Sucesso de público, jogos às 11 horas divide jogadores.

Por: Fla hoje

Globo
Esporte – Paulo Henrique Vilela é torcedor doente do Atlético-MG. Mora em
Diamantina, a 297 quilômetros de Belo Horizonte. É sócio do clube e se esforça
para ser um espectador assíduo dos jogos do Galo, mesmo que seja difícil ir
para a capital mineira. Mais difícil ainda era levar seu filho Gabriel, de 4
anos. Até que viu na tabela um jogo contra o Joinville, em um domingo, às 11h.
Não pensou duas vezes. Seria o batismo de Gabriel no Mineirão. Antes, o pai já
havia levado o garoto ao Independência, mas quando ainda era bebê. Ele só se
enganou ao achar que seria um jogo tranquilo. 
– Acho
que muitos pais tiveram a mesma ideia que eu – disse Paulo. 
É
possível. A partida teve 55.987 torcedores, maior público (presente) do
Brasileirão até agora. Segundo Paulo, o horário foi essencial para a
experiência. Entre os oito melhores públicos do campeonato, quatro são no
domingo pela manhã. Se consideradas apenas as nove partidas disputadas nessa
faixa, a média de público pagante seria 23.756. Como parâmetro,
a média geral está em 14 mil. As partidas às 16h de domingo, que são as mais
realizadas no torneio, têm média de 13.920. E a maior média da história, a da
edição de 1983, teve 22.953.
Para a
CBF, o horário é um sucesso e já passou do período de testes. A partir da 15ª
rodada serão duas partidas às 11h no domingo. O público ainda se acostuma e,
segundo uma pesquisa encomendada pela entidade, está dividido sobre o assunto.
Tudo ainda é novo no futebol brasileiro. Jogadores, técnicos, diretorias e
torcedores se adaptam. Mas o que muda na rotina desses personagens? O
GloboEsporte.com fez quatro perguntas a respeito da novidade e tentou respondê-las.
QUAL O PERFIL DA TORCIDA?
Acordar,
ver o jogo do seu time e ainda ter tempo para aquele almoço de família no
domingo. Essa opção tem atraído muitas famílias que vão aos jogos às 11h. No duelo entre
Inter e Coritiba, pela sexta rodada, mais de 10% do público presente foram de
crianças (4.393 de 41.954), maior que a média dos outros jogos em que o Colorado
foi mandante. O diretor de marketing do clube, Luiz Henrique Nuñez de Oliveira,
sentiu a diferença. 
– O
horário foi muito bem aceito. É um horário legal, o jogo acaba antes do almoço
de domingo, acho que foi válido. Pelo que se observou, o público foi um pouco
mais familiar. Mais pais com crianças. O horário favorece, apesar de que essa
partida (Inter x Coritiba) teve uma particularidade, as homenagens ao Fernandão
– comentou o dirigente, reforçando que a partida foi marcada por várias
lembranças ao ex-ídolo do clube, morto há um ano.  
Até
esta quarta, o jogo com maior público do Palmeiras havia sido na terceira
rodada, contra o Goiás, às 11h de domingo. Além da boa presença, a partida teve
uma particularidade: 83% dos torcedores eram sócios. Nos outros cinco jogos da
equipe como mandante, a maior taxa foi de 77% – o boletim financeiro de
Palmeiras x Avaí ainda não foi divulgado. Para o presidente alviverde, Paulo
Nobre, o horário da partida fez diferença.

