quarta-feira, setembro 23, 2020
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Times ameaçam colocar times sub-23 nos Estaduais.

COSME
RIMOLI – Um enorme festival de hipocrisia. Esta a melhor definição para a briga
teatral entre CBF, Federação Carioca, Liga Sul-Minas-Rio e Flamengo e
Fluminense. Era óbvio que o confronto viria. E ele chegou, poderoso, sem
direito a empate. Resta saber se os personagens terão coragem de ir às últimas
consequências ou não passam de bufões barulhentos. Se forem, acabarão
desmoralizados.
Vale a
pena recordar como tudo chegou a esta patética situação. Os dirigentes dos clubes
grandes brasileiros estão cansados de serem obrigados a disputar os
deficitários e ultrapassados Estaduais. Isso há anos. Mas as cotas da tevê e os
empréstimos das Federações os calavam.
Só que
a rebeldia começou de quem menos se esperava. O presidente do Atlético
Parananense, Mario Celso Petraglia, nunca foi um progressista. Pelo contrário
até. Mas ele se irritou com as baixas cotas da Globo e decidiu. A partir de
2013, o Campeonato Paranaense seria disputado pelo Atlético com jogadores
sub-23. Seus jogos não seriam mostrados pela emissora. E assim a vida seguiu,
sem tragédia.

dois anos, a Copa do Nordeste renasceu. Um sucesso de público e audiência. É um
torneio regionalizado, disputado por equipes que raramente chegam à
Libertadores. Ou seja, não são tão afetadas pela principal disputa na America
do Sul. Por isso podem disputar seus obrigatórios e fraquíssimos estaduais sem
precisar poupar atletas.
O
profundo relacionamento entre o presidente da Federação Carioca, Rubens Lopes,
e o presidente do Vasco, Eurico Miranda, incomodou profundamente as diretorias
do Flamengo e do Fluminense. Aproximou os rivais. A revolta maior veio no
Carioca de 2015. Ambos se sentiram prejudicados e juraram que não disputariam o
próximo estadual do Rio. Não com os times principais. Queriam o troco em Lopes
e em Eurico.
Foi
quando souberam que os principais clubes gaúchos, mineiros, catarinenses e
paranaenses decidiram se livrar dos deficitários e inúteis estaduais. Estavam
revivendo o torneio Sul-Minas. A CBF não colocaria maiores obstáculos. Mas
quando Flamengo e Fluminense acertaram suas participações, tudo mudou.
Marco
Polo del Nero, fragilizado na presidência da CBF, a princípio aceitou. Houve
uma celebração. Não haveria confronto. Rubinho e Eurico tentaram fazer flamenguistas
e tricolores mudarem de opinião. Lançaram no ar a história que voltaria o
Rio-São Paulo. Mas não comoveram os rivais.
A CBF
anunciou o calendário para 2016 sem a Copa Sul-Minas-Rio. Isso intrigou os
dirigentes. Porque Del Nero havia sido tão solícito. Só que na sexta-feira,
Rubens Lopes divulgou uma nota avisando. Havia a necessidade de aprovação de
uma assembléia geral na CBF para a aprovação do torneio e da Liga unindo os
clubes. Sem ela, o campeonato seria ilegal. Estava no próprio estatuto da
entidade.
Além
disso, ontem, Rinaldo Martorelli, presidente da Federação Nacional dos Atletas
Profissionais, fez uma providencial visita à CBF. Deixou claro que, com mais um
torneio, os jogadores não descansariam 60 horas, obrigatórias por lei. O engraçado
é que ele não quis nem levar em consideração a possibilidade de os clubes
revezarem seus atletas, evitando a falta de descanso. O discurso de Martorelli
foi francamente favorável à Federação Carioca e à CBF, já que Marco Polo del
Nero havia mudado de lado. Acabou convencido que estava correndo o risco de
perder o controle, o poder absoluto no futebol brasileiro.
Os
clubes nordestinos seguiam submissos à CBF, mesmo com a Copa do Nordeste. O
mesmo poderia não acontecer, com os revoltosos Flamengo e Fluminense, à frente
do processo.
Rubens
Lopes convenceu Marco Polo a dar um ‘golpe’ que mataria a Sul-Minas-Rio. Não
haveria a menor chance de ser aprovada na Assembléia Geral da CBF. Por um
simples motivo. Quem votaria seriam as 27 Federações e 20 clubes da Série A. Ou
seja, tudo aconteceria de acordo com a vontade das Federações. E seus
presidentes merecem todos adjetivos criados nesta Terra. Menos o de ingênuos.

