sábado, setembro 26, 2020
Início Notícias Waldemar lembra apresentação desastrada no Fla.

Waldemar lembra apresentação desastrada no Fla.

ESPN –
“O novo técnico do Flamengo é o senhor Waldemar”.

Nunca
um anúncio causou tanto furor na Gávea.
“Waldemar
é o c…, p…! Vai tomar no c…! Waldemar é a p… que o pariu!”, gritam
os torcedores presentes, insatisfeitos com o nome apontado para comandar o
Flamengo em um momento de crise, em outubro de 2003, após a demissão de Oswaldo
de Oliveira, que fazia campanha ruim no Campeonato Brasileiro.
Era
Waldemar Lemos de Oliveira, treinador que somava apenas passagens por times
pequenos do Rio, além da equipe B do Fluminense e das seleções de base do
Brasil, até então na carreira. E, curiosamente, auxiliar e irmão do demitido
Oswaldo.
“E
por que o Waldemar, hein?”, questiona Cícero Melo, repórter dos canais
ESPN, a Eduardo Moraes, o Vassoura, assustado diretor do time rubro-negro.
Vassoura,
porém, parece imobilizado. Tenta falar, mas as palavras não saem.
“A
gente tem que pensar no melhor para o Flamengo, achamos que a torcida é muito
importante. São 10 jogos, e o Waldemar é uma pessoa de confiança”,
explica.
A
explicação não convence…
“Ah,
ah, ah, fora, Waldemar! Ah, ah, ah, fora, Waldemar!”, bradam os
inquisitores.
Mas
não teve choro, nem vela: Waldemar ficou, apesar dos protestos.
12
anos se passaram desde então.
E
Waldemar nunca esqueceu a apresentação mais desastrada da história do Fla.
“A
torcida não me aceitava, porque queria um nome expressivo. Houve muita
reclamação, porque eu nunca tinha sido treinador de um clube grande. Tive que
pensar duas vezes antes de aceitar o convite, porque estava tendo uma
contestação muito grande da torcida, e eu não entendia aquilo. Mas, por fim, a
diretoria me convenceu a ficar”, conta o treinador, hoje com 60 anos, em
entrevista à Rádio ESPN.
Em
pouco mais de dois meses de trabalho interino, Lemos calou os críticos.
Pegou
o Flamengo em frangalhos e comandou uma reação espetacular que fez o time
terminar o Brasileirão na 8ª colocação, a melhor da equipe desde 1997.
Em
dezembro, a torcida já estava mais calma, e todos esperavam a efetivação do
técnico. Mas, para surpresa geral, Waldemar foi dispensado.
Mesmo
após 6 vitórias, 3 empates e só 2 derrotas em seus 11 jogos.
Um
aproveitamento de 63,64%.
No
entanto, aquele não seria o fim.
Maior
trabalho de todos os tempos
Vivendo
anos tenebrosos após a parceria com a empresa de marketing ISL, que faliu e
deixou o Flamengo à beira da bancarrota, o time rubro-negro vivia mais uma
temporada difícil em 2006. No Campeonato Carioca, ficou na penúltima colocação
e só não sofreu um rebaixamento vergonhoso porque a Portuguesa conseguiu fazer
campanha ainda pior.
Era
hora de acionar Waldemar Lemos.
Ele
assumiu o time em 4 de março, e, mais uma vez, teve grande desempenho.
Em
suas próprias palavras, foi “o melhor trabalho da história do
Flamengo”.
Afinal,
uma equipe quebrada, com cinco meses de salários atrasados, foi atropelando
rival atrás de rival com goleadas impiedosas e chegou à final da Copa do
Brasil, contra o Vasco.
“Foi
a maior campanha, o maior trabalho que houve na história do Flamengo. O time
estava completamente desacreditado, quase caiu para a Série B do Carioca, e
fomos à final da Copa do Brasil. Foi muito especial”, relembra.
Waldemar
sabe como foi difícil. Afinal, foi um dos que mais sofreu com os problemas.
“Para
você ter uma ideia, no começo daquela Copa do Brasil, a situação era tão ruim
que, chegando em Natal para jogar contra o ABC, eu estava entrando no ônibus e
um torcedor acertou um ovo minha cabeça. Os jogadores ficaram revoltados, mas
nós contornamos. O rapaz que me acertou ficou preso, eu pedi ao delegado e ao
segurança do clube que me arrumassem três ovos: um para jogar no cara, um para
o pai e outro para a mãe dele. Mas acabei não fazendo isso, porque me
convenceram do contrário (risos). Mesmo nesse caso, eu não deixo de pensar na
educação das pessoas”, ensina.
“E
também já estava tarde, era 1h da manhã, mas acho que a maior mensagem foi dada
depois com o trabalho. Ele acabou depois pedindo desculpas, fizeram até
entrevista com ele na televisão”, recorda, aos risos.
Segundo
o treinador, o clube estava tão endividado que não conseguia pagar nem os
fornecedores e prestadores de serviço. Com isso, muitas vezes os atletas
ficaram horas esperando a diretoria dar algum jeito de bancar um ônibus para
levá-los para casa. Até mesmo estrelas como o atacante Luizão, pentacampeão do
