segunda-feira, setembro 21, 2020
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Última final entre Bota e Vasco teve influência de Eurico.

ESPN –
O tempo passou e, 18 anos depois, Botafogo e Vasco se encontram novamente em
uma final de Campeonato Carioca. Mas de 1997 para 2015 pouca coisa mudou.
Brigas de clubes entre si e com Ferj, influência de Eurico na política com
apoio da Federação. Todos os ingredientes fizeram parte das duas competições.

Neste
ano o cartola vascaíno, de volta ao poder no clube, foi um dos protagonistas do
racha entre a dupla Fla-Flu e a Federação, apoiada por Vasco e Botafogo. A
briga começou com a imposição, em arbitral, da redução de preços de ingressos.
Rubro-negros e tricolores se posicionaram contra. Vasco e Botafogo, com apoio
da Ferj e de seu presidente, Rubens Lopes, a favor. Os clubes pequenos,
alinhados coma Federação, salvo o Volta Redonda, foram atrás. E o campeonato
rachou. Como em 1997.
A
competição disputada naquele ano teve consequências até mais graves. Foram três
turnos em disputa. O Botafogo, comandado por Joel Santana, venceu os dois
primeiros, Taça Guanabara e Taça Rio. Caso vencesse o terceiro seria campeão de
forma direta. O Vasco, então líder da terceira fase do Carioca, agitou os
bastidores da competição. Então vice de futebol, Eurico Miranda acionou o
presidente da Ferj, Eduardo Vianna, o Caixa D´água, para parasalisar a competição
baseado em um argumento: tinha quatro jogadores convocados pelas seleções
principal e sub-20.
Carlos
Germano e Edmundo estavam com Zagallo para a disputa da Copa América na
Bolívia; Pedrinho e Helton teriam de se apresentar à seleção sub-20 para o
Mundial da Malásia. Em 26 de maio, a Ferj deu o aval e paralisou o Carioca até
o fim da Copa América, em 29 de junho. A medida revoltou o Flamengo, que ainda
tinha chances de conquistar o terceiro turno. O clube rubro-negro, revoltado,
abandonou o Carioca e perdeu por W.O. as partidas contra Americano e o próprio
Vasco, que acabou campeão do terceiro turno.
“O
Flamengo lamenta profundamente que essa artimanha venha bagunçar anda mais este
campeonato. Essas coisas afastam cada vez mais o torcedor do estádio. A atitude
do Caixa D´Água em adiar o jogo mostra claramente que o presidente de fato da
Federação é o Eurico Miranda”, disse, à época, o então presidente
rubro-negro, Kleber Leite.
A CBF,
tentando contornar a situação, adiou a data de apresentação da seleção sub-20,
deixando o Vasco com apenas dois jogadores convocados, limite máximo segundo o
artigo 100 do regulamento geral no qual o clube cruzmaltino se baseava. Além
disso ameaçou o Vasco de punição, que Eurico ignorava.
“Enfrento
qualquer punição”, disse o cartola na época.
Por
ter vencido dois turnos, o Botafogo entrou na decisão com cinco pontos de vantagem
e uma disputa de melhor de sete pontos. Precisava, portanto, de dois empates ou
uma vitória para ser campeão. No primeiro jogo, após a Copa América, em 5 de
julho, o time vascaíno venceu por 1 a 0. A partida ficou marcado pelo lance em
que Edmundo, com a bola nos pés, parou e rebolou na frente de Gonçalves,
zagueiro e capitão do Botafogo.
Na
finalíssima, o Botafogo venceu por 1 a 0, gol de Dimba, que literalmente comeu
grama na comemoração. Ao celebrar o título, os jogadores alvinegros comemoram
aos passos da “Dança da Bundinha”, capitaneados por Gonçalves,
rebolando para ironizar Edmundo. Diante de tanta confusão, o público no
Maracanã foi esvaziado: apenas 16.854 torcedores pagaram para assistir ao jogo.
Em 90, confusão com a “volta olímpica
da caravela”
Sete
anos, Vasco e Botafogo se enfrentaram em outra decisão que ficou marcada na
história do Campeonato Carioca justamente pelos desentendimentos. Tudo por
conta do regulamento.
Vencedores
da Taça Guanabara e da Taça Rio, respectivamente, Vasco e Fluminense
disputariam a final. Mas caso houvesse um time que somasse mais pontos ao longo
da competição, ele aguardaria na final a disputa entre os dois. Com isso, o
Botafogo apenas esperou pelo adversário, Fluminense ou Vasco.
Com a
vitória do time cruzmaltino, o Campeonato Carioca acabou paralisado para a
disputa da Copa do Mundo da Itália. Neste tempo, um arbitral foi convocado na
Ferj para modificar o regulamento, tentando evitar que o Botafogo precisasse de
uma simples vitória para conquistar o título. O clube alvinegro não aceitou e a
proposta acabou rejeitada.
No dia
29 de julho de 1990, o Botafogo venceu o Vasco por 1 a 0 gol de Carlos Alberto
Dias no Maracanã. O time se considerava campeão e deu a volta olímpica com uma
taça. Contrariado, o Vasco acreditava ser necessária ainda uma prorrogação para
decidir o título. Com isso, os jogadores deram uma vola olímpica com uma
caravela de papelão, cedida por um torcedor da geral do estádio. Mas não houve
jeito. Por decisão judicial, o título de 90 acabou referendado pela Ferj ao
Botafogo.

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