Variações e dificuldades: o jogo-treino de Conca no Flamengo.

Conca em jogo-treino do Flamengo contra o Mesquita – Foto: Gilvan de Souza

CHUTE
CRUZADO
: Assim que foi liberado pelo departamento médico do Flamengo, Conca
causou expectativa na torcida rubro-negra. Contratação de maior renome na
temporada, o argentino primeiro participou de treinos de forma mais ativa. O
jogo-treino contra o Mesquita, na tarde desta segunda-feira, seria o degrau
mais decisivo para mensurar a real capacidade do meia até o momento. A julgar
pela atividade, Conca terá de esperar mais um pouco. Galgar minutos. Buscar
maior mobilidade. Parece contraditório, mas quase um ano após a lesão no joelho
direito, o argentino ainda precisa de tempo. Realidade difícil para a torcida,
o clube e, principalmente, para o próprio jogador. Mas a atividade não foi em
vão. Longe disso.

O
placar final de 4 a 1, com dois gols de Adryan, um de Vizeu e outro de
Mancuello, trouxe perspectivas interessantes para o futuro do Flamengo. O
jogo-treino foi dividido em três tempos de 30 minutos. No primeiro, Zé escalou
a equipe em um 4-3-2-1. Romulo, Ronaldo e Mancuelo formavam a trinca atrás da
dupla formada por Diego e Conca no meio, com Damião à frente. Chamou a atenção.
Uma equipe que praticamente evitou o jogo aéreo. A missão era bola de pé em pé,
troca farta de passes, de um lado para o outro. Mas aí um destaque: nada de
passes meramente laterais. Com dois meias em campo, a busca foi também por
enfiadas de bola, toques verticais, buscando ultrapassar a marcação de um
Mesquita que parecia postado em 4-5-1.
Romulo
centralizado ao meio tinha a missão de iniciar o jogo ao receber a bola dos
zagueiros. O volante participou de 60 minutos da atividade e mostrou melhor
condição física. Teve fôlego para deixar a defesa e ainda aparecer mais à
frente, sem indicações de cansaço ou passadas lentas. Mancuello fez o papel de
volante pela esquerda, talvez a sua posição ideal. Tem qualidade no passe e
buscava sempre o meio, abrindo a lateral para os avanços de Renê. O argentino,
no entanto, deve melhorar a marcação. Mesmo em um jogo-treino, mostrou
dificuldades para manter o ritmo na frente e atrás, o que deixava buracos e causava
desequilíbrio a equipe. Diego, por vezes, tentava cobri-lo. Ainda assim, foi
dele o primeiro gol da atividade. Troca de passes verticais entre ele, Diego e
Ronaldo. Ao receber da intermediária, Mancuello arriscou o chute de longe. A
bola desviou na zaga e encobriu o goleiro.
A
outra ponta do tripé do meio de campo, Ronaldo, foi mais um a mostrar
qualidades. E teve função interessante no 4-3-2-1. Foi quem mais se aproximou
dos meias, avançando muito pelo lado direito, buscando tabelas com Diego, Conca
ou Rodinei. Funcionou e abriu um questionamento sobre o porquê de ser tão pouco
aproveitado na equipe principal. O Flamengo foi bem dominante e o Mesquita
pouco viu a cor da bola. O time rubro-negro atacava em bloco. Por vezes, apenas
Léo Duarte, seguro, permaneceu antes da linha do meio de campo. Os outros nove
jogadores subiam para pressionar o adversário. Entramos, então, no setor mais
visado da atividade: a dupla Diego e Conca.
Inicialmente,
Diego começou pela esquerda e Conca pela direita. Mas em cinco minutos
inverteram. A troca de posições foi farta durante a atividade. Se um zagueiro
acompanhava o camisa 35 individualmente, por exemplo, se confundia ao vê-lo
recuar, ajudar na marcação e sair da direita para a esquerda. Diego, de volta
da lesão contra o Botafogo, mostrou estar muito bem condicionado: o ritmo foi
intenso durante os trinta minutos em que esteve em campo. Correu, marcou,
buscou tabelas e aproximou de Damião. Errou o tempo de bola por algumas vezes,