mundo, e o lateral Léo Moura…
No
entanto, isso só serviu para unir ainda mais o grupo.
“Os
jogadores ficavam lá após o treinamento à noite, todos calados, não reclamaram
de nada. Juntamos um grupo de muito caráter, e tínhamos um líder muito grande,
o [zagueiro] Fernando, que era capitão e tinha muita representatividade, mas
que algumas vezes o clube não reconheceu”, ressalta.
“Por
isso que eu digo que, de todas as épocas, esse foi o maior trabalho que o
Flamengo já fez na sua vida”, torna a enfatizar Waldemar.
A
inesperada demissão
22 de
maio de 2006.
Lemos
comanda o treino do Fla pela manhã. Seu time está na final da Copa do Brasil,
que só será disputada após a Copa do Mundo da Alemanha. No Brasileirão, porém,
a equipe patina, e vinha de uma derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, de virada,
no Mineirão.
Na
Gávea, a diretoria se reúne. Em seguida, o comandante é chamado.
Menos
de três meses após assumir a equipe rubro-negra e levá-la de maneira heróica a
uma final, mesmo sem pagamentos, o treinador é avisado que está demitido. No
mesmo dia, o Fla anuncia Ney Franco, técnico revelação do Ipatinga, como seu
novo técnico.
O
mesmo Ney Franco que havia sido eliminado por Waldemar nas semifinais da Copa
do Brasil.
O
golpe é duro demais para Lemos, que veria pela televisão “seu” time
vencer o Vasco na decisão e conquistar a Copa do Brasil no Maracanã lotado.
Na
súmula do jogo, porém, consta que o treinador campeão foi Ney Franco da
Silveira Júnior.
“Eu
fiquei chateado demais com a saída, não tem como negar…”, confessa.
“Mas
depois tive reconhecimento de muitos jogadores, que vestiram camisas com meu
nome nas finais e dedicaram a mim o título”, lembra.
“A
gente sabe como é… Eu não aceito, mas o futebol brasileiro é isso
aí…”, lamenta.
Por
que foste demitido, então, Waldemar?
“Acho
que nessa época eu estava incomodando muitas pessoas no Flamengo… Eles
estariam assinando um atestado de burrice diante do que vinha acontecendo.
Porque antes não dava certo com ninguém, passaram grandes treinadores com nome
e nada acontecia, e as coisas passaram a dar certo comigo”, opina.
“Eu
estava mostrando a eles o que eu achava certo, que era inadmissível um clube
grande do Rio de Janeiro trabalhar daquela maneira. Você tem que contratar
poucos jogadores, não trazer uma baciada todo ano para montar uma equipe.
Precisava ter organização, padrão e metodologia, cobrar conduta e pessoas com
perfil para o seu time”, acrescenta.
Depois
disso, Waldemar seguiu em frente. Ainda em 2006, assumiu o Figueirense, e
terminou o Brasileiro na 7ª colocação. Passou por vários times brasileiros,
como Paulista de Jundiaí, Atlético-PR, Joinville, Náutico, Sport, Atlético-GO,
ABC, Vila Nova, entre outros, além do futebol sul-coreano e… jamaicano!
Seu
último clube foi o Boavista, no Carioca deste ano. Durou cerca de um mês no
cargo, ficando entre 20 de fevereiro e 22 de março. Mais uma vez, foi vítima de
um sistema que batalhou durante toda a carreira para tentar mudar. Sem
sucesso…
Mas o
técnico garante: ainda tem motivação de sobra para trabalhar.
“Jogo
bola quase todos os dias e tento colocar em prática as coisas que eu acho que
devem acontecer dentro do futebol. Eu estudo muito, leio muito…”, diz.
“É
uma pena que as coisas estão assim hoje em dia. Fico muito triste, porque nós
estamos perdendo há muitos anos por causa de pessoas que estão mais
interessadas em políticas e negócios do que se preocupar com o futebol dentro
de campo”, finaliza.
Enquanto
isso, Waldemar Lemos espera um convite de um novo time para trabalhar.

E
espera também que, ao ser apresentado, seja melhor recebido do que em 2003.

MAIS LIDOS

Confira provável escalação do Flamengo diante do Palmeiras

O Flamengo está sendo obrigado a se adaptar nos últimos dias, e para isso uma escalação alternativa será colocada em campo. Mas quando dizemos...

Flamengo pode ganhar até 8 reforços contra o Del Valle

O foco do Flamengo no momento é na disputa do próximo jogo pelo Campeonato Brasileiro, onde o Rubro-negro irá medir forças diante do Palmeiras....

Fla hoje: Zagueiro se aproxima de deixar o Flamengo

É de conhecimento de todos a excelente categoria de base que o Fla hoje possui. Nos últimos anos, Vinicius Junior, Reinier e Paquetá foram...

Demissão de funcionário revolta torcida do Fla; veja os comentários

O torcedor flamenguista ver mais notícias sobre o extra campo do Fla do que dentro de campo. Na noite desta sexta-feira, foi notificado que...