Torcedor já pode voltar a acreditar no Flamengo?

Jogadores do Flamengo saudando a torcida na Ilha do Urubu – Foto: Gilvan de Souza

ESPN
FC:
Por João Luis Jr.

Se tem
algo que não combina com o flamenguista, é pessimismo. Somos uma nação de
apaixonados que apoiam até o último segundo, que acreditam mesmo diante do
obstáculo mais intransponível, que seguem torcendo mesmo quando outros nem
entenderiam mais pelo que torcer. O Flamenguista vê o líder do campeonato a 15
pontos de distância e não pensa que o campeonato acabou, mas sim que tem pela
frente um desafio; vê a derrota por 3×0 fora de casa e não acha que não vale a
pena ir no jogo de volta, mas sim que história pode ser feita; vê que o Adriano
postou uma foto mais magro no Instagram e não fica feliz por ele se cuidar, mas
sim pensa em como encaixar o Imperador e Guerrero no esquema do Zé Ricardo.
Exatamente
por isso a eliminação na Libertadores nos colocou num estado “antinatural” de
flamenguismo. Uma parte da torcida de mal com o time, outra parcela desiludida
com o treinador, vários até dando 2017 como um ano perdido, considerando que
esse grupo, após mais um histórico papelão na competição sulamericana, seria
incapaz de disputar seriamente qualquer coisa nesse ano, fosse o Brasileirão, a
Copa do Brasil, a própria Sul-Americana, se bobear nem uma rodada de Imagem
& Ação valendo uma prenda no fim do churrasco.
E,
claro, o Flamengo não estava exatamente se esforçando para convencer a torcida
do contrário. Atuações medíocres, um Zé Ricardo que parecia mais propenso a
perder o cargo do que abrir mão de suas convicções, jogadores chave da equipe
vivendo algo que aquela sua amiga que entende de horóscopo classificaria como
inferno astral independente de quando fosse o aniversário deles, como se no
mapa astral do Flamengo existisse apenas uma grande imagem do Márcio Araújo
deixando um adversário escapar e apontando na direção da jogada.
Mas aí
veio a Ilha do Urubu. E aí vieram 4 vitórias seguidas. E aí vieram todos os
golaços, seja de Diego, seja de Guerrero, seja de Cuellar. E a zaga pareceu se
ajustar, e Zé Ricardo aceitou que William Arão mal estava em condições de
sentar no banco sem cair, quanto mais de continuar em campo durante partidas
importantes. E o Flamengo alcançou o G4, com um futebol que, se não é ideal, ao
menos se mostra competitivo o bastante para vencer com certa tranquilidade os
times que vem enfrentando recentemente.
Mas o
Flamengo realmente entrou nos eixos? O esquema voltou a funcionar, Rhodolfo é a
peça que faltava na defesa, o ataque que já era forte tende apenas a melhorar
conforme Éverton Ribeiro se entrosar e o Flamengo deve continuar a evoluir
durante o campeonato, perseguindo os líderes na briga por um título que muitos
já imaginavam que era impossível rodadas atrás? Ou pegamos apenas uma série de
partidas fáceis, o fator campo pesou, e Zé Ricardo logo logo voltará a escalar
seus jogadores de estimação e não apenas teremos um meio com Márcio e Arão,
como se bobear Gabriel vai colocar Éverton Ribeiro no banco e na coletiva nosso
treinador vai dizer que ele “se destacou nos treinamentos”?
Ainda
que seja cedo para responder isso, temos motivos para acreditar a primeira
opção possa estar correta. O setor defensivo melhorou com Rhodolfo, a dupla de
volantes, ainda que esteja longe de ser perfeita, funciona melhor com Cuéllar,
Éverton Ribeiro claramente ainda precisa de mais entrosamento mas é fácil ver
como ele já se entende com Diego. Guerrero segue em excelente fase, Thiago
ainda não é um goleiro pronto mas passa mais segurança que Muralha, a Ilha do
Urubu, apesar de todas as questões que precisam sim ser discutidas sobre política
de preços, se tornou o caldeirão que o Flamengo precisava.
Pela
frente temos uma Sulamericana que podemos disputar de igual para igual com
qualquer equipe, uma Copa do Brasil onde já saímos com a vantagem no primeiro
jogo, um Campeonato Brasileiro onde o líder realmente abriu uma certa distância
mas nada que seja impossível de alcançar. Cinco rodadas atrás estávamos mal?
Sim, estávamos. Agora voltamos a acreditar que podemos ganhar tudo? Sim,
provavelmente. Afinal, como eu já disse, se tem algo que não combina com o
flamenguista, essa coisa é o pessimismo.

Por: FlaHoje

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