências foram diminuindo. A relação
entre idolatrado e ADORADOR, no entanto, é daqueles três pilares que sustentam
certa índole romântica do futebol – os outros são a corneta desenfreada e a
mandinga a que recorrem os ateus naquele escanteio aos 48 do segundo tempo.
Guerrero sempre foi um profissional exemplar no Corinthians, jamais fez corpo
mole. Também não se sabe quais foram exatamente os termos da negociação com o
clube. Mas a exposição de toda aquele QUIPROCÓ desbotaram um pouco o lustre de
Guerrero e, para grande parte da torcida, o que resta é a frivolidade do fato:
Guerrero trocou o Corinthians pelo Flamengo.
E,
como consequência, o peruano sempre vai ser reconhecido como um dos nomes importantes
do clube, mas frequentando um andar um pouco abaixo daquele patamar que se
reserva aos poucos abnegados que levarão até o fim dos dias a condição de ídolo
marcada na paleta. Porque, para o torcedor, mais do que títulos, o que importa
é se sentir representado. Não interessa se comemorando ou sofrendo, desde que
sirva de espelho para aquele doce lunático sentado na arquibancada.
Douglas
Ceconello

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