Teste para as convicções.

Por: Fla hoje

Fotos: Gilvan de Souza / Flamengo

CARLOS
EDUARDO MANSUR
: Há bons motivos para acompanhar a nova temporada do futebol
brasileiro com um olhar especial voltado para a beira do campo: poucos aspectos
surgem tão fascinantes quanto o rejuvenescimento dos treinadores em algumas das
mais pesadas camisas do país. Parece, mas não é um teste de maturidade só para
técnicos: é também para clubes e para a nossa forma de ver o jogo.

Mais
do que um exame de maturidade, será um teste de convicção. Submeter os jovens
treinadores às mesmas exigências irracionais e imediatistas que regem o futebol
do país, à avaliação do resultado acima do desempenho e da evolução de um
trabalho, será desperdiçar uma oportunidade. Não basta renovar nomes sem transformar
o ambiente ao redor.
A
condução destes técnicos aos postos que vão ocupar em 2017 indica um movimento
de abertura a novos nomes, mas ainda tem claros traços de decisões nem sempre
baseadas em projetos ou na opção madura por um novo modelo.
Zé Ricardo
foi interino por 11 rodadas no Flamengo, testado até se impor pelos números. O
corintiano Fábio Carille foi efetivado no ano passado “até dezembro”, como
garantia a diretoria, depois trocado por Oswaldo de Oliveira e, após incursões
frustradas no mercado, voltou a ser subitamente o preferido do clube. Ainda que
tenha sido logo anunciado como efetivo, é nítido que foram os resultados que
sustentaram Jair Ventura, e não o padrão de jogo e a organização que deu ao
time. E é justo entender que o São Paulo enxergou em Rogério Ceni não só um
técnico promissor, mas o ídolo para apaziguar uma arquibancada insatisfeita.
O caso
é que uma oportunidade bateu à porta: se começasse hoje, a Série A do
Brasileiro teria 11 dos 20 clubes comandados por técnicos com, no máximo, 50
anos; desde a Copa do Mundo, a discussão tática cresceu no país; e o contato
permanente com a evolução do jogo em um mundo global disparou o alerta de que a
atualização é fundamental. Ideias modernas afloraram no país, representadas
tanto pela ascensão dos jovens quanto por nomes experientes, como Dorival
Júnior, no Santos.
A
falta de critério e a pressa que predominam na avaliação de treinadores fazem o
Brasil ser dado a ondas, modismos. Houve a época do “técnico estrangeiro”, como
se fosse uma categoria à parte,que definisse um estilo de trabalho. Há três
anos, o início da temporada trazia a oposição aos “técnicos medalhões”, um dos
muitos clichês que prosperam aqui. Jovens ou antigos, a ordem era fugir do
circuito tradicional: o Flamengo tinha Jayme de Almeida; o Botafogo, Eduardo
Hungaro; Enderson Moreira treinava o Grêmio e Gilson Kleina já tinha mais de um
ano no Palmeiras. A tese que os levou aos cargos era tão frágil que nenhum
sobreviveu a julho.
Claro,
a safra atual tem mais conteúdo, mas nem todos terão resultados em prazo curto.
Só se criará um terreno seguro se, mais do que a mera aposta na idade, o
compromisso de quem os contrata for com o método, a ideia, o estilo de jogo a
implantar. Caso contrário, seguiremos nos movendo no terreno da aleatoriedade e
diante das demissões justificadas pelo número de jogos ganhos e perdidos. A
renovação que enriquece é a de ideias. Negligenciá-las é desperdiçar uma onda
boa.
Novos desafios
Quando
se cobra tempo para um técnico trabalhar, não se trata apenas de preservá-lo. É
também para que seja confrontado com novos desafios, obrigado a solucionar
novos problemas, lidar com elencos que lhe imponham condições diferentes para
que implante suas ideias. Eis outro fator que torna a temporada de 2017 fascinante.
No
Flamengo, a chegada de Conca pode conduzir Zé Ricardo a um modelo de jogo
oposto ao atual, sem os pontas. De qualquer forma, a sua permanência já
colocava na agenda a ampliação do repertório tático do time. O mesmo acontecerá
com Jair Ventura, no Botafogo. O time especialista em realizar um forte sistema
de marcação e a busca de soluções rápidas no ataque agora terá Montillo. A
presença do argentino ao lado de Camilo muda características, impõe adaptações
ao modelo de jogo.
No
Atlético-MG, Roger viverá ambiente distinto ao de um Grêmio com que tinha
intimidade, terá que solucionar um time marcado pelo desequilíbrio no último
ano. E Rogério Ceni estará no seu ambiente, no seu clube, mas propondo métodos
novos no país.
Vê-los
progredir diante de novos desafios dará mais segurança para declarar o sucesso
da renovação. Após um 2016 em que a seleção brasileira nos conduziu, em campo,
a patamar mais realista de avaliação, 2017 pode amenizar outro complexo
nacional: o do atraso tático.

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