segunda-feira, setembro 21, 2020
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Zico fala tudo sobre candidatura à Presidência da FIFA.

FOLHA
DE SÃO PAULO – Arthur Antunes Coimbra, 62, o Zico, ganhou quase tudo como
jogador. Agora, alça seu voo mais alto: quer presidir a Fifa a partir de
fevereiro de 2016, quando tentará ser eleito o sucessor de Joseph Blatter, que
sai acuado por denúncias de corrupção.
Ainda
sem o apoio de cinco federações -requisito mínimo para registrar a
candidatura-, Zico acredita que irá disputar a eleição agora com mais chances
depois que o francês Michel Platini, favorito, foi chamuscado por acusação de
recebimento irregular de dinheiro da Fifa.
À
Folha ele defendeu a reforma da entidade, a começar pelo sistema eleitoral,
participação maior do “mundo do futebol”, em contraposição à presença
de políticos, e mudanças em três focos de corrupção: escolha das sedes da Copa,
negociação de direitos de TV e eleição presidencial.
Participaram
da entrevista, feita por e-mail, como convidados, os colunistas da Folha Juca
Kfouri, PVC e Tostão, o líder do Bom Senso, Paulo André, o presidente da
Primeira Liga, Alexandre Kalil, e o comentarista dos canais ESPN Mauro Cezar
Pereira.
Folha – A CBF ainda não apresentou por
escrito apoio à sua candidatura. O que falta?
O
presidente [Marco Polo Del Nero] foi bem claro. Se você trouxer as quatro
cartas, pode contar com a quinta do Brasil, mas não garanto o voto em
fevereiro. Hoje, existem os famosos votos em bloco e o que a confederação do
continente definir é o que todos aceitam. As federações devem ter sua liberdade
de escolha sem prejuízo ou represália depois. Dou o exemplo da Ásia. Os
objetivos do Japão não são os mesmos do Vietnã, e o voto é igual.
Juca Kfouri – Você se arrepende de ter
pedido apoio do Del Nerosendo um candidato contra a corrupção?
Não
fui falar com o Del Nero, que sempre me tratou muito bem e com respeito. Não
sou amigo dele e nem tenho compromisso com ele. Fui falar com o presidente da
entidade do meu país. Não estou arrependido de nada. Servi 10 anos à seleção e
não acredito que, por fazer criticas a algumas decisões do presidente, se possa
confundir as posições da entidade.
Tostão – Alguns te criticam por ter pedido
o apoio da CBF, que você critica. Isso te incomoda?
Não me
incomoda. É um direito de opinião. Não podemos confundir a entidade com
críticas aos profissionais que representam a entidade naquele momento. Tenho
isenção para concordar e discordar de decisões.
Folha – O Comitê de Ética da Fifa
suspendeu Blatter. Isso pode influenciar na eleição?
Não
acredito, porque o Blatter não ia lançar candidato ou apoiar alguém, mas não
tenho dúvida de que, pela forma atual de eleição, ele ainda tem maioria, mesmo
com tudo o que aconteceu.
Folha – E a candidatura de Platini?
Essa
sim, porque todos sabem que o Platini é favorito. Tem Europa, Ásia e Conmebol
juntas. Mas, agora, o cenário é outro e não sei se esses três continentes ainda
pensam da mesma forma diante de todos esses fatos dos últimos dias.
Folha – Há pré-candidatos da Europa, mas
também da Ásia, da África e da América. Acha que é o momento de a presidência
da Fifa sair do controle de um europeu (somente João Havelange conseguiu isso)?
Independente
da nacionalidade do candidato, o que não se pode é concentrar o mundo do
futebol na Europa. Eu trabalhei e vivenciei o futebol em três continentes, e o
trabalho da Fifa é mundial e não continental. O Havelange abriu as portas para
a África, e a Oceania veio junto. Hoje, o futebol é uma realidade nesses
continentes.
Folha – O principal foco de corrupção na
Fifa envolve contratos de direito de transmissão dos eventos. O que pensa que
pode ser feito para evitar a corrupção nas negociações?
Acho
que isso é um dos casos. Escolha das sedes para a Copa é outro. Eleição para
presidente da Fifa é outro. A ganância do poder corrompe. A Fifa, para voltar a
ter credibilidade, tem que começar do zero. O continuísmo permite isso. As
pessoas acabam ficando comprometidas umas com as outras e foi preciso isso tudo
vir a público para que se entendesse que as reformas são urgentes, a começar
pelo sistema eleitoral.
Folha – O que fazer para levar a Copa a
outras partes do mundo, sem criar suspeitas?
O
mundo do futebol precisa participar dessa escolha e não 23 ou 25 pessoas que
formam um comitê. País que concorre deve ter do seu povo uma participação
significativa e não vir uma autoridade que gosta de futebol e simplesmente
dizer que quer a Copa no seu país e depois deixar dívidas e sobrar para o
contribuinte sustentar um patrimônio elefante branco.
Paulo Vinícius Coelho – Que medida é
possível para blindar a entidade de corrupção?
As
mudanças devem começar pelas eleições, já comprometidas. Por que eu, com 45 anos
de vida no futebol, preciso ainda de cinco cartas para me candidatar? E, assim
como eu, existem outros esportistas do futebol com mais capacidade, mas que
precisam de compromisso. Se amanhã você ajuda alguma federação que te deu
apoio, vão dizer que foi por causa da carta que te deram.

