domingo, setembro 27, 2020
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Uma tarde no chiqueiro.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

BUTECO
DO FLAMENGO
: Salve, Buteco. Cheguei ao Estádio Nacional Mané Garrincha com
minha irmã, que mora em Lisboa, e minhas filhas cerca de duas horas antes do
início da partida. Até achei que a entrada foi melhor organizada do que em
outros eventos. A fila andou mais rápido, porém algo me chamou a atenção: a
proporção de palmeirenses era alta. Do lado de fora do estádio, o número era
inferior, porém não distante do número de rubro-negros. Ao entrar, dirigi-me ao
local onde gosto de assistir às partidas do Flamengo: inferiores, setor sul,
defronte à parte central do gramado. Contudo, em volta havia uma horda verde
ensandecida que cantava todas as marchas das torcidas organizadas palmeirenses,
as quais, ressalte-se, encontravam-se isoladas nas cadeiras superiores, no
setor sul, lado direito. Minha filha mais nova bradou: “Pai, aqui só tem
palmeirense maluco; estou nervosa.” Minha irmã: “Você me trouxe para
um covil. Por quê?” Antes que a minha filha mais velha me culpasse pela
crise na Faixa de Gaza e pela falta de contratação do zagueiro, picamos a mula
e fomos parar em uma “quina” no setor norte do estádio. Boa visão,
abaixo em diagonal de algumas das TOs do Flamengo – Jovem e Urubuzada. Mais
rubro-negros em volta, o clima melhorou, inclusive pra mim (rsrsrsrsrs).

