segunda-feira, setembro 21, 2020
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Zé Ricardo fala sobre críticas e pressão de comandar o Flamengo.

Foto: Rodrigo Coca

GLOBO
ESPORTE
: Zé Ricardo completou nesta sexta-feira três meses do primeiro dia de
trabalho frente à equipe profissional do Flamengo. Claro, há o que comemorar. A
equipe faz campanha consistente e está em terceiro lugar no Brasileiro a apenas
três pontos da liderança. Mas ele sabe que é apenas o início. O sinal disso é
que ainda não se acostumou à pressão e às críticas, seja de torcedores,
imprensa e outros personagens que compõem o ambiente do futebol. O exemplo
recente foi a derrota por 4 a 2 para o Figueirense, na última quarta-feira,
pela Copa Sul-Americana. Neste sábado, contra a Chapecoense, ele fecha, de
forma simbólica, um turno do Brasileirão pelo Rubro-Negro, já que na rodada
seguinte o compromisso será contra a Ponte Preta, que foi seu adversário de
estreia, em 29 de maio.

Primeiro
interino, agora efetivado, Zé Ricardo ainda experimenta novidades em diferentes
aspectos dessa experiência. Isso inclui críticas, elogios e o fato de lidar com
atletas profissionais, muitos já consagrados, e não mais com jovens das
categorias de base, em formação. No bate-papo com o GloboEsporte.com, o
treinador admitiu que o fato de iniciar a carreira num clube grande como o
Flamengo também ajuda a compor esse mundo onde tudo ganha uma nova e grande
dimensão.

Tenho que ganhar experiência o quanto antes. Tudo isso está me servindo de
bagagem para o futuro, e espero ter tranquilidade para seguir com o trabalho –
disse.
Confira
a entrevista:
GloboEsporte.com – Em apenas três meses
como treinador profissional, já conseguiu se acostumar à pressão e às críticas?

Ricardo – É do ser humano sentir as críticas. Sabemos que muitas delas são para
ajudar, mas outras são de forma gratuita e incomodam um pouco. É um exercício.
A gente sabe da grandeza do Flamengo, da multidão que é alcançada em cada jogo,
e a gente sabe que não vai agradar a todos. Procuro estar um pouco alheio para
não ficar incomodado, mas sou ser humano, e algumas vezes incomoda, sim.
Acredita que o fato de ainda não ter se
acostumado tem a ver com ter iniciado a carreira profissional logo num clube do
tamanho do Flamengo?
Não é
algo normal. São poucos os exemplos, aqui e até fora do Brasil, de um treinador
que começa a carreira profissional num clube da dimensão do Flamengo. Já que
apareceu a oportunidade, tenho que ganhar experiência o quanto antes. Isso tudo
está me servindo de bagagem para o futuro, e espero ter tranquilidade para
seguir com o trabalho.
A
derrota para o Figueirense, na última quarta-feira, e as críticas por poupar
muitos jogadores, serviram também para você como parte do aprendizado?

O mais
importante para mim é que os jogadores estão comprando a ideia do trabalho da
comissão, e isso facilita essa adaptação. Mas tem que estar pronto sempre. O
futebol ainda é muito condicionado a resultados. É uma prática do futebol
brasileiro e até mundial, mas aqui no Brasil é mais evidente. Toda a carreira
que você construiu não importa, mas sim o resultado que aconteceu e se aquilo
que você pensou não deu certo.
Essas críticas não mudaram suas
convicções?
Foi
uma sequência de vacilos nossos. Taticamente não fomos bem, mas foi muito mais
a parte individual que na questão técnica acabou fazendo uma diferença. Erramos
bastante, e custou o jogo. O desafio contra o Figueirense ainda está aberto,
mas foi um resultado que não esperávamos, até porque muitos já vinham jogando,
e todos têm condição técnica para atuar. Uma hora teríamos que colocá-los para
jogar porque nosso objetivo é seguir longe nas duas competições. Lá na frente,
com o Brasileiro e a Sul-Americana, vamos ter viagens, desgaste e temos que
pensar no grupo. Não adianta chegar numa semifinal de um torneio que vale vaga
na Libertadores e colocar um cara para jogar pela primeira vez. Pensamos dessa
forma, mas a torcida só quer vitória. Quando o empate vem já não está legal, e
quando vem a derrota, então… Só que são 20 equipes no Brasileiro. Uma ganha,
outra perde e outra empata. É difícil, mas isso está servindo de aprendizado
para mim, com certeza.
Há muita diferença em lidar com um elenco
de jovens e formação e outro com atletas experientes e com passagens pela
Seleção?
Não
tenho dúvida disso. Mas aos poucos as relações vão ficando mais estreitas,
intensas. Eles vão me reconhecendo, e vou conhecendo a maneira de ser de cada
um. Faz parte do aprendizado do treinador, porque também é preciso administrar
as vaidades, os egos. Isso acontece porque de certo modo todos somos vaidosos
com uma coisa o outra. Mas de forma geral não tenho nada do que reclamar desse
grupo. Em três meses não tive problema com ninguém, seja aquele que está
jogando mais ou com o que não está jogando tanto. Todos entendem o momento. O
principal é você mostrar sinceridade no que fala e sentido de justiça, porque
se for diferente disso o atleta acaba se abalando. Então, de forma clara
estamos sabendo levar.

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