Alexandre
Kalil – Por que não se sorteia os candidatos para sediar a Copa do Mundo para
acabar com compra de votos?
É mais
uma ideia do mundo do futebol. Não tenho dúvida de que ninguém do futebol é
ouvido para essas questões. A Fifa hoje é uma caixa-preta e que só foi aberta
com a corrupção. O mundo do futebol precisa participar dessas decisões. Vão
sair ideias simples, médias, mas vão sair ideias brilhantes também.
Folha – O sr. pode ser o primeiro jogador
a presidir a Fifa. Qual será a importância disso?
Acho
que não só o jogador, mas o esportista que viveu diversas funções dentro e fora
do campo e trabalhou em diversos continentes para conhecer a realidade deles.
Temos pessoas na área técnica, física, médica, arbitragem, etc. Esse leque tem
que ser aberto para as pessoas do mundo do futebol terem oportunidade de
ambicionar esses cargos. Não podemos ter cargos políticos na Fifa.
Mauro Cezar Pereira – Não teme decepcionar
como dirigente, a exemplo de outros, como Roberto Dinamite e Platini?
Nunca
temi desafios. Pior é não tentar. Posso cometer erros como qualquer cidadão,
mas não para ter benefícios próprios em cima de cargos. A administração da Fifa
não é para se ter vitórias ou derrotas como num jogo e sim para dar credibilidade
ao futebol.
PVC – Depois de parar de jogar, você foi
secretário do governo Collor e diretor do Flamengo. Nos dois casos, por pouco
tempo. Por que devemos acreditar que vai cumprir uma trajetória longa na Fifa?
Uma
coisa é você assinar um compromisso de deveres e direitos e outra é você
colocar seu nome numa eleição. Garanto que, nos dois casos citados por você,
meus deveres foram cumpridos e compromissos assumidos, também. Um compromisso
de eleição eu estou assumindo sozinho, não tenho os direitos, só os deveres e
acho que, sobre isso, minha vida está aí aberta para quem quiser ver.
Tostão – Você já pensou nos perigos de ser
presidente da Fifa, entidade tão poderosa e cercada por interesses?
Não
posso pensar em perigos e sim em soluções, que é do que precisa a Fifa.
Interesses sempre existiram e vão existir em todas as áreas. O presidente
precisa ter uma filosofia, e os interesses têm que ser de acordo com o que vai
beneficiar o futebol e não o que nós estamos vendo agora e vimos nos últimos
anos.
Mauro Cezar Pereira – Quais as pessoas com
as quais espera contar em sua equipe?
Seria
com aquelas que acreditam nas reformas que precisam ser feitas, na
transparência e na democracia, nas novas formas de eleições e, lógico, gostaria
de ter ao meu lado pessoas que amam o futebol como eu, independente de
nacionalidade.
Juca Kfouri – Qual é o papel de Pedro
Trengrouse [advogado, especialista em esportes pela FGV] em sua campanha?
É um
cara que conheço há anos devido à ligação dele com o Márcio Braga, que foi meu
presidente no Flamengo. Tem um grande conhecimento de Fifa e tem sido de uma
importância muito grande na nossa equipe.
Folha – Como está a busca de apoio?
Não
acredito que, até uma semana antes do prazo, alguém vá dar alguma abertura
sobre candidatura, pois todos estão preocupados com essas decisões que vêm a
público a cada dia e não sabemos se haverá outras mudanças. Estou com confiança
nesses apoios.
Paulo André – Por que quando a CBF está
mais fragilizada, você optou por lutar pela Fifa?
Não é
questão de desistir da CBF. Acho também que seria o caminho normal, mas,
infelizmente, a possibilidade de você se candidatar na Fifa é menos difícil do
que na CBF. A forma de eleição no Brasil, como está, acredito que o Del Nero
deva ficar mais uns 12 anos, porque já existe esse comprometimento das
federações e clubes. Hoje, são 47 votantes e, para alguém se candidatar,
precisa do apoio de 1/3 disso, sendo oito federações e cinco clubes.
Paulo André – Irá lutar para tirar essa barreira
na CBF?
Temos
que lutar sempre, e a Fifa, maior autoridade tinha que dar exemplo. Sem dúvida
que, se a CBF fizesse isso, pelo que o Brasil representa para o mundo do
futebol, seria um passo gigante, a ser seguido por muita gente.

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