sexta-feira, setembro 25, 2020
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Zé Ricardo passa boa impressão a jogadores e diretoria do Flamengo.

GLOBO
ESPORTE
: Quarenta minutos depois do apito final de Ponte Preta 1 x 2 Flamengo,
Zé Ricardo chegou para a entrevista coletiva. Ainda desacostumado ao protocolo
de coletivas de imprensa após a partida, ele tomou banho e depois de falar por
15 minutos pediu desculpas por desconhecer o hábito e até pelo nervosismo na
primeira vez que encarava microfones, lentes e gravadores. Eram 15
profissionais de imprensa, mas ele sabia que falava para milhões no Brasil e
mundo afora. Até a última quinta-feira, Zé Ricardo estava preocupado em arrumar
o time sub-20 atrás de mais um caneco no torneio nacional da categoria – após
vencer a Copa São Paulo de juniores em janeiro. Mas a manhã desse domingo – 29
de maio – vai ficar marcada para sempre na carreira.

Nunca poderia imaginar que iria fazer o primeiro jogo numa Série A de
Brasileirão defendendo o Flamengo, que é um gigante. Estou feliz, muito feliz
mesmo. Meu jeito é um pouco mais tranquilo, mas quando tem que gritar a gente
grita. Mas até pela situação de trabalho, de início, conhecendo os atletas,
acho que postura um pouco diferente disso poderia até tirar um pouco da
estabilidade deles e minha preocupação era que eles mantivessem a atenção e a
concentração na partida – disse o treinador, parecendo ainda sob efeito da
inédita adrenalina, na estreia entre profissionais de uma carreira bem
preparada na base.
Ao
lado, para superar desafios de uma estreia debaixo de expectativa e sob a
tensão de uma crise, trouxe até “reforço”. Léo Inácio, ex-lateral do
clube e atual coordenador das divisões inferiores, se juntou à comissão de
Muricy Ramalho, com Tata e o preparador físico Carlito Macedo. Na cabeça, Zé
trouxe ideias novas para colocar em prática num dos primeiros contatos com
grupo desconhecido para ele e que também não o conhecia.

Ricardo não vai contar que esteve à frente da grande atuação logo na primeira
vez. Na verdade, muito longe disso. O time mostrou antigas deficiências. No
primeiro tempo, sofreu com bolas aéreas, um defeito que, a rigor, Muricy
conseguiu diminuir com insistentes treinos de bola parada. Na etapa final,
voltou a ter jogador expulso. Na organização da equipe, o time se portava mais
no estilo do ex-treinador – com Cirino e Fernandinho como pontas abertos e
alternando lados. No meio, Alan Patrick conseguiu criar, apesar do isolamento.
A
vitória também foi pessoal. Afinal, a preleção foi montada para levantar o
astral do grupo, refrescar a mente dos atletas, que vinham num ciclo vicioso de
derrotas, protestos, eliminações, cobranças e queda de confiança. Às 8h40, logo
depois do café da manhã, um papo rápido de 15 minutos e algumas imagens que
lembravam os bons momentos da equipe na temporada levaram o Flamengo mais leve
para campo no Moisés Lucarelli.
– Ele
aliou a humildade de quem fazia sua estreia nos profissionais com a firmeza de
quem sabe o que quer – resumiu o vice-presidente de futebol Flavio Godinho.
Não
foi só a diretoria que gostou da primeira impressão do treinador. Atletas
gostaram do tom motivacional da curta palestra, sentiram mais confiança para
entrar em campo e também do sentido de organização da equipe, mesmo depois da
expulsão de Fernandinho. Zé fechou o meio de campo com Arão pela direita,
Cuéllar centralizado e Márcio Araújo na esquerda, sem deixar a Macaca passar da
intermediária.

À la Muricy, Zé Ricardo abriu Fernandinho e Cirino. Mesmo isolado, Alan Patrick fez boa partida
(Foto: Raphael Zarko)
O
treinador mostrou um ponto diferente de Muricy. Logo no início do segundo tempo
mandou todo mundo aquecer. E não demorou para mexer também – algo que era comum
na era Muricy Ramalho. As trocas renovaram o fôlego para segurar a Ponte. Claro
que uma dose de sorte, como reconheceu o próprio treinador, também é sempre de
bom grado. A Ponte foi melhor no primeiro tempo, e o Flamengo conseguiu uma
virada improvável.
Na
beira do campo, o treinador falou pouco. Pareceu se sentir mais à vontade com
velhos conhecidos. Assim, passou mais instruções para Jorge e Felipe Vizeu.
Aplaudiu e vibrou bastante nos gols, distribuiu abraços e esfregou o rosto
preocupado com a pressão da Macaca na parte final do jogo. Olhou para os céus
quando Alex Muralha defendeu a virada de Felipe Azevedo. No fim, ainda teve o
nome gritado pela torcida. Religioso, o treinador, que é professor da rede
pública municipal do Rio, se benzeu e beijou medalhinha. O ritual é novo no
banco de reservas no Flamengo. Um ritual que espera repetir muitas vezes, com
serenidade e conhecimento, ao lado da torcida e à frente do Rubro-Negro.

Sem Fernandinho, na direita, Arão fechou lado, formando linha com Cuéllar e Márcio Araújo
(Foto: Raphael Zarko)

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