Vasco é mais preocupado com Fla do que o contrário.

Por: Fla hoje

Globo
Esporte – Aos 37 anos, Felipe diz que está velho. Aponta dores no joelho
direito que o impedem de jogar futevôlei no momento e o hábito de acordar bem
cedo para explicar sua ‘velhice’. Mas nada a reclamar da aposentadoria, com
independência financeira e qualidade de vida. A programação do ex-jogador é não
se programar. Levar os dois filhos no colégio e na escolinha de futebol são
algumas das obrigações. Assistir a futebol? Muito pouco. Mas o craque criado no
Vasco, com passagem pelo Flamengo em 2004, Fluminense, Galatasaray, Palmeiras,
Atlético-MG e Al-Sadd vai voltar a respirar futebol. A dúvida: como técnico –
fará um curso no meio do ano – ou como agente de jogadores. E Felipe quase
acertou para ser comentarista. Mas não entrou nas ondas do rádio.

Felipe,
porém, não se furta de comentar sobre Vasco e Flamengo, que fazem o segundo e
decisivo jogo da semifinal, domingo, às 16h, no Maracanã, quando o Rubro-Negro
terá a vantagem do empate. O ex-jogador lembrou das passagens pelos dois
clubes, analisou a primeira partida, clamou pela volta do espetáculo e acha “que
o Vasco fica muito mais preocupado com o Flamengo do que o Flamengo com o
Vasco”.
E
ainda comentou sobre a polêmica discussão sobre vice que envolve os dois times.

Tenho muitos amigos vascaínos, muitos flamenguistas. Essa briga sempre vai
existir. Uns dizem que quem tem mais vice é o Flamengo, não é o Vasco.
Enfim…Eu não sei. Mas isso acaba martelando, o jogador pode absorver. Aí,
durante a partida, leva um gol e pode pensar: “pô, de novo não”.
Na
bela manhã desta terça-feira de outono, Felipe chegou para a entrevista ao
GloboEsporte.com numa moto estilo Vespa. Com físico bem mais forte do que na
época de jogador, logo tirou tênis, camisa e, sentado à sombra, com o horizonte
ao fundo, revelou a dúvida entre ser treinador ou empresário de jogadores.
Também
comentou sobre as condições do mar. A seguir, os principais trechos da
entrevista realizada no escritório de Felipe: a praia.
GloboEsporte.com: Como é a rotina do
Felipe como jogador aposentado?
Felipe:
Bastante tranquila. Acordo cedo, todo velho acorda cedo. Levo meus filhos na
escola, depois vou para academia, dou uma malhada. É gostoso ir para academia
pelo prazer, faço o que dá vontade. Não é obrigação, como antes. Às 9h30, já
acabei minha academia. Têm dias que venho à praia, dou uma corridinha também
prazerosa, caminho, jogo meu futevôlei com os amigos. Tenho alguns negócios
fora do futebol que, agora, com mais tempo, participo mais.
E em relação ao futebol?
No
meio do ano vou fazer o curso de treinador junto com o Pedrinho. A gente
pretende fazer essa parceria também fora dos campos. É uma possibilidade, não é
certo. É um caminho que gostaria de seguir. Alguns garotos me procuram para que
eu possa tomar conta da carreira deles. Mas ainda não defini, ser empresário ou
treinador. Deixo acontecer. Tenho mais vontade de ser treinador do que
empresário. Mas, como técnico, volta à rotina de jogador, concentração, viagem,
o desgaste é maior do que do atleta, pela responsabilidade que tem, precisar
respirar futebol 24 horas por dia. Por outro lado, ser empresário tem mais
qualidade de vida. Vou me preparar, fazer cursos. E já tive convite para
participar como comentarista de programas de rádio. Não tenho pressa, não.
E quais os técnicos que servem de exemplo,
os melhores com quem você trabalhou?
O mais
importante para mim foi o Antônio Lopes, que me deu oportunidade e ensinou
muita coisa no começo da carreira. Fui o Felipe, se tenho alguma história no
futebol, agradeço a ele em primeiro lugar, que me deu a oportunidade lá atrás
no Vasco quando ninguém me conhecia. Aprendi muito também com Abel. Luxemburgo
é um cara que é diferenciado na leitura de uma substituição. Cristóvão tem uma
inteligência acima da média, estudioso. Foi muitos anos auxiliar do Ricardo
Gomes, isso ajudou. Esses quatro treinadores somaram bastante.