está cada vez mais claro que a própria CBF não tem motivo para existir. A não
ser organizar campeonatos, inscrever jogadores, explorar a Seleção Brasileira e
intermediar a venda de transmissão da televisão. Todas essas funções, os clubes
poderiam exercer, se seus presidentes não fossem omissos, covardes,
comprometidos por empréstimos, adiantamentos. E tivessem o mínimo de visão de o
quanto são sugados.
Os
dirigentes estão acordando para a CBF. Mas já despertaram em relação às
Federações. Sanguessugas dos Estaduais. Baseiam sua vida no ano em torneios
cada vez mais deficitários, inúteis. Finalmente os clubes resolveram se
rebelar. Se cansaram de jogar contra times de aluguel de empresários. E
partiram para os torneios regionais. Rubens Lopes percebeu o óbvio. Seria o
início do fim dos Estaduais se a Liga Sul-Minas-Rio fosse aprovada. O torneio
tem tudo para ser muito mais interessante que o Carioca, torneio morto,
exaurido, que não leva a nada.
Nesta
briga de personagens, ninguém melhor e menos escandaloso do que Alexandre Kalil
para lutar pela Liga. Ele estava certo que já havia vencido. Até que foi à sede
da CBF ontem. Foi avisado que Rubens Lopes estava no prédio. E quando ouviu que
Marco Polo havia recuado e que faria uma Assembleia Geral, para ver se as
Federações aprovavam o novo torneio, ficou possesso. Fez muito bem a leitura.
Rubinho havia dobrado Marco Polo.
Kalil
havia levado a divisão dos grupos. Apesar de 15 participantes, apenas 12 clubes
jogariam a competição de 2016. Grupo 1: Cruzeiro, Fluminense, Avaí, América-MG.
Grupo 2: Grêmio, Internacional, Atlético-PR, Chapecoense. Grupo 3: Atlético-MG,
Flamengo, Figueirense e Coritiba. As partidas aconteceriam dentro dos grupos.
Os primeiros colocados e o melhor segundo disputariam semifinal. Os vencedores,
a final. Cinco datas. O ex-presidente do Atlético Mineiro tinha até a tabela.
Só esperava confirmar com Marco Polo.
Diante
da insistência pela Assembléia, Kalil passou a telefonar aos seus parceiros. Em
consenso ficou definido que ele sairia da CBF, atacaria a entidade. E uma
reunião entre os clubes estava marcada na sede do Cruzeiro. A ordem era fazer o
torneio de qualquer maneira. Advogados das equipes alegam que não precisam da
bênção da CBF, já que o torneio tem uma conotação amistosa. Não classifica para
outra competição da entidade.
Só que
a CBF vai reagir. Marcou a Assembleia Geral para analisar o torneio na próxima
terça-feira, dia 27. Está mais do que claro que a competição não será aprovada.
Só que
a postura radical de Marco Polo, incentivada por Rubens Lopes, está provocando
um efeito colateral. Flamengo, Fluminense, os grandes mineiros, gaúchos,
catarinenses e paranaenses ficaram até mais próximos. E vão levar a sério não
só o torneio. Mas a Primeira Liga, nome que criaram para designar sua união.
A
primeira providência que estão dispostos nesta guerra é disputar os Estaduais
com equipes sub-23. O que será um desastre para as federações e também para a
Globo, dona dos torneios.
A
situação nos bastidores é de puro confronto.
A CBF
finalmente está enfrentando uma insurreição.
Se os
clubes não fraquejarem, pode mudar a relação de poder no Brasil.
É tudo
o que Marco Polo e Rubens Lopes não querem.
“Não
precisamos de assembléia alguma.
Temos
o direito de organizar um torneio e vamos fazer.
Não
temos de dar satisfação à Casa dos 7 a 1.”
O
resumo é de Alexandre Kalil.
Mais
direto impossível.
“Esse
torneio pirata não sai.”
A
garantia é de Rubens Lopes.
Ele
aposta na covardia dos presidentes dos clubes…
(E
como os inteligentes leitores lembraram. Os grandes times paulistas estão calados,
comportados. Há motivo. Acabam de renovar com a Globo a transmissão dos
Estaduais até 2021. Por isso a insurreição passa longe de São Paulo…)

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