Identificamos que parte do presentes desse horário consistia em um público um
pouco diferente do habitual. O horário facilita, por exemplo, a presença de
sócios-torcedores de outras cidades e que não podem vir em jogos realizados
mais tarde. São, principalmente, palmeirenses que aderem ao Avanti para ajudar
o clube e aproveitam as partidas às 11h para acompanharem o time – explicou o
dirigente, que se diz disposto para utilizar o domingo pela manhã em outras
partidas.
Paulo
Henrique Vilela, que aproveitou o jogo entre Atlético-MG e Joinville para levar
o pequeno Gabriel ao Mineirão, também percebeu a mudança do perfil no
público. 
– Eram
muitas crianças, muitas famílias. A gente costuma levar criança para estádio em
jogo de estadual, contra adversário menor, com pouco público, para deixá-las
brincando. Crianças normalmente não costumam prestar atenção nos 90 minutos,
então a gente sempre procura tentar levar em um jogo mais tranquilo. Mas a
estreia dele (de Gabriel) foi em um jogo com público de 55 mil pessoas. No
final foi ótimo, porque agora ele sempre me pede para voltar e canta todas as
músicas da torcida do Galo – opinou o torcedor atleticano. 
COMO É NOS OUTROS PAÍSES?
O
horário não é novidade nos principais campeonatos do mundo, principalmente para
que os jogos sejam transmitidos ao redor do planeta. No entanto, ao menos na
temporada passada, nenhum desses torneios teve uma partida tão cedo. Os duelos
às 12h de domingo são tradição no Campeonato Inglês. Alguns também são às
12h45. Mas no campeonato de 2014/15 nenhuma partida ocorreu antes disso.  
O
Campeonato Espanhol também usa a mesma faixa: meio-dia de domingo. Na Itália,
os confrontos mais cedo foram às 12h30 de domingo. Em outros países, ir ao
estádio nesses horários não tem sido um costume. Na Alemanha, ninguém
acompanhou partidas mais cedo do que às 15h30. Nos campeonatos de Portugal,
França e Argentina também: jogos às 16h para o Campeonato Português, 14h no
Francês e 15h na atual edição do Campeonato Argentino.
O QUE MUDA NA ROTINA?
Se
para a torcida o horário é atraente, para jogadores e técnicos é, no mínimo, um
exercício de adaptação. Os clubes têm que impor mudanças na rotina de
preparação. O Atlético-MG, que não praticava a concentração antes dos jogos
desde que Levir Culpi assumiu o cargo, teve que modificar a programação. Os
atletas tiveram que se apresentar na Cidade do Galo às 20h do sábado, na prévia
do confronto com o Joinville.   
A
determinação no time mineiro se deu devido a uma das principais recomendações
para os atletas: dormir cedo. Outra mudança é nas refeições, especialmente o
café da manhã que antecede a partida. Antes de jogar contra o Palmeiras, a
nutricionista do Goiás, Sandra Nascimento, fez uma palestra para os seus
jogadores.  

Falamos sobre a necessidade de eles dormirem um pouco mais cedo e,
principalmente, tomarem café da manhã, já que às vezes alguns atletas não
descem para esta refeição – reforçou Sandra.
Ainda
no Campeonato Paulista, o Palmeiras atuou duas vezes no horário. Com a
experiência adquirida, a nutricionista da equipe, Alessandra Favano, se tornou
referência. A profissional foi procurada por outros clubes, que desejavam fazer
uma preparação semelhante. A principal recomendação é em relação ao que se
comer no café da manhã e até evitar o uso de eletrônicos para que não sejam
estimulados a permanecerem acordados. No cardápio do café, estão massas,
tapioca, pães, sucos e frutas e até batata doce. O Santos também adotou o menu
antes da partida contra o Sport.

Procuramos antecipar as refeições noturnas para que eles possam dormir mais
cedo. Antecipamos o jantar e o lanche da noite para que eles tenham um estímulo
para jogar mais cedo. No dia da partida, eles têm que fazer uma refeição por
cerca de três horas antes da partida, e essa refeição tem que ser rica em
carboidrato e que tenha alimentos do hábito dos atletas. Então vai ter pão,
bolo, cereais, integrais, frutas, café, leite, porém também oferecemos outros
alimentos que vão fazer com que eles tenham disponibilidade de energia durante
a partida, uma massa, utilizo batata doce, tapioca. Às vezes mandioca. Para que
eles tenham maior reserva de energia para a partida – explicou Favano. 
Alessandra
Favano não vê grandes problemas nos jogos matinais, ao menos do ponto de vista
nutricional. Segundo ela, a alimentação dos atletas pode ser adaptada a
qualquer horário que seja praticada a atividade.
– Tem
que se adequar ao horário que o atleta vai disputar uma competição. Por
exemplo, um maratonista que corre 8h, então ele tem que fazer uma refeição às
4h, ou 5h, reforçada em carboidrato. Você tem que usar mão dos recursos da
nutrição para repor a energia durante a competição – analisou.
Além
de promover o retorno da concentração, Levir Culpi não fez tantas alterações na
programação do Atlético-MG para enfrentar o Joinville. Segundo o treinador, os
jogadores já estão acostumados a fazer atividades matinais.