algo natural pelo tempo parado. Mas, fisicamente, está apto. O que não parece
ser o caso de Conca.
O
argentino mostrou dificuldades para correr, resultado do longo tempo parado.
Conca buscou toques rápidos. Recebia a bola, passava rápido. Mas estava ainda
deslocado, tentando achar espaço e ritmo em campo. Por vezes voltou até antes
do meio de campo, pela direita, para buscar a bola com Romulo e tentar criar
jogadas. Ainda é difícil o retorno em uma partida pegada como as do Campeonato
Brasileiro, por exemplo. A impressão é de que será presa fácil da marcação até
retomar sua condição física. Por isso, deve ser mais fácil retornar aos campos
aos poucos. Talvez em vitória construída por placar largo, aos 30 minutos do
segundo tempo. E assim somar minutos, aumentar a intensidade a cada treino e
jogo. Treino é treino, jogo-treino é jogo-treino e jogo é jogo. Por enquanto,
pensá-lo no time titular é quase impossível. Mas o 4-3-2-1, com dois meias,
agradou.
No segundo tempo, meia atua centralizado
Após
breves minutos, os times voltaram a campo para a segunda etapa no Ninho do Urubu.
Zé Ricardo fez três modificações. Renê, Diego e Damião deixaram o jogo-treino
para as entradas de Cafu, Matheus Sávio e Vizeu. O time se acomodou no seu
confortável 4-2-3-1, com Cafu na lateral esquerda, Romulo de primeiro volante,
Ronaldo de segundo. Na frente, Mancuello retomou a posição de início de
temporada, na ponta direita, Conca ficou centralizado e Matheus Sávio pela
esquerda. Houve mais dificuldades. A troca de passes do primeiro tempo
diminuiu. E Conca, talvez já com o desgaste físico, apareceu menos. Foi um time
mais lento, menos intenso. E o jogo, claro, buscou mais os pontas.
Mas
Mancuello não é ponta de origem. Caiu mais do lado para o centro, tentando o
arremate e o diálogo com Conca. Funcionou pouco. Em uma subida ao ataque,
Romulo bateu cruzado da esquerda e Vizeu escorou para o gol na segunda trave.
Este, um ponto positivo. O centroavante da base mostrou ser muito mais
participativo do que Leandro Damião. A maior mobilidade permitiu as
infiltrações de Matheus Sávio, por exemplo, no confundir da marcação do
Mesquita. Antes do fim da segunda etapa, Zé Ricardo mudou mais três vezes.
Saíram Ronaldo, Mancuelo e Conca com 17 minutos de bola rolando. Entraram
Vinicius Junior, Lucas Paquetá e Adryan. Um ataque dos garotos já alçados aos
profissionais.
Pareceu
indicar um 4-1-4-1, com Romulo na posição de volante atrás do bloco de quatro
jogadores à frente: Lucas Paquetá, Adryan, Matheus Sávio e Vinicius Junior. Os
dois primeiros revezavam as subidas ao ataque pelo lado direito. Matheus Sávio,
por vezes, recuava um pouco para tentar tabelas com avanços pelos lados. Em um
desses, ele achou Adryan entrando pela na área no lado esquerdo. A batida
rasteira deixou o placar em 3 a 1 – à essa altura, o Mesquita fizera seu gol de
honra em um chute dado de fora da área e desviado pelo atacante, de costas para
o gol.
No
último tempo da atividade, Zé escalou diversos jogadores da base e mesclou com
as revelações entre os profissionais. A última meia-hora de jogo teve a
seguinte escalação: Cesar; Wesley, Marquinhos, Patrick e Cafu; Gabriel, Matheus
Sávio e Lucas Paquetá; Adryan, Vizeu e Vinicius Junior. A seis minutos do fim,
Adryan aproveitou falha do goleiro em lançamento para a área, dominou e
finalizou o placar em 4 a 1. Um bom aproveitamento diante de um rival muito
fraco. Em meio às recuperações de Diego e Romulo, por exemplo, ficou bem claro:
Conca ainda depende de tempo e evolução para, de fato, ser um reforço ao time
rubro-negro.

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