O que o Felipe técnico pensa sobre
concentração?
Não
ganha jogo, depende do elenco. Na minha época de jogador, já concentrei e
joguei mal, não concentrei e joguei bem, isso é relativo. Vai da
responsabilidade de cada jogador, da confiança que o plantel passa para você.
Depende muito também da importância do jogo. Da situação financeira dos clubes.
A concentração é um gasto muito grande. E dá para você saber quando o jogador
saiu, não saiu, pelo rendimento que não será o mesmo. Mas, ainda assim, tinham
jogadores que resolviam dentro de campo. Se não concentrar e resolver, não tem
problema nenhum.
Quando se fala em Vasco, o que lembram de
você?
Todo
torcedor que eu encontro agradece muito pela minha história no Vasco. Mas
realmente todos lamentam o único título que eu não tive (Mundial). Foi um jogo
que ficou marcado negativamente para a torcida, mas a derrota teve seu lado
positivo. Eu era muito jovem (21), joguei muito bem contra jogadores
consagrados mundialmente como Raul, Seeedorf, outros. Mas engraçado, todos
falam que a bola poderia ter entrado. Ficou marcado. Infelizmente, a bola não
entrou. Muitas vezes o futebol é injusto. E uma das injustiças foi o Vasco ter
perdido aquela final, pois foi muito superior ao Real Madrid. (Em 98, 0 Real
Madrid venceu o Vasco por 2 a 1. Felipe teve bela atuação, e perdeu boa chance
quando o jogo estava 1 a 1).
Em 2004, você vai para o Flamengo e é o
principal jogador do time na temporada, camisa 10…
Vim do
Galatassaray, da Turquia. Quando cheguei, a desconfiança era muito grande por
eu ter sido criado no Vasco. Mas como profissional encarei de melhor maneira
possível. Confiava no meu futebol, sabia que ia reverter dentro de campo, não
tem resposta melhor. E pelo Flamengo ser grande, ter uma torcida apaixonante,
por eu ter usado a 10 que era do Zico, joguei mais no ataque… Isso somou para
a exposição muito grande. Vivenciei um momento maravilhoso no futebol, isso
tudo ajudou. Ser comparado ao Garrincha, quem sou eu?! Mas me senti lisonjeado.
O time era limitado. Tinha o Julio Cesar (goleiro), o Zinho, com sua
experiência, eu, Fabiano Eller, Ibson começando. As atenções eram voltadas
principalmente para mim, camisa 10, capitão, atacante. Claro que a rivalidade é
muito maior do que isso tudo, mas ando na rua, encontro um flamenguista ou
outro, eles falam, lembram aquela época, “apesar de ser vascaíno, jogou pra
c… no Flamengo”. Onde passei fiz uma história, pequena que seja, conquistei
títulos. Fiz uma história pequena no Flamengo em comparação ao Vasco. Mas o
momento era tão bom em 2004, que até esqueceram um pouco que eu era do Vasco.
Você assiste a futebol?
Muito
pouco.
Por que?
Ser
jogador de futebol tira você da sua família, não tem fim de semana. Como bom
carioca, quero fazer tudo que não fiz. Hoje, meus filhos estão com nove e cinco
anos. Sou pai de atleta, os dois jogam ou tentam jogar.
Tentam?
Sou
muito exigente, eu falar é complicado. Sou pai crítico, diferente de muitos
outros. Procuro levar ele no treino, no fim de semana eles têm torneio. Já está
complicando minha praia, o futebol de novo tirando meu fim de semana (risos).
Mas é prazeroso. Estão por hobby, são novos para saberem se vão seguir o
caminho. O que falo muito é que não é fácil. Eles dizem que querem ser
jogadores, eu lembro que da minha época só eu e Pedrinho conseguimos chegar.
Tem que ter dedicação. Eu deixava de brincar para treinar, meu filho já é o
contrário. Quando tem muita criança brincando no condomínio, ele pergunta se
pode faltar ao treino. Eu digo que não é o certo. Mas deixo bem à vontade. Sou
mais crítico do que elogios.
Mas não assistiu nem ao primeiro jogo da
semifinal entre Vasco e Flamengo?
Assisti.
