Via Facebook, Fluminense volta a criticar a Ferj.

Por: Fla hoje

Lancenet
– A mudança de local do Maracanã para o Nilton Santos no clássico entre
Botafogo e Fluminense, no sábado, não agradou a diretoria tricolor. O
presidente Peter Siemsen postou um longo desabafo criticando a organização do
Campeonato Carioca, enumerando os problemas da competição, como a situação
financeira dos clubes, “lei da mordaça” e mudança de critérios na
interpretação para beneficiar ou “seus aliados”.
Na
publicação, Peter lembra as diversas dificuldades que a Federação impõe ao
Fluminense e cita o certificado de Clube Formador de Atletas, prevista na Lei
Pelé há mais de um ano e meio na Ferj, que engavetou o pedido. Em menos de dois
meses, a CBF concedeu a Certidão de Clube Formador. Além disso, o mandatário
tricolor diz que o ódio que Rubens Lopes, presidente da Ferj, tem pelo clube só
enche o Flu de orgulho.
LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA:
“Não
vão nos calar!
Se
alguém quer melhor exemplo de bagunça, falta de transparência e desrespeito ao
torcedor, é só acompanhar a maravilhosa gestão da Ferj. Todo mundo sabe que um
evento, uma empresa, um trabalho de sucesso etc depende de talento, suor e,
principalmente, de planejamento. As mudanças contínuas de locais de jogo, de
regras da competição, de interpretação… Ora não existe mandante, depois,
quando interessa, passa a existir… Ora é aplicado um cálculo no borderô,
depois é modificado. Os números nunca batem. As atas das reuniões nunca estão
disponíveis. A ausência de transparência é total. A famigerada “lei da
mordaça”. A mudança de critérios para interpretar cada caso ao bel prazer da
Federacão e beneficiar ‘seus aliados’ em detrimento de outras associações já
virou praxe, trazendo na lembrança do carioca uma fase muito triste do Brasil,
a ditadura. Utilizando frases, bravatas e retóricas para tentar esconder o que
o público já sabe.
A
Federação é administrada como se pertencesse ao presidente da entidade e seu
grupo de apoio, usando todos os subterfúgios de regras mal escritas, coação
econômica e toda a prática clientelista possível. Além, é claro, de enorme
voracidade arrecadadora da entidade, criando uma Federação rica e um campeonato
com constantes prejuízos nos jogos, bem como com um grande número de clubes
enfraquecidos economicamente. Tudo isso visa esconder um presidente incapaz de
apresentar conhecimento técnico ou solução de qualidade para aquele que já foi
o mais importante Campeonato Estadual do Brasil, perpetuado no poder com uma
prática em que a soma das ligas amadoras com os times da Série C do Estadual
são maioria no colégio eleitoral.
O ódio
que o presidente da Federação nutre pelo nosso clube só nos enche de orgulho,
por não participar de um esquema de benefícios para os aliados. O Flu quer
mudar, quer transparência, quer democracia de verdade, quer ter liberdade de
expressão e não vai abaixar a cabeça. Se necessário, vai levar esta luta, com
todos os obstáculos impostos pela ditadura da Federação, até que o Carioca
possa se livrar dessa vergonha e venha a ter uma Ferj moderna, séria e
governada por pessoas de alta qualidade, como merece a Cidade Maravilhosa.
Nós
não nos importamos em jogar no Engenhão. Aliás, estádio de grande valor em
nossa história, no qual ganhamos dois títulos brasileiros, deixando
definitivamente a nossa marca e onde nos sentimos em casa. O que nos importamos
é com as constantes mudanças para beneficiar os ‘aliados’ do momento em detrimento
a outros. Só neste Estadual, já enfrentamos a “lei da mordaça”, a tentativa de
intervenção no lado da torcida no estádio, a tentativa de mudar a fórmula da
operação comercial do Maracanã, a tentativa de criação da meia-entrada
universal, o fim dos benefícios do sócio torcedor e por aí vai.
No
caso do Fluminense, tivemos a transferência do jogo contra o Friburguense para
Volta Redonda, a transferência do jogo contra o Vasco para um Engenhão em obras
e, finalmente, agora a transferência do jogo contra o Botafogo para o Engenhão
que segue em obras, com capacidade reduzida, colocando em risco público e
espetáculo, quando o Maracanã está em perfeitas condições de uso. O que mais
chama a atenção é que no caso da transferência do jogo contra o Vasco para o
Engenhão, a Ferj alegou que não existe mando em clássico e que ela coloca o
jogo onde bem entender. Agora, no jogo com o Botafogo, ela entende que tem
mando e, por isso, não precisa consultar o Fluminense. São dois casos claros de
casuísmo para atender seus ‘aliados’. Por fim, vale lembrar das denúncias e
inquéritos sobre declarações críticas ao campeonato e/ou a gestão da Federação
por pessoas que representam Fluminense e Flamengo, enquanto o presidente, que
hoje envergonha a instituição fundada pelo Fluminense há mais de 100 anos, fala
palavrões em arbitrais, xinga dirigentes, dá declarações desrespeitosas e
nenhuma denúncia e inquérito a ele são sequer mencionados.
Ainda
é importante lembrar que o Fluminense deu entrada no pedido de certificação de
clube formador previsto na Lei Pelé há mais de um ano e meio na Ferj. Esta,
simplesmente, engavetou o processo para prejudicar o clube, tendo em vista que
todos os requisitos estavam ali atendidos. O Fluminense não se abateu com as
dificuldades criadas pela Ferj e requereu à CBF que avocasse para si a vistoria
e a elaboração do parecer. Em menos de dois meses recebemos da CBF a Certidão
de Clube Formador.
Como
tudo isso não tem limite, esta semana estamos novamente diante de um caso
gravíssimo. Não bastasse a expulsão do nosso atleta Fred para impedir que ele
jogasse contra o Madureira (aliado), o julgamento da injusta expulsão e das
declarações dadas pelo atleta na saída de campo será amanhã, enquanto atletas
de CRV e CRF, expulsos anteriormente, tiveram seus julgamentos adiados. Será
que mais uma vez está trabalhando para tirar o nosso craque do jogo de sábado?
Mais
uma vez, o Flu vai enfrentar muito mais do que um jogo, mas todo um sistema
construído ao longo de muitos anos para favorecer os aliados, perpetuar o poder
e prejudicar aqueles que têm opiniões diferentes e que possam representar um
sopro de mudança. Não serão as dificuldades impostas que vão nos desanimar.
Pelo contrário. Só nos trazem a certeza de que se trata de um caminho sem
volta. O futebol carioca precisa de coragem, seriedade e modernidade. Esta luta
não tem data para acabar. Vamos seguir jogando e lutando para mudar o futebol
brasileiro.
O
Fluminense sabe que para esta situação ser modificada vai exigir não somente o
questionamento público dos desmandos, mas a tomada de medidas judiciais que
venham a limitar o nível de intervenção e de desequilíbrio causado pela
Federação, além da compensação dos prejuízos.
Peter
Eduardo Siemsen,

Presidente
do Fluminense Football Club”

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