segunda-feira, setembro 28, 2020
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Torcida única em clássicos é uma falsa solução.

Torcida do Flamengo na Arena Botafogo – Foto: Cris Dissat / Fim de Jogo

LANCE:
Desde abril deste ano a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo determinou
que os clássicos jogados no Estado tivessem apenas a torcida mandante presente.
Desde então, ocorreram sete jogos deste tipo, aparentemente sem incidentes. Até
que neste domingo, antes do jogo Corinthians e São Paulo, foi relatado um
confronto. Não no estádio, mas em Carapicuíba, a 47 km do estádio.

Um dia
antes, jogaram Botafogo x Flamengo
no Rio de Janeiro, onde não há a obrigatoriedade de torcida única em clássicos.
Houve briga entre “torcedores” e um deles foi espancado até a morte.
O confronto aconteceu de manhã no bairro de Bento Ribeiro, que fica a mais de
20 km do estádio onde houve o jogo.
Na
semana passada, após a derrota do São Paulo para o Atlético Nacional pela
Libertadores da América, houve uma série de relatos de violência e crimes praticados
no entorno do estádio, além de confronto com a Polícia Militar. Não era
clássico, mas era jogo de grande volume de pessoas e praticamente de torcida
única, já que não há nenhuma rivalidade latente com o Atlético Nacional e de
fato as brigas não tiveram nada a ver com a torcida adversária.
É
claro que não se pode sacramentar uma conclusão a partir de três fatos, mas
parece cada vez mais claro que a determinação de torcida única tem impacto
mínimo na redução da violência relacionada ao futebol. Ou no mínimo que há
muito pouca relação entre uma coisa e outra. Sim, desde que foi implantada esta
medida em clássicos em São Paulo só houve algum tipo de relato de violência em
um jogo. Assim como também não eram em todos os clássicos com duas torcidas
presentes que aconteciam episódios deste tipo.
No
caso dos clássicos, há muitos anos que os confrontos acontecem bem distantes do
estádio, às vezes muitas horas antes ou depois do jogo. Os episódios deste fim
de semana mostram isso, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. O fato de
ter torcida única portanto tem pouca influência pra conter este tipo de
situação. E o acontecimento no estádio do Morumbi reforça ainda mais esta tese:
era jogo de uma torcida só, e pessoas vestidas com a camisa do próprio clube ou
da torcida organizada praticaram os atos criminosos e de vandalismo.
A
conclusão é meio óbvia mas precisa ser dita. A solução é identificar e punir os
indivíduos que praticam estes atos, no mínimo impedindo-os de fato de
frequentar os estádios e no máximo colocando-os na cadeia, de acordo com o
crime praticado. Uma briga é uma briga, um assassinato é um assassinato, tenha
sido praticado por pessoas usando a camisa de um clube ou não, em dia de jogo
ou não. A determinação de torcida única é inócua para conter a violência e o
único efeito dela é privar o torcedor de bem, que é a grande maioria, de seguir
seu clube do coração no estádio adversário. Uma pena.
*Fernando
Trevisan é responsável pela Trevisan Escola de Negócios e Especialista em
Gestão da Academia LANCE!

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