Gostei do horário porque os torcedores e jogadores ganham mais tempo para
aproveitar e ficar mais com a família aos domingos. A preparação não muda muito
porque os jogadores estão acostumados a treinar pela manhã – avaliou.
O QUE PENSAM ATLETAS E TÉCNICOS?
A
opinião de atletas e comandantes que atuaram no horário é variada. O clima é o
principal argumento para os que não se animaram muito com o jogo. Após empatar
por 0 a 0 com o Goiás, pela sétima rodada, o técnico da Ponte Preta, Guto
Ferreira, reforçou que é preciso bom senso para escolher os estádios onde os
jogos serão realizados no domingo pela manhã.
– O
Moisés Lucarelli, por exemplo, é um estádio aberto, no qual o sol toma conta
tanto na arquibancada quanto no gramado. O fato de ser aberto faz com que tudo
aqueça muito. É diferente de jogar no novo Palestra Itália, na Arena do Grêmio.
As arenas, em geral, conseguem manter um ambiente mais fresquinho na parte da
manhã. Essas arenas têm muita sombra por causa da cobertura, então o jogo fica
um pouco menos desgastante nesse horário. Mas acredito que tanto aqui no
Moisés, quanto na Ilha do Retiro, em Chapecó, em Joinville, Florianópolis,
enfim, nesses estádios, a coisa fica mais pesada – ponderou Guto.  
Até o
momento, somente clubes do Sul e Sudeste do país receberam partidas às 11h de
domingo. No duelo entre Ponte e Goiás, em Campinas, o árbitro Pablo dos Santos
Alves paralisou a partida duas vezes para que os atletas se hidratassem. Alguns
torcedores também pediram atendimento médico devido ao calor na cidade no
horário. O atacante Borges teve um mal-estar durante o intervalo. Neto Moura,
meia do Sport – que atuou duas vezes como visitante no horário –, também sentiu
dificuldades nas partidas contra Santos e Avaí.  
– É um
horário que a gente tem que dar uma dosada. Não adianta atacar com tudo. Tem
que ter calma e esperar um pouco para atacar nas horas certas – avaliou.
O
Palmeiras já atuou três vezes nas manhãs de domingo neste ano, duas pelo
Paulistão, e uma no Brasileiro. O volante Gabriel esteve presente nas três
ocasiões e fez o gol da vitória contra o XV de Piracicaba, na primeira
experiência com o horário. Ele admitiu dificuldades de adaptação na primeira partida,
mas achou os dois jogos seguintes mais tranquilos.
– Já
jogamos três vezes neste ano. É um horário bom para a torcida, mas para os
jogadores ainda requer adaptação. Muda muita coisa, tem de dormir mais cedo, o
café da manhã é macarrão… Temos de nos adaptar a esse novo método ainda. Eu
gostei de jogar nesse horário. Você acorda e já está no jogo. Eu acordo cedo,
não mudou muito. No primeiro jogo sentimos um pouco a diferença, pelo sol, pelo
calor e até pela alimentação, porque foi difícil comer macarrão às 7h. Isso
pesou um pouco na primeira, mas fizemos três jogos já nesse horário. Na segunda
já houve uma evolução, na terceira nem se fala, apesar da derrota. Nos
adequamos bem a isso.
Enquanto
todos ainda se acostumam à novidade, o atleticano Paulo Henrique Vilela
acompanha a tabela para ver a próxima partida do Galo às 11h de domingo para
que possa levar Gabriel novamente ao estádio.
– Eu
gostei da ideia. O horário é bem legal. Não mata o domingo totalmente. Pode
almoçar, pode sair, ir no parque. Meu filho está me cobrando.

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