O nível técnico caiu bastante, futebol está muito competitivo, força física e
esquecem um pouco da técnica. Falo da parte técnica no campeonato todo. Mas
normalmente em final é assim. Pois quando é um jogo decisivo, você entra muito
mais com a vontade e superação, e deixa de lado a técnica, mais aguerrido, até
sair o primeiro gol. Vasco se impôs mais, teve as melhores oportunidades. Não
foi um jogo muito bonito de se ver. As chances que ambas equipes tiveram foram
mais num bate rebate, numa bola parada. Flamengo criou um pouco menos, por isso
Paulo Victor acabou se sobressaindo na partida.
Dá para fazer uma projeção para a segunda
e decisiva partida?
O
Flamengo leva vantagem por ter um time muito veloz, principalmente a partir do
segundo tempo. Se estiver 0 a 0, o Flamengo vai ser beneficiado, tem o Cirino,
Everton, Paulinho, Gabriel…Pode ser um jogo perigoso para o Vasco, que
precisa de inteligência para atacar, mas sem dar o contra-ataque, pois pode ser
mortal. Se levar um gol, vai ter que se expor. No segundo tempo, se estiver 0 a
0, Vasco vai jogar contra o relógio.
Antes de 2015, na última vez que Vasco e
Flamengo se encontraram numa semifinal do Carioca você foi decisivo. (Em 2012,
Vasco venceu por 3 a 2, com dois gols de Felipe, e avançou à final).
Bem
diferente de agora. O Vasco tinha um time entrosado, mais qualificado
tecnicamente. Jogadores jovens e bons surgindo, como Alan, Rômulo, experientes
como Diego Souza, Alecsandro, Eder Luis, zaga muito boa, com Dedé e Anderson
Martins. Agora, o Vasco está em formação, contratou muitos jogadores, ainda
adquirindo sua melhor forma. Em 2012, foi um jogo atípico, pois eu fazer dois
gols num clássico é complicado (risos). Fiz poucos gols na minha carreira.
Sempre tive mais prazer de dar passes para os meus companheiros do que fazer
gol. E depois eles me agradecerem. Naquele ano, o Flamengo tinha o Ronaldinho
Gaúcho, uma referência mundial. E saiu na frente no placar. É um clássico
sempre gostoso de jogar. Espero, como torcedor, que domingo seja mais bonito.
Mas vai ser difícil isso acontecer. A parte física sempre vai existir, mas
futebol precisa de um espetáculo mais bonito, mais jogado.
Uma pergunta que você respondeu algumas
centenas de vezes depois de ter passado pelos dois clubes: Flamengo e Vasco, de
fato, é diferente?
É um
campeonato à parte, independentemente da situação do time, se está mal, bem.
Joguei em ambas as equipes. Acho que o Vasco fica muito mais preocupado com o
Flamengo do que o Flamengo com o Vasco. E também a força da imprensa, os
formadores de opinião, o jogador absorve o que se fala em torno do clássico. De
repente, nas últimas finais, o Flamengo foi vencedor…
A questão em torno do vice?
Tenho
muitos amigos vascaínos, muitos flamenguistas. Essa briga sempre vai existir.
Uns dizem que quem tem mais vice é o Flamengo, não é o Vasco. Enfim…Eu não
sei. Mas isso acaba martelando, o jogador pode absorver. Aí durante a partida
leva um gol e pode pensar: “pô, de novo não”. Tem que jogar e a torcida fazer a
diferença durante os 90 minutos, apoiar, independentemente de levar gol ou não.
Já joguei com jogadores que crescem se a torcida motivar, mas, se pegar no pé,
se escondem no jogo. Se o jogador que errou ganhar apoio, pode render mais. Tem
jogadores que ligam o foda-se, jogam apoiando ou não.
O que você pensa sobre o retorno do Eurico
Miranda à presidência do Vasco?
Minha
relação com Eurico sempre foi normal, de atleta para dirigente. Como era muito
jovem, não tinha muito acesso a ele, que sempre foi Vasco. De repente, se você
falar mal do Eurico, ele não vai ficar chateado, mas se falar mal do Vasco,
sim. Ele foi um excelente dirigente. Vasco conquistou muitas coisas com ele.
Como qualquer ser humano, ele tem erros e acertos. Não tenho como falar se
acertou mais do que errou, mas que o Vasco foi vitorioso dentro de campo, foi,
bastante. Ser presidente de um clube é complicado, pressão grande. O Vasco
melhorou do que estava, contratou jogadores.
