quinta-feira, setembro 24, 2020
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Técnico Muricy volta com fome de bola e contagia jogadores no Fla

GE – A cena se repete a cada treino do Flamengo
nesta pré-temporada em Mangaratiba. O treinador Muricy Ramalho chega pouco antes das 9h no campo do resort, ao lado
do inseparável auxiliar Tata. Longe do grupo de jogadores no aquecimento, ele
observa e troca ideias com outros membros da comissão técnica. Quando a bola
rola, o treinador exibe o bom e velho jeito de comandar as equipes. Bem de
perto, Muricy gesticula, chama o jogador, grita, pede marcação, não deixa
ninguém ficar parado e contagia o grupo rubro-negro.
Após oito meses parado para cuidar da saúde, Muricy retornou ao futebol mais magro e
com fome de bola. Desde o primeiro dia em Mangaratiba, colocou jogadores com o
brinquedo preferido deles. Quase todos os treinos físicos são com a redonda
colada ao corpo – e com o próprio Muricy arremessando as bolas para a atividade
não parar. Com o aval do preparador físico que trouxe, Carlito Macedo, o
técnico intensifica os treinos com bola e prepara a equipe para o jogo-treino
da próxima quinta-feira contra o Tigres, em Mangaratiba.
– Trabalhei nos últimos 10 anos na Europa e
no futebol árabe. Lá é norma já colocar a bola no início das atividades.
Alternar a base física com a técnica. Por isso desde o primeiro momento a bola
faz parte da preparação – lembra Carlito.
Um dos entusiastas da contratação de Muricy Ramalho, o diretor de futebol
Rodrigo Caetano, acompanha de perto a preparação do time. Nessa segunda-feira,
o treinador colocou todos os quatro goleiros do elenco para ficarem como último
homem de linha. Aliás, no São Paulo foi Muricy quem aprovou de vez Rogério Ceni
como batedor oficial de pênaltis e faltas.
– Ele vem com métodos daquilo que o futebol
atual exige. Desde o início, sempre priorizando a posse de bola, envolvido com
as atividades, interessado em tudo, nos detalhes. E com a liderança dele: a
cobrança, com nível de exigência nos treinamentos, que todos podem ver –
comenta Rodrigo Caetano, reforçando que o treinador conquistou funcionários com
a simplicidade e o trato no dia a dia.
O zagueiro Antonio Carlos, de 22 anos, disse
que a chamada que o treinador dá nos atletas ajuda principalmente os mais novos
a não se acomodarem.
– Gosto desse tipo de treinador que nem ele.
Que tem cobrança o tempo todo. Tem que ser assim para não nos acomodarmos.
Quero treinar ainda melhor para fazer sombra ao titular, que vai ter que se
esforçar mais ainda – apostou o jogador.
Em campo, por enquanto, apenas três mudanças.
Rodinei entrou na vaga de Pará, Juan fez companhia a Wallace e William Arão ganhou o lugar de Canteros.
Muricy ainda vai ter oportunidade de observar Marcelo Cirino e Ederson – além,
é claro, de Mancuello. O Flamengo mostra bastante cautela no aproveitamento
desses jogadores, tentando equilibrar os músculos dos atletas e condicioná-los
da melhor forma possível antes da temporada. 
Esteira
para se cuidar
Agitado por natureza, Muricy Ramalho, aos 60 anos, passou por problemas de saúde mais
graves no ano passado, quando se afastou para a retirada de uma pedra na
vesícula. No dia-a-dia em Mangaratiba, fora do trabalho no campo, o treinador
caminha em ritmo intenso na esteira e mostra preocupação em se cuidar. Nos
treinos, não poupa esforços e muito menos gritos.
“Não anda, não!” foi o primeiro
aviso logo no primeiro treino em Mangaratiba. A cobrança é rígida. O treinador
pede marcação forte, movimentação da equipe e tem reprimido chutão ou as
chamadas ligações diretas. Quer o time tocando a bola e procurando espaços. William Arão, que tem boa saída para o
ataque, tem recebido elogios do treinador.
Após um fim de ano marcado pela indisciplina
que mereceu punição da direção do clube, o treinador conquistou também os
dirigentes do alto escalão rubro-negro. Em visita a Mangaratiba, os
vice-presidentes Flavio Godinho e Plínio Serpa Pinto deixaram claro que o
efeito da contratação de Muricy também era uma espécie de choque de ordem no
grupo para 2016.

– O astral está muito bom. Notamos a
serenidade, a credibilidade, a experiência e o respeito que o Muricy impõe. É
um clima diferente do que terminou o ano passado. Estamos aqui para dar
condição de trabalho, porque esse ano, como diz a marchinha, este ano não vai
ser igual aquele que passou. Nossa forma de trabalho coincidiu com a do Muricy,
um homem respeitado e vencedor. É só o início do trabalho. Estamos a todo vapor
e com muito otimismo – disse Godinho.

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