segunda-feira, setembro 21, 2020
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Técnico do Flamengo para colorir.

República
Paz e Amor – Desisto.

Tento,
de todas as maneiras, adotar uma postura de primeiro mundo, europeia,
civilizada, e acreditar que os treinadores precisam de tempo para solidificar
seu trabalho e que nenhum time evolui mudando o comandante a cada três meses.
A
paciência acabou.
Custei
a engrossar o caldo dos que pediam a demissão de Vanderlei Luxemburgo, e acho
que durante um bom tempo fiz papel de bobo. Hoje, ponho na conta do emérito
professor muitos dos problemas rubro-negros, sendo que o principal deles foi
ter atirado no lixo a pré-temporada e o campeonato estadual, sempre sob o
discurso no qual eu caí feito patinho: nosso futebol precisa deixar de ser
imediatista, o Campeonato Brasileiro exige planejamento, etc. Conversa mole
para enganar blogueiro ingênuo.
Critiquei
Cristóvão diversas vezes em posts anteriores, mas sempre me posicionei contra
sua demissão. Cansei. E, por favor, que ninguém venha me dizer que o gol da
Ponte Preta foi por acaso. Eu sei. Que ninguém venha reclamar do azar que demos
nas bolas que bateram na trave. Verdade. Mas eu só consigo atribuir mais essa
derrota, em um jogo que sequer estava difícil de ganhar, à decisão de trocar
Alan Patrick por Luiz Antonio.
Para
não ser injusto – semana passada Alan Patrick tinha pedido para sair, o que não
absolve o técnico quanto à escolha do substituto –, fui à caça de razões para o
absurdo e encontrei a explicação no site do jornal O Dia. Indagado sobre o
porquê da troca, Cristóvão respondeu o seguinte (parágrafo, aspas e
estupefação):
“Era
justamente para o que aconteceu no segundo tempo, quando a gente conseguiu
marcar melhor a Ponte. Aí tomamos o controle do jogo e criamos mais
oportunidades, que foram mais claras. Jogamos melhor no segundo tempo. A Ponte
chegou muito menos. A substituição era para isso e o objetivo foi alcançado.
Pena a gente não ter aproveitado bem as oportunidades que criou.”
Definitivamente,
vejo futebol de um jeito e Cristóvão vê de outro. Como não ganho um centavo
para escrever no RP&A e ele belisca algo em torno de 150 mil por mês no
Flamengo, a lógica me leva a admitir que quem está certo é ele. O difícil é
convencer disso a maior torcida do mundo, que já está de saco devidamente
inflado.
Pelo
que tenho lido e escutado, a minoria que ainda sustenta posição contrária à
demissão o faz por dois motivos. Primeiro: não há bons nomes disponíveis.
Segundo: o time tem evoluído. Ambos procedem. Mas de que adianta evoluir, se o
próprio treinador faz questão de destruir uma das principais causas da
evolução? E quando a teimosia atinge níveis como os que temos observado em
todos os nossos jogos, nada pode ser pior que o pirracento. Hélio dos Anjos,
Murtosa, Jair Pereira, qualquer aberração capaz de distribuir as camisas – com
exceção de Ney Franco, claro – é melhor do que um cidadão que se recusa a aceitar
o óbvio e parece empenhado em colar na própria testa o adesivo de turrão.
Uma
das primeiras coisas sobre futebol que aprendi com meu pai foi uma frase que
ele repetia feito dogma: técnico bom é o que não atrapalha. Cristóvão tem
atrapalhado.
Ao
contrário da declaração entre aspas acima destacada e dos enganos a que podemos
ser levados pelo tal número de chances, fomos muito mais organizados e jogamos
bem melhor no primeiro tempo do que no segundo.
A
desculpa de Cristóvão é ridiculamente esfarrapada. Como dominamos os primeiros
45 minutos e a Ponte pouco ameaçou, não tinha por que alterar o time para
marcar melhor. Ao tirar Alan Patrick – que, cabe registrar, está longe de ser
essa Coca-Cola toda –, perdemos precisão no toque de bola e arrumação em campo.
Do
mesmo modo que acontecera na partida contra o Santos, e embora com menos
volume, no primeiro tempo fomos um time de futebol e isso tem muito a ver com a
presença de Alan Patrick. Não deu dribles magníficos, não fez lançamentos
primorosos, não concluiu com perigo a gol, mas com ele o time é outro. O
Flamengo corre, briga, desarma, mas só quando a bola chega aos pés de Alan
Patrick é que mostramos o mínimo de clarividência. Pode não parecer, mas ao
longo do jogo isso faz diferença.
Outro
ditado que eu costumava ouvir quando criança, e esse irrefutável, nos ensina
que errar é humano, mas insistir no erro é burrice.
Com
enorme decepção, sou obrigado a reconhecer que o trabalho de Cristóvão à frente
do Flamengo tem revelado, sob a pele de cordeiro, um treinador teimoso e
prepotente. Porque, vamos combinar, será que todo mundo está errado e só ele
conhece o caminho do bem?
PS:
Essa semana saio para doze dias de descanso. Como a grana anda curta – ah, os
150 do Cristóvão! –, estarei escondido mas por perto. Não sei se vai dar, mas
tentarei ver os jogos contra Atlético Paranaense, Palmeiras e Vasco, e quero
ver se consigo publicar alguma coisa. De antemão, aviso que será impossível
responder os comentários como gosto de fazer. Mas não deixem a peteca cair. Se
houver post, entrem, comentem, debatam. Vou ali e volto já.
Jorge
Murtinho

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