quinta-feira, outubro 1, 2020
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Zagueiro Juan, do Flamengo, doou dinheiro ao Bom Senso FC.

Juan, zagueiro do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

MAURO
CEZAR PEREIRA
: O Bom Senso Futebol Clube seguirá em frente. Já não tem mais o
apoio de tantos jogadores, como jamais contou com a participação de vários
outros, inclusive muitos que são ricos e famosos, imunes às retaliações da
cartolagem, que poderiam ajudar, mas preferem manter distância. Os mais
destacados no Brasil nas últimas temporadas acabaram não aderindo, e hoje o
movimento, que quase acabou, tem cerca de 30 pessoas entre atletas, ex-atletas
e equipe de trabalho.

“Aquele
histórico Bom Senso de 2013, sentado no gramado, de braços cruzados, já não
existe mais. Um outro, mais organizado, com pautas definidas e equipe de
trabalho, funciona desde 2014, com menos holofotes e mais resultados práticos,
como o Profut em 2015. Mas o segundo, sem a participação dos principais atletas
do país, não faz nenhum sentido, não tem razão de prosseguir”, escreveu no
Facebook o zagueiro Paulo André, do Atlético Paranaense, um dos líderes do BSFC
— clique aqui para ler.
“Definimos
um foco importante nos temas legislativos em Brasília, mas demos inúmeras vezes
assessoria jurídica e de comunicação aos atletas de times que não receberam
salários. Não entramos com ação na justiça, atribuição do advogado próprio do
atleta ou dos sindicatos, mas sempre estivemos à disposição e colaborando com
vários anônimos da bola que sofreram nas mãos de cartolas irresponsáveis”,
explica o ex-Diretor de Comunicação, Rodolfo Mohr.
O
custo de funcionamento do Bom Senso atingiu cerca de R$ 500 mil em três anos.
Paulo André, Alex, ex-capitão do Coritiba; Dida, ex-goleiro do Internacional; e
Juan, zagueiro do Flamengo; foram os
principais doadores. Também foi arrecadada uma parte desse valor com alguns
capitães de clubes. O Bom Senso não detalha quem são para não expor os atletas
e tampouco alertar os principais envolvidos.
Também
apoiaram e participaram ativamente do movimento os goleiros Fernando Prass e
Ricardo Berna, o ex-lateral e volante Ruy “Cabeção”, o volante Fahel,
o meia Lúcio Flávio, Thiago Gasparino, hoje executivo do Linense; Vinícius
Golas, meia do Pelotas; entre outros. E vários se afastarma temendo represálias
de cartolas. Entre os treinadores, apenas Paulo Autuori foi atuante e segue
participativo ao lado do grupo.
“Porém,
a partir de agora o movimento deixa seu lado mais combativo e passa a ser um
centro de pesquisa, de projetos e de articulação entre os entes do esporte,
mantendo seu representante na Apfut e seguindo seu trabalho nas comissões de
futebol da Câmara e do Senado em Brasília por meio de sua equipe de trabalho. Sua
vocação ainda é mobilizar jogadores e criar um ambiente propício para
mudanças”, acrescentou Paulo André em seu texto no Facebook.
O Bom
Senso é um projeto que até o momento não encontrou — fora das doações de
atletas — financiadores de suas ideias que criassem um sistema sustentável.

“Isso atrapalhou muito. E os grandes jogadores, que atuam na Europa e não
são suscetíveis às pressões dos cartolas nacionais se ausentaram. Jogadores da
Seleção então, nem se fala. Um exemplo que me chamou atenção: Daniel Alves
bateu no Dunga e na CBF no Bola da Vez da ESPN no início de 2015. Pode ter sido
uma crítica sutil, mas poderia ter ido adiante. Logo foi reconvocado, tornado
titular e porta-voz do Dunga. Cessaram as críticas e tudo voltou ao
normal”, lembra Mohr.

Kaká,
em entrevista à Folha de S. Paulo publicada em 2014, quando retornava ao São
Paulo — clique aqui e leia — disse que precisava compreender melhor o Bom Senso
FC. Estranho que não soubesse bem o que era, pois a repercussão era
internacional quando das interupções de jogos em 2013. Porém, se expôs mais que
os outros selecionáveis, deu declarações, mandou um vídeo de apoio durante a
tramitação do Profut, e embora não tenha sido um ativista, não ignorou o
movimento. Rogério Ceni participou no começo, até 2014 e depois não mais. Fred,
por sua vez, não se aproximou nem quando bateu de frente com a Federação do
Rio  — clique aqui para ler —, em 2015.
O Bom
Senso fez da defesa de um calendário que propocione aos clubes e seus atletas
jogar o ano inteiro uma de suas maiores lutas. Quando os Estaduais terminam,
cerca de 20 mil profissinais do futebol ficam desempregados, de acordo com os
estudos do próprio movimento. Eles param simplesmente porque essas equipes não
têm mais jogos a disputar, algumas veem suas atividades interrompidas em abril
para voltar apenas no ano seguinte, ou seja, oito meses parados em 12.
Mesmo
com a mudança de estratégia do BSFC, os grandes nomes que se omitiram nesses
últimos anos têm nova chance de ajudar quem precisa. Os muitos, a maioria,
jogadores de futebol que na prática são os “primos pobres” num
universo glamourizado, rico, mas para poucos. Vai da consciência e generosidade
de cada um.

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