domingo, setembro 20, 2020
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“Somos mais avançados que os estrangeiros”, diz Luxa.

Folha
de São Paulo – “Por que fomos entender que a Europa, que sempre perdeu pra
gente, está certa e nós estamos errados?”.

A
frase é do treinador Vanderlei Luxemburgo, que vê supervalorização das
doutrinas europeias no futebol brasileiro. Para ele, os técnicos nacionais não
devem nada a seus colegas estrangeiros.
À
Folha, o técnico cinco vezes campeão do Brasileiro aponta uma crise de
identidade como causa do mau futebol jogado no Brasil.
“Se
tenho jogadores com a qualidade de desmontar qualquer esquema, por que eu tenho
que transformar tudo em robô?”, indaga ele, cujo time que comanda, o
Flamengo, foi eliminado nas semifinais do Estadual do Rio.
A
equipe estreia neste domingo (10) no Brasileiro, contra o São Paulo, no
Morumbi.
*
Folha – Vemos técnicos brasileiros indo
para a Europa estudar futebol. Qual é o grau de defasagem que nossos
treinadores estão em relação a Guardiola, Mourinho, Ancelotti?
Vanderlei
Luxemburgo – Isso foi criado pela imprensa ou por parte dela. Como você mensura
um técnico retrógrado? Se baseia em resultado momentâneo. Diz: “Ah, perdeu
a Copa”. É a primeira vez que perde Copa no Brasil?
A
análise de que os técnicos brasileiros estão ultrapassados é muito injusta.
Sempre estudamos e soubemos de tudo o que acontece no futebol no mundo. Foi uma
opção do Tite fazer isso [estudar o futebol de outros países].
Trabalhei
lá fora. Somos muito mais avançados que eles. Se você conhecer a estrutura que
eles têm e a que nós temos, não é muito diferente. O que não temos é o poder
econômico deles.
A diferença é só financeira?
A
Alemanha veio aqui e deu um show de planejamento. Qual é a melhor economia do
mundo? É da Alemanha. Eles construíram centro de treinamento em tudo quanto é
canto. O governo… E a nossa economia aqui? Que ajuda nós temos de governo?
Acabaram os campos de futebol. Construíram prédios e mais prédios. E onde que
se joga bola hoje? Em centro de treinamento de grama sintética.
O Brasil falhou no planejamento para a
Copa-14?
Será
que o planejamento da Alemanha foi diferente do feito pelo Brasil de 1970? A
Alemanha fez um trabalho visando a Copa que já tinha um retrospecto de duas
Copas perdidas. Não é diferente do Brasil de 1966.
Se
você pegar as histórias das Copas, vai ver o seguinte: um país que perde a Copa
e mantém uma base, na próxima é candidato. Mas se você falar “nós perdemos
uma geração nessa Copa”, aí sim.
Jogadores
que eram para estar como grandes protagonistas, Kaká, Robinho, Ronaldinho
Gaúcho, Adriano, não jogaram a Copa. Naturalmente eram para estar lá. Os quatro
principais jogadores não mantiveram carreira a nível de seleção com êxito.
Então
é aí que eu me baseio na qualidade, planejamento. Somos modernos. Trabalhei no
Real Madrid e levei fisiologistas, fisioterapeutas, nutricionistas. Falam do
Mourinho [técnico do Chelsea], do Alex Ferguson. O Ferguson ficou por 30 anos
[na verdade, foram 26] no Manchester United para ganhar duas Champions
[League], com um baita orçamento. Se fosse aqui no Brasil, estaria fodido
[risos].
Ao fim das últimas Copas, os modelos
táticos usados pelos europeus têm se tornado padrão, como o 4-2-3-1, 4-1-4-1…
Quem
disse que o mundo joga no 4-1-4-1? Não existe 4-2-3-1. Existe um 4-3-3
disfarçado. Criaram um volante como se fosse 4-1-4-1. Estão muito preocupados
com isso e esquecendo a essência. Por que fomos entender que a Europa, que
sempre perdeu pra gente, está certa e nós estamos errados? Será que não
esquecemos de manter nossa cultura e avançar com a doutrina nossa, com a nossa
qualidade?
Se
produzo jogadores com a qualidade de desmontar qualquer esquema, com qualidade
individual, por que eu tenho que transformar tudo em robô? Que cultura nós
temos? Esquema tático? Isso não é a nossa cultura.
Acha que o futebol brasileiro perdeu sua
essência?
O que
aconteceu com nossas origens? Por que nós temos um campeonato que não revela
mais um jogador? Isso que nós temos que voltar a discutir. Onde estão as nossas
raízes? Temos que discutir para voltar à essência do futebol brasileiro, e não
à essência do futebol europeu.
Como se sentiu no caso da mordaça, em que
foi punido por criticar o Estadual do Rio?
O
futebol é um processo ditatorial. Desde a Fifa até aqui. Eu posso criticar o
presidente do meu país e não posso criticar o campeonato? Tem alguma coisa
errada.

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