Zé Ricardo deve refundar seu trabalho no Flamengo.

Renê e Zé Ricardo, técnico do Flamengo – Foto: Staff Image

CHUTE
CRUZADO
: Por Pedro Henrique Torre

No
desenvolver de um trabalho há momentos em que é necessário romper com
convicções. Admitir o esgotamento da fórmula e procurar novas soluções para
continuar a ser competitivo. Entender as próprias falhas a tempo de corrigir a
rota. O Flamengo já flertava com este momento há algum tempo, mas a derrota de
2 a 0 para o Sport, fora de casa, fez explodir a sirene do técnico Zé Ricardo.
É necessário refundar o seu trabalho, iniciado há mais de um ano, para seguir
em frente. O desempenho rubro-negro ruiu. O Flamengo hoje é um time que sofre a
céu aberto. Em plena queda livre.
No
futebol é indicado entender o momento ideal em que o ambiente começa a se
modificar. A confiança se esvai. O exterior influencia no campo. Mostrar
comando e chacoalhar o dia a dia com cobranças. Neste atual Flamengo, não houve
recado. A vexatória eliminação na primeira fase da Libertadores parece ter
passado em branco. Os mesmos nomes voltaram a atuar pelo time, elevando a
tensão com a arquibancada e o entorno. A apatia oficializada pelo presidente
Eduardo Bandeira de Mello invadiu o Ninho do Urubu e se instalou. Algo esperado
até por falsos rubro-negros.
Aos
poucos, o desempenho passou a apresentar esgotamento. A classificação diante do
Atlético-GO, na Copa do Brasil, com desempenho tétrico, saltou aos olhos. Era o
início da queda livre, consequência direta do baque da Libertadores. Pois lá
foi o Flamengo a campo na Ilha do Retiro em um 4-2-3-1 tradicional, Diego
centralizado, Márcio Araújo e Arão atrás como volantes, Everton na direita,
Ederson na esquerda com Damião à frente. O bom trabalho de Zé Ricardo até pouco
tempo atrás não pecava em desorganização. Mesmo em dias ruins, era estruturado.
Na Ilha do Retiro, nem isso.
Não
havia opção para saída de jogo. Márcio Araújo errava passe de um metro e
mandava a bola para a lateral. Arão abandonava o campo defensivo e pensava
apenas em infiltrar atabalhoadamente. Em determinados momentos chegou a ficar à
frente de Damião. Diego, então, passou a voltar antes do círculo central com
constância para tentar recuperar a bola e dar início ao jogo do time. O buraco
no meio de campo era um convite ao Sport, postado em um 4-4-2 ao atacar e defendendo
com cinco homens. O bote era dado e saía em contra-ataque. Desta maneira,
Osvaldo teve a chance ao ganhar de Renê no meio, mas atrasou a jogada e bateu
para fora.
O time
de Zé Ricardo era ineficiente. A predileção pelo domínio e toque de bola deu lugar
a um time comum, com volantes em péssima fase, passes burocráticos e nenhuma
criação. A insistência com nomes como Márcio Araújo prejudica a equipe e traz a
fúria do entorno rubro-negro para o próprio Zé Ricardo. É, atualmente, opção
inexplicável. Ederson, encostado na direita, pouco ajudava Pará na marcação e
os avanços de Patrick pelo lado esquerdo causavam tormento. Dali, Rithely quase
abriu o placar diante de um Flamengo com velhos erros. A bola cruzada por Arão
passou pela área e Damião, de frente para o gol, furou, perdendo chance clara.
Um primeiro tempo fraco, de ambos os lados. Muito pouco para quem se apresenta
como candidato ao título.
A
etapa final, no entanto, seria mais trágica. Deixaria mais evidente o quanto o
Flamengo vê seu jogo coletivo de desfazer. Desmilinguir. E os erros individuais
apareceram. A deficiência de Muralha em jogar com os pés ficou evidente. É
abaixo da crítica. Com sete minutos, Pará recuou mal uma bola e o goleiro, em
desespero, não conseguiu dominá-la, tocou com o braço. Tiro indireto que não
resultou em gol. Mas não bastou. Muralha, de novo, errou saída de bola e
entregou a bola nos pés de Osvaldo. Da entrada da área, o camisa 10 do Sport
deu um tapa no ângulo esquerdo do goleiro. 1 a 0. E o Flamengo se abateu de vez.
Nem
Vinicius Junior na vaga de Ederson foi capaz de reanimar a equipe, como no
clássico contra o Botafogo. É um trabalho que perdeu forma e jeito. Zé Ricardo
tentou remendos, mas a desorganização era tremenda. Mancuello entrou em campo
sem saber o que fazer ao certo. Ajudar o meio ou focar no abastecimento ao
ataque. Vizeu, na vaga de Diego, na teoria deveria dar força na área em busca
do empate. O garoto ficou perdido, atuando mais como volante e meia como
centroavante. O retrato da desorganização em Recife.
O gol
de Thomas, ex-jogador do clube, em chute de longe aos 38 minutos sacramentou a
primeira derrota do Flamengo por dois gols de diferença desde o revés por 4 a 2
diante do Figueirense, em 24 de agosto de 2016, pela Copa Sul-Americana. Na
ocasião, um time misto entrou em campo. Apática, a diretoria do Flamengo
acompanha seus fracassos no futebol como violinistas de um Titanic já com água
pela metade. A grande meta de 2017, a Libertadores, já afundou sem chegar perto
sequer do iceberg.
É
difícil indicar a troca de técnico em um mercado com pouquíssimas opções. Mas
há, claro, um esgotamento. Atitudes como a de Conca, ao faltar um treino em um
rompante por não ser relacionado sem ter condições, não surgem à toa. Urge à
diretoria designar um vice de futebol que compreenda o meio. De nada adiantará
tanto investimento graças a uma competente gestão financeira se os erros
insistirem em se repetir. E aí entra Zé Ricardo.
Há um
elenco farto para padrões brasileiros em mãos. Cada vez mais recheado. Everton
Ribeiro chegou. Rhodolfo e Geuvânio estão próximos. Romulo já está no Ninho. Há
garotos promissores, casos de Ronaldo e Vizeu. Zé tem de olhar no espelho e
ficar agitado. Chacoalhar a si e o seu trabalho. Dar adeus a peças de segurança
que entraram em curto. Em queda livre, agarrar um para-quedas. Foram apenas
seis pontos em cinco rodadas do Brasileiro. Após um ano, é hora de Zé Ricardo
refundar o próprio trabalho caso não queira ser obrigado a entregar a sequência
a outro profissional.

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