quarta-feira, setembro 30, 2020
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Zico recorda inovações de Capita no Flamengo.

Foto: Gazeta Press

SPORTV:
O dia é de tristeza no mundo do futebol. A morte de Carlos Alberto Torres,
capitão da seleção brasileira na Copa do Mundo em 1970, comoveu companheiros,
jogadores, técnicos e todos aqueles envolvidos no esporte. Zico, que atualmente
treina o Goa, da Índia, jogou e foi comandado pelo Capita no Flamengo nas
décadas de 1970 e 1980. O ex-camisa 10 do Flamengo lembrou a amizade com o
amigo, que começou quando ainda era criança.

– É um
momento realmente muito triste pra mim, pela amizade que eu tinha. Eu conheci o
Carlos Alberto quando eu tinha 11 anos de idade, quando ele jogava com meu
irmão no Fluminense, em 1964, 1965, por aí. E fizemos uma amizade, é um cara
que batia bola comigo quando terminava os treinos. Depois consegui jogar com
ele no Flamengo, fui dirigido e tive a felicidade de ser campeão brasileiro com
ele. Era um cara espetacular. Última vez que estive aí no Brasil com ele,
quando fomos homenageados juntos, recebendo o troféu JK. Então foi uma pancada
muito forte. Um cara que marcou a história do futebol brasileiro, um cara
espetacular e que descanse em paz. Meus sentimentos a toda família, ao
Alexandre, meu camarada. E que continuem carregando o exemplo que o Carlos
Alberto deixou para todos nós – comentou.
Zico
reforçou também o papel de líder do Capita no futebol e como era uma pessoa que
pensava à frente do seu tempo.
– E no
Flamengo, com ele como treinador, há momentos divertidos. Primeiro ele acabou
com a concentração, que já pensava na frente. E depois, a superstição dele, era
um cara muito supersticioso. E a gente brincava com ele com isso né. Com esse
time que você tem nem precisa ter superstição não, de chegar com a mesma
camisa, a mesma roupa, os mesmos gestos que ele fazia no treinamento, aquelas
coisas todas, então a gente brincava muito com ele. Então trago comigo essas
coisas boas, esses ensinamentos que realmente ele nos deixou. E a lembrança de
1970 né. Foi marcante na minha vida a conquista daquela seleção fantástica
porque a gente tinha um bloco lá na rua em Quintino, que cada jogo que o Brasil
ganhava a gente saía desfilando pelo bairro. Então a gente desfilou todos os
jogos até ser campeão, encerrando com aquele golaço dele – disse.
O
ex-camisa 10 do Flamengo também falou sobre o período em que foi treinado por
Carlos Alberto no Flamengo. Para Zico, a experiência e confiança do Capita foi
fundamental para o sucesso do time.

Lembrança de muita segurança. Primeiro porque você não imagina chegar na
concentração meio-dia com o jogo às 17h. Se fosse hoje…jogadores têm que
ficar concentrados um, dois dias antes. E eu nunca mais esqueço isso. Vai
descansar em casa, dorme em casa e vem com tudo amanhã. Então era sempre o que
ele deixava de mensagem. A confiança e a alegria de estar disputando uma final,
quantos poderiam estar ali, e nós éramos os escolhidos. Ele já tinha
participado de várias finais e dava essa segurança para os jogadores. Então a
gente entrava em campo tranquilo quanto a isso, a poder chegar e fazer nosso
trabalho né – concluiu.

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