***
A
situação me lembrou muito a que vivenciei em 24 de agosto de 2013, no mesmo
Mané Garrincha, contra o Grêmio, sob o comando de Mano Menezes, pelo Campeonato
Brasileiro daquele ano. Assim como o Palmeiras, o Grêmio não jogava na capital
federal havia vários anos. No caso do Palmeiras, acredito, salvo engano, que não
havia jogado no Mané Garrincha reformado para a Copa do Mundo/2014. Naquela
partida de 2013 tinha bem menos gente no estádio, mas pude perceber, tal como
ontem, uma torcida “carente” em assistir ao seu time ao vivo em um
estádio de futebol. Acredito que o efeito, sob o ângulo esportivo, não só
poderia como de fato foi calculado e cedeu à perspectiva de arrecadação, a
qual, se analisada isoladamente, foi um tremendo sucesso. Mas estamos falando
de um esporte, não? Futebol é um esporte de alto rendimento. Onde foi parar a
competitividade?
Neste
ponto lembro que Brasília, por ser a capital federal, tem população descendente
ou oriunda de todos os estados e portanto é proporcionalmente composta por
torcedores de todos os times grandes do país. A do Flamengo é maior e
compareceu em maior número ao estádio, mas a disputa de clássicos no Mané
Garrincha, especialmente em condições como a de ontem, e aqui me refiro a uma
torcida “carente”, que não assiste ao time jogar na cidade há anos,
equivale a ceder ou no mínimo dividir o mando de campo, tornando-o neutro, e
abdicar de uma vantagem no quesito esportivo. A rigor, o estádio ficou dividido
– nas superiores, inegável maioria rubro-negra; nas inferiores, a torcida do
Flamengo, mais acostumada a comparecer ao estádio em Brasília, parece ter
chegado em cima da hora, mas foi o setor em que havia mais palmeirenses e onde
parece ter havido equilíbrio presencial.
Coincidência
ou não, tanto na partida em que me vi rodeado por gremistas histéricos, como
ontem, cercado pela horda palmeirense, o instável Flamengo perdeu. Volto então
ao centro da discussão: até que ponto é válido abdicar de uma vantagem
esportiva em troca de arrecadação?
***
A
Polícia Militar mais bem remunerada do país, paga pela União, no segundo jogo
consecutivo pelo campeonato brasileiro (um da Série B, outro da Série A) não
consegue impedir confrontos entre torcidas organizadas e a disseminação de
substâncias tóxicas no ar, causando ânsia de vômito, tosses e mal estar nos
torcedores. Primeiro, na partida entre Vila Nova/GO x Vasco da Gama, pela Série
B, na terça-feira, 24 de maio; ontem, na partida entre Flamengo x Palmeiras.
Para quem não sabe, o Vila Nova/GO, minúsculo no cenário nacional, tem uma TO
digna de futebol inglês, que não afina e nem “deixa a desejar” no
quesito brutalidade a qualquer TO de time grande do Brasil ou da América do
Sul. Uma força de segurança pública tão bem remunerada não deveria conhecer
esses marginais, preparar-se adequadamente e prevenir situações como essas?
Lamentavelmente,
dois membros da Nação Rubro-Negra foram hospitalizados em graves condições de
saúde por conta de agressões de uma TO palmeirense, notória por sua selvageria
e imbecilidade. A cada dia que passa nós brasileiros perdemos uma parcela de
nossa cidadania.
***
As
duas equipes jogaram de forma “espelhada”, cada uma com seu 4-3-3. Zé
Ricardo deu a impressão de querer explorar os contra-ataques com a velocidade
de Everton e Fernandinho pelas pontas. O time, porém, também porque se
encontrava sem saída de bola, cedeu campo ao Palmeiras e o que se pôde ver
frequentemente foi Muralha cobrar tiros de meta com longos chutes para o campo
adversário, que sempre retomava a posse de bola. Nesses momentos, a primeira
linha de quatro do Flamengo se adiantava até a altura do círculo central, no
nosso campo de defesa, demonstrando que, se não foi orientação do treinador, o
time, como equipe, taticamente dentro de campo se ajustou dessa maneira na
primeira etapa. O resultado foi o Flamengo acuado a maior parte do primeiro
tempo.
Gostei
do fato de Zé Ricardo haver tentado corrigir esse defeito. A primeira linha
recuou e passou a trabalhar a saída de bola. Talvez não por acaso a equipe
começou a segunda etapa jogando muito melhor, pressionando o o Palmeiras e
criando algumas situações de gol. O jogo passou a ser equilibrado, diferente da
primeira etapa, quando houve predomínio palmeirense, até a jogada em que Léo
Duarte, que até então fazia ótima partida, errou no bote e propiciou o lance de
gol em que César Martins… Bem, a zaga comprometeu em dois lances capitais que
propiciaram ao Palmeiras a vitória. Como a zaga adversária não retribuiu a
gentileza, o Flamengo perdeu a vaga no G4. Como Zé Ricardo, acho que a expulsão
definiu as chances do Flamengo na partida.
O
saldo, ao meu ver, considerando o nível do elenco e do treinador adversário, é
a urgente necessidade de reforçar a zaga, inclusive porque terminamos com
Willian Arão jogando como quarto-zagueiro, assim como a necessidade do nosso
treinador, muito promissor, trabalhar a saída de bola do time, começando por
explicar o porquê de optar por Márcio Araújo ao invés de Cuéllar como primeiro
volante.
Sobre
Márcio Araújo, é um profissional exemplar, de invejável preparo físico e
grandes explosão e velocidade. Todavia, além de ser aflitivo assisti-lo jogar,
por sua tendência quase natural de afastar-se de sua posição tática deixando
espaços que ele parece acreditar que pode ocupar em recuperação com sua
velocidade, cuida-se de um jogador sem a menor condição de participar de uma saída
de bola com qualidade, tanto que seus companheiros efetivamente o alijam dessa
atividade quando a saída ocorre na base do toque de bola.

Ricardo, que começou fazendo bom trabalho, precisa se explicar.
***
A
propósito, Zé Ricardo terá uma semana de treinos para a partida contra o
Figueirense, no próximo domingo, em Florianópolis, no Orlando Scarpelli.
A
palavra, como de costume, está com vocês.
Bom
dia e SRN a [email protected]
Gustavo
Brasília

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