segunda-feira, setembro 28, 2020
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Títimo, Zé Ricardo tenta abraçar oportunidade no Flamengo.

Foto: Nicholas Modesto

GLOBO
ESPORTE
: O treinador que a torcida do Flamengo vai ver pela primeira vez na
beira do campo no domingo tem só 45 anos, mas vem de uma longa estrada.
Professor de colégio municipal na Zona Norte do Rio de Janeiro, José Ricardo
Mannarino, o Zé Ricardo, é um homem de hábitos simples, próprios de quem
convive há mais de 20 anos longe da badalação dos campeonatos profissionais, e
poucas palavras. A ponto de ficar tímido quando fala sobre o próprio trabalho.

– É um
desafio do tamanho da torcida, e conto com o apoio de todos. Agradeço ao clube
por ter me dado essa chance, e espero que o Muricy se recupere o mais rápido
possível – disse, em referência a Muricy Ramalho, que deixou o cargo por
problemas de saúde.
Educador
e formador, o treinador interino do Flamengo já viu muitos jogadores iniciarem
trajetórias de sucesso e outros tantos ficarem pelo meio do caminho.
– O
futebol é cheio de armadilhas – costuma dizer.

Ricardo terá sua primeira chance nos profissionais em toda a sua carreira. A
oportunidade surge no seu melhor momento. O título da Copa São Paulo de
Juniores deste ano reforçou a impressão como um dos mais promissores técnicos
de toda a base brasileira por vários companheiros. Assumiu o cargo em outubro
de 2014, quando o time sofria diversas críticas, efeitos colaterais de um 7 a 0
sofrido contra o Fluminense no primeiro semestre daquele ano. Vinha de um ótimo
momento no time sub-15, a “Geração 2000”, que chegou a ter seis
jogadores na Seleção brasileira da categoria.
Logo
em sua primeira final na nova função, Zé Ricardo  conquistou a Copa OPG, torneio disputado só
por times cariocas, e chegou a passar mais de 30 jogos invicto com os juniores.
No início de 2015, ele disputou a Copa São Paulo e o Flamengo foi eliminado
pelo Atlético-MG nas oitavas de final nos pênaltis, após empate sem gols. Em
agosto, foi campeão estadual após vencer os dois turnos em cima do Botafogo.
Era um título que o Rubro-Negro não conquistava desde 2007.
O
título de maior repercussão, no entanto, foi a Copinha de 2016, com uma vitória
por 2 a 0 sobre o São Paulo, campeão da Libertadores Sub-20, nas quartas de
final. Na decisão, a taça foi conquistada nos pênaltis sobre o Corinthians,
após empate por 2 a 2 com o Pacaembu lotado. No intervalo, o Rubro-Negro perdia
por 2 a 0.
– Eu
achei que o time jogou bem no primeiro tempo, criou oportunidades, então
incentivei os jogadores. Fiz apenas duas mudanças táticas: recuei o Trindade
para jogar como volante ao lado do Ronaldo e dar mais liberdade para o Lucas
Paquetá e inverti os pontas, Matheus Sávio e Cafu – explicou depois do jogo.
Equilíbrio, estudo e facilidade com jovens
Uma
das características mais visíveis de Zé Ricardo para quem acompanha os jogos do
Flamengo é a tranquilidade em campo. Dificilmente o técnico é visto se
esgoelando na beira do campo, gritando com os comandados. Atento, ele busca
observar sempre os jogos e orientar. Como, por exemplo, na final da Taça
Brasil-Japão Sub-15 de 2014, em que o Rubro-Negro goleava o Corinthians por 4 a
0 e ele dizia.

Vamos respeitar! Tem colega de profissão de outro lado.
O
estudo do jogo é algo que também está presente em todas as conversas sobre o
técnico, que tentou a carreira de jogador como zagueiro do São Cristóvão e do
Olaria, mas se aposentou precocemente. Apontado como referência no futsal
carioca, ele passou por Flamengo, Vasco e Botafogo na década de 90. No
Cruz-Maltino, foi técnico dos meias Felipe e Pedrinho em 1993, no
infanto-juvenil.
Além
do futsal carioca, Zé Ricardo comandou equipes adultas na Itália, antes de
migrar para o campo em 2005, para assumir o time mirim do Flamengo. Nesse meio
tempo, ele conviveu muito com jogadores entre 14 e 19 anos, o que faz com que,
além dos aspectos táticos do jogo, tenha também uma boa capacidade de
comunicação com garotos.
– O
que me impressiona nele há muito tempo é que ele sempre consegue convencer os
jogadores dele a fazerem o que ele quer, e tem os grupos na mão. No futsal,
quando ele mudava de clube, os jogadores queriam ir com ele. E acho que, mesmo
depois de ter migrado para o campo, ele continuou com essa metodologia, de
trazer sempre o jogador para o lado dele. Além disso, sempre monta os times
muito bem – elogia Rafael Marques, repórter da Rádio Globo, que foi supervisor
de futsal do Fluminense no final da década de 90.
No
mirim, em 2005, Zé Ricardo aprovou jogadores como Thomas, e comandou parte dos
campeões da Copa São Paulo de 2011. Ele saiu do clube em 2008 para comandar o
Audax-RJ, e retornou em 2012, já no sub-15. Foi, por exemplo, o responsável
pela indicação do centroavante Felipe Vizeu, a quem viu jogar em uma competição
em Belo Horizonte pelo América-MG.
Convite para a Seleção recusado
Em
março de 2015, o telefone de Zé Ricardo tocou. Era Erasmo Damiani, coordenador
de base da CBF, que o convidava para assumir a Seleção brasileira sub-15.
Recém-promovido para o sub-20 na época, o treinador conversou com os dirigentes
da base rubro-negra e, depois de pensar muito, decidiu ficar.

Foram as 48 horas mais difíceis da minha carreira profissional. Não é nenhum
demérito à categoria sub-15, até porque é e continua sendo um sonho. Mas pela
confiança que o Flamengo me deu, e a percepção de que o clube evolui em todos
os setores, decidi ficar. Foi uma escolha complicada, e eu decidi com meu
coração – contou.
A
aposta, ousada, tem dado certo até agora. E o primeiro jogo de Zé Ricardo como
técnico do Flamengo é contra a Ponte Preta, neste domingo, às 11h, em Campinas.

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