E apostou num técnico novo…
Tem
que dar oportunidade a nova geração. O Luxemburgo hoje é o Luxemburgo pois teve
oportunidade lá atrás. O Felipão, Abel, Lopes. Tem que começar um dia.
Em breve, o técnico Felipe…
Eu fui
jogador e fiz história como jogador pois o Lopes me deu oportunidade. Isso é o
ciclo da vida. Torcida fica preocupada com nome. Nome não ganha jogo. Então,
vamos continuar jogando com o time de 97 que ganhou tudo, eu, Pedrinho. Não dá,
ué?! Oportunidade tem que ser dada. Mas nossa cultura é muito imediatista.
Contrata um e quer que amanhã ele resolva. Tem que dar tempo. Se perde, troca?
Não.
Em 2004, ao marcar um gol pelo Flamengo na
última partida do Brasileirão, contra o Cruzeiro, em Volta Redonda, você tirou
a camisa e jogou. Mal comparando, Fabrício fez, de forma bem mais acintosa:
retirou a camisa e jogou no gramado. Como você enxerga esses episódios?
A
minha cada um interpreta da maneira que quer. As pessoas que gostavam de mim
interpretaram assim: era o último jogo, já é difícil eu fazer gol, ainda mais
um daqueles, com todo respeito, não é qualquer um que faz, são poucos. Se o
Flamengo cai naquele ano os responsáveis seriam eu, Julio Cesar e o Zinho.
Principalmente eu. Naquela época, se falasse de Flamengo era Felipe, se eu estiver
errado pode discordar de mim. Foi um desabafo. O do Fabrício foi o estopim, ele
já vinha sendo perseguido pela torcida, é bom jogador, mas qualquer deslize a
culpa era dele. Vou dar um exemplo no Vasco: Felippe Bastos. Para seguir no
Vasco, ele teria que fazer, no mínimo, um gol por jogo e o Vasco ganhar todas
as partidas. Hoje ele é titular do Grêmio. Foi exagero do Fabrício? Foi. Mas
imagina a pressão. De repente, eu mais novo, teria a mesma atitude dele. Isso
mostra a pressão que o jogador sofre. Quando é tirado como Cristo para a
torcida, não tem como.
No começo da entrevista, você falou sobre
um convite para ser comentarista. Ia cornetar muito?
Nunca
fui contra cornetar, criticar, desde que critique assim: “fulano hoje não está
bem, seria melhor ele sair”. Estou criticando, mas com respeito ao ser humano,
homem, pai de família. Às vezes, atinge o pessoal.
Quando jogador, você, por exemplo, recebia
o rótulo de chinelinho…
Aí é
pessoal. Se buscar meu histórico de jogos e lesões, eu tive uma lesão de púbis,
no Flamengo, em 2004, e fiz artroscopia depois de velho, em 2012, mas voltei a
jogar em um mês. Atingia mais minha família, minha mãe, meu pai. Mas
jornalistas são formadores de opinião. Cornetar é normal, mas desde que seja
com educação e respeito.
Você sente saudade do tempo de jogador?
Vou te
falar: não sinto saudade, não. Deu. Estou aqui contigo no quiosque. Ia correr,
mas depois de velho começaram a aparecer os problemas, estou com o joelho meio
baleado. Quilometragem já passou, mas está dando problema agora. Lógico que
ficar à toa não existe, mas hoje eu quero ficar na praia, faço o que quero, a
minha programação, isso não tem preço. Hoje quero almoçar com meus amigos,
buscar meu filho na escola. Não tem rotina. Se ficar em casa martelando, pode
até dar saudade. Mas fim de semana estou com a minha rapaziada, futevôlei,
churrasco, aquele bate-papo, resenha. É bom demais. Ter qualidade de vida é bom
pra cacete.
A foto do seu Whatsapp é você saindo do
mar com uma prancha de Stand Up. Virou adepto?
Foto
faz milagre (risos). Fico em vários pontos da praia. Tem um camarada que dá
aula. Fiz umas cinco, seis vezes. Stand up não é difícil, ainda mais se o mar
estiver flat (sem ondas).
Flat?! Vai virar surfista?

É a
linguagem do pessoal do surfe. Mas para a foto o cara também estava segurando a
prancha embaixo d’água (risos). Nunca tentei surf. Meu futevôlei e minha praia
já estão